Amigos das Palavras

Por decisão do autor deste blogue os textos do próprio não seguem o acordo ortográfico de 1990.



quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

20ª São Silvestre dos Olivais.

Ontem à noite participei pela primeira vez na São Silvestre dos Olivais, prova que teve a sua 20ª edição e que como habitualmente foi organizada pela Junta de Freguesia de Santa Maria dos Olivais e que contou com o apoio técnico da Xistarca.
Foi a minha última prova em 2008 (ano em que participei em 25 provas) e fechei com chave de ouro…cortei a meta com a minha “menina de ouro”, que mesmo doente quis ainda assim cortar a meta com o papá.

Prova com um traçado que para mim foi uma agradável surpresa, uma parte inicial de sobe e desce, uma longa descida, uma parte em linha recta e a parte final a subir…gostei bastante.
Parti rápido a fazer fé nos 3’51’’ com que completei o 1º km, a seguir acalmei, não por vontade mas mais por necessidade e à passagem no 5º km com 22’30’’ já ia no meu ritmo “standard” para 10 quilómetros…que mantive até à passagem ao 8º km em que o meu cronómetro marcava sensivelmente 36 minutos…nos 2 últimos quilómetros terei quebrado um pouco e, …apesar do meu tempo oficial de 46’25’’ a que correspondeu o lugar 334 entre os 1026 atletas (masculinos) que concluíram…como disse acima…fechei 2008 com “chave de ouro”.
Em 2009 há mais corridas…

Aproveito para desejar a todos os que têm passado por aqui um excelente ano de 2009, com muita saúde, muito trabalho, muito amor e muitas corridas.
Ano de 2009 que vai começar, para mim, felizmente, bastante exigente em termos profissionais e pessoais, pelo que muito provavelmente irão escassear as “palavras de corredor”, ainda assim tentarei, sempre que possível, trazer aqui algo que não é o forte do corredor (longe disso) mas que o mesmo preza bastante…palavras.
Forte abraço,
António Almeida

Números da 20ª São Silvestre dos Olivais.

Distância da prova: 10 km
1200 inscritos, total de 1117 atletas classificados na meta, 1026 do sexo masculino (91,85 % do número total) e 91 do sexo feminino (8,15 % do número total).


terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Números da 1ª São Silvestre de Lisboa.

Distância da prova: 10 km
Total de 1798 atletas classificados na meta, 1586 do sexo masculino (88,21 % do número total) e 212 do sexo feminino (11,79 % do número total).





Fonte: Classificações no site da prova.

1ª São Silvestre de Lisboa.

Na noite do passado sábado participei na 1ª São Silvestre de Lisboa, evento patrocinado pelo El Corte Inglês e Halcon Viagens, evento que contou com a parceria da Câmara Municipal de Lisboa e vários apoios entre os quais o da ASICS.
A prova teve 10 quilómetros ao longo de algumas das principais artérias da cidade de Lisboa tendo como ponto de partida e chegada o Rossio (Praça D. Pedro IV), uma das salas de visita e tradicional ponto de encontro da capital.
Esta era a prova a que eu não podia faltar, a 1ª São Silvestre de Lisboa, juntar o prazer de correr em Lisboa com o de correr à noite, noite que esteve ideal para correr (quem diria)…

A Vitória com a mamã acompanharam-me a esta prova e pela primeira vez fomos cedo, muito cedo, para uma prova, chegámos ao Rossio pouco passava das cinco da tarde…numa altura em que continuava a chover.
Sensivelmente por volta das seis da tarde as condições climatéricas tinham-se agravado drasticamente e poucas ou nenhumas dúvidas restavam de que ia ser uma São Silvestre debaixo de chuva, provavelmente de muita chuva mesmo.
Durante o tempo de espera a ocasião de rever o Fernando Andrade e conversarmos durante algum tempo, o que é sempre um grato prazer, pouco depois ocasião também para conversar durante algum tempo com o José Magro, outro companheiro da blogosfera e das corridas.
Por volta das 18h40 foi o tempo da minha primeira saída para a chuva tentando ensaiar um aquecimento numa altura em que já muitos atletas também iam aquecendo debaixo de chuva, à volta do Rossio e debaixo dos toldos muitos outros iam protelando o que parecia inevitável, saírem para a chuva…
Após uma volta ao Rossio com uma passagem pelas ruas do Ouro e da Prata, voltei ao toldo onde a Isabel e a Vitória continuavam abrigadas, alguns exercícios de aquecimento e nova saída para a chuva faltariam aproximadamente 10 minutos para a hora prevista para a partida (19h).
Com o aproximar dessa hora de partida a chuva que tinha vindo a diminuir de intensidade acabaria mesmo por parar e foi já sem chuva que se deu a partida (ao som de uma buzina) da 1ª São Silvestre de Lisboa.
A prova acabou por decorrer quase sem a presença da chuva a não ser a que tinha ficado pelo chão da muita que tinha caído e também com a quase ausência do sempre desagradável vento.
A prova registaria 1798 atletas classificados na meta e pese o facto de se ter registado mais de 1000 ausências de atletas que estavam inscritos (3000 foi o limite do número de inscrições, as quais recorde-se, tinham esgotado), será seguramente em 2008 a mais das participadas provas de São Silvestre realizadas em Portugal.
Dos 1798 classificados na meta, 1586 eram do sexo masculino (88,21 % do número total) e 212 eram do sexo feminino (11,79% do número total).
Os mais rápidos e primeiros vencedores da São Silvestre de Lisboa foram, em masculinos, Rui Pedro Silva (Maratona Clube de Portugal) com o tempo de 28'52'', e, em femininos (com um excelente 11º lugar da geral), Jéssica Augusto (Individual) com o tempo de 32'26''.

Quanto à minha prova correu dentro do que eu esperava, há mais de 2 meses que não participava numa prova de 10 quilómetros (Tejo, 19 de Outubro), desde então participei em duas maratonas (Porto e Lisboa) e numa “meia” (Nazaré), pelo que parti para a prova com o objectivo de fazer, pelo menos, sub45, o meu tempo “standard” aos 10 km no corrente ano (nas 5 provas que tinha feito em 2008, Grândola, Atlântico, Fome, Luz e Tejo, fiz 44'28'', 44'39'', 45'16'', 44'44'' e 44'52'' respectivamente).
Acabaria por completar a prova com o tempo oficial de 44'43'' (o meu foi um pouco menos), o que me deixou pois satisfeito.
No meu arquivo de memórias fica registada mais uma grande noite de sábado em Lisboa…

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

5 dias, 3 treinos, 1 prova, Natal pelo meio...

Na última semana consegui correr 4 dias, algo que já não conseguia há bastante tempo…

Na quarta-feira, véspera do dia de Natal, para mim ainda dia de trabalho, foi também dia de cedo entrar para cedo igualmente sair permitindo-me assim ainda de dia (desde Tomar que não corria com a luz do dia) iniciar o meu treino (o 1º da semana), embora acabasse o treino já de noite foi mesmo muito agradável começar a correr ainda com a luz do dia. O local do treino, o habitual durante os dias de semana, o terreno perto da minha casa.

Quinta-feira, dia de Natal, neste dia não corri…vontade não faltou.
O brilho do Natal no sorriso dos olhos da minha menina de ouro…

Sexta-feira, dia de ficar em casa com as minhas “meninas”, da parte de manhã uma ida até ao Parque da Paz para 1 hora de corrida contínua lenta, muito bom correr de dia, muito bom correr num local tão aprazível…
Muito bom o resto do dia com elas.

Sábado, dia de prova, a São Silvestre de Lisboa, a primeira na capital.
Um almoço tardio em dia de muita chuva, o brilho do Natal ainda e sempre a iluminar os nossos dias, o prazer de encontrar caras amigas, o prazer de correr em Lisboa e à noite, a meta que ficou por cortar…com a Vitória…

Domingo, o encontro ocasional com a Ana e a Mafalda (gostámos muito de as ver), o resto do dia em casa, o último treino da semana (o 3º), de novo ao início da noite e de novo perto de casa, ainda com a presença na chuva que caiu durante o dia de sábado, de novo 1 hora de corrida contínua lenta, o regresso a casa, a voz da Vitória no intercomunicador, a vida a reentrar na rotina…

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Outra Maratona.

"A notícia da impossibilidade de ter filhos é o maior dos desafios para um casal que se ama. De um dia para o outro, o futuro acorda comprometido. E ameaçador. Dois condenados a ser dois, com vontade de ser mais, é sempre muito pouco."
Trecho do livro da jornalista Sandra Moutinho, “Tudo por um Filho”.

O centro comercial decorado com motivos natalícios está apinhado de pessoas que apressadamente percorrem os corredores do mesmo, muitos casais, alguns com crianças, muitos provavelmente de férias, um constante entrar e sair das lojas, a maioria das pessoas com sacos nas mãos…no meio daquelas pessoas um homem destoa pelo modo vagaroso como caminha, talvez motivos de saúde o impeçam de acompanhar os outros, talvez não os queira acompanhar, talvez…
O homem sobe ao último piso, dirige-se a um dos muitos balcões que vendem comida e pouco depois já com um tabuleiro na mão com alguns alimentos que serão o seu almoço vai sentar-se numa mesa.
Enquanto come o homem olha em seu redor, perto donde se sentou quase todas as mesas estão ocupadas, em quase todas há crianças, conta 5 carrinhos de bebé…os seus pensamentos voam para outra cidade à mais de 300 quilómetros de distância, para outro centro comercial, para outro espaço de restauração, para uma mesa sem crianças onde estavam sentados um homem e uma mulher, também por perto crianças, carrinhos de bebé, também os enfeites de natal...o último do século passado...
O choro de um bebé traz de novo o homem para este ano de 2008, olha o bebé e sorri com as tentativas da mãe para o fazer deixar de chorar, acaba rapidamente de comer e sai para a rua.
O homem volta depois a pé para o seu local de trabalho, enquanto sobe a avenida pega no telemóvel e liga para casa, é a sua “menina de ouro” que o atende, também ela de férias da creche e por isso em casa com a mãe, enquanto continua a caminhar o homem fala com a menina e pergunta-lhe pela mamã…
Depois desliga o telemóvel, senta-se num banco da avenida e fica ainda algum tempo até retomar o caminho, pensa na próxima vez que vai descer a avenida a correr, pensa na primeira vez que desceu a correr aquela avenida e da chegada triunfal aos Restauradores, foi também no Natal, o do ano de 1975, quando ele ainda rapazinho não sonhava ainda em correr maratonas, quando ele ainda não imaginava a “maratona” que um dia seria forçado a correr.
Nesse dia à noite o homem vai correr, algo que faz quase “religiosamente” 3 vezes por semana, enquanto corre pensa nas maratonas que já correu e nas que pensa já correr e isso faz com que se sinta feliz, pensa também e ainda na “outra maratona”, no longo caminho não desejado e solitário, ainda que feito a dois, caminho cheio de dor e sofrimento…depois sorrindo pensa na noite em que o tempo por breves instantes parou quando a “menina” nasceu, a noite do dia 25 de Julho de 2004, no dia em que passavam precisamente 26 anos sobre uma outra grande vitória, a primeira, de seu nome Louise…

Nota) Ainda que muito provavelmente quem passar por aqui não vai entender nada do que eu escrevi…dedico este meu "post” aos companheiros de outras maratonas, os casais que não podem ter filhos.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Novos companheiros.

Os meus novos companheiros de corrida...
Já os tenho desde a passada sexta-feira e estava desejoso de correr com eles, foi ontem à noite, 1h10' em ritmo lento de corrida, noite já feita e no terreno onde habitualmente corro aqui perto de casa, deserto como quase sempre a horas tão tardias...
1h10' a saborerar e saber-me muito bem o frio e a "paz" da noite, a ouvir o constante som da terra solta debaixo dos pés.
Foi 1h10' a reencontrar-me comigo mesmo como sempre acontece quando corro.
Foi 1h10' a saber a pouco...

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Amigo.

Mal nos conhecemos
Inaugurámos a palavra «amigo».
«Amigo» é um sorriso
De boca em boca,
Um olhar bem limpo,
Uma casa, mesmo modesta, que se oferece,
Um coração pronto a pulsar
Na nossa mão!
«Amigo» (recordam-se, vocês aí,
Escrupulosos detritos?)
«Amigo» é o contrário de inimigo!
«Amigo» é o erro corrigido,
Não o erro perseguido, explorado,
É a verdade partilhada, praticada.
«Amigo» é a solidão derrotada!
«Amigo» é uma grande tarefa,
Um trabalho sem fim,
Um espaço útil, um tempo fértil,
«Amigo» vai ser, é já uma grande festa!

Alexandre O'Neill
(Lisboa, 19 de Dezembro de 1924 - Lisboa, 21 de Agosto de 1986)

Nota) De novo palavras de O'Neill (ver aqui).

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Palavras de...Fernando Pessoa.

A criança que fui chora na estrada
Deixei-a ali quando vim ser quem sou;
Mas hoje, vendo que o que sou é nada,
Quero ir buscar quem fui onde ficou.
Fernando Pessoa

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

1º Meeting Blogger.

Organizado pelo Luís Mota (TomarAcorrida) decorreu em Tomar durante o dia de ontem o "1º Meeting Blogger", no qual estiveram presentes os companheiros da blogosfera e das corridas:

Luís Mota (Tomaracorrida)

Mariana Mota (Borboletas e Malmequeres)

Susana Adelino (Espraiar)

Joaquim Adelino (Pára que não pára)

José Brito (Entroncamentorunners)

Marco António (Jovem Atleta)

Miguel Paiva (Maratonista)

Ricardo Baptista (Maratona)

e eu próprio,
António Almeida (Palavras de Corredor)

Foi um dia inesquecível durante o qual a família Mota (Luís, Susan, Luís Carlos e Mariana) foram inexcedíveis no modo como nos receberam, um grande muito obrigado por tudo.
Uma palavra de apreço e de agradecimento também ao Luís Rodrigo (atleta do União de Tomar) pela dedicação com que elaborou cada uma das placas comemorativas do "1º Meeting Blogger".
Agradeço igualmente a cada um dos restantes presentes a companhia e partilha durante todo o dia, foi um prazer rever alguns amigos e igualmente um enorme prazer conhecer outros.

Gostava também de relembrar o nome de todos os presentes:
Luís Mota, Susan, Luís Carlos e Mariana.
Susana Adelino e Daniel.
Joaquim Adelino.
José Brito, Otília, Vasco e Tomás.
Marco António.
Miguel Paiva, Susana e Joana.
Ricardo Baptista.
António Almeida, Isabel e Vitória.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Números da 23ª Maratona de Lisboa.

Distância da prova: 42,195 km.
Total de 1003 atletas classificados na meta, 914 do sexo masculino (91,13% do número total) e 89 do sexo feminino (8,87% do número total).





Fonte: Classificações no site da prova.

23ª Maratona de Lisboa.

Domingo, 7 de Dezembro de 2008, 9 horas da manhã - “entrei” a correr na Praça do Comércio no momento em que era dada a partida da 23ª Maratona de Lisboa, continuei a correr como já o vinha fazendo desde o Rossio e dirigi-me para a zona de partida onde já estavam muitos dos participantes da “prova aberta”, passei pelo meio deles e logo depois pelo pórtico da partida, nos metros iniciais tive logo os incentivos da família Mota (Luís Carlos, Mariana e Susan), sorri e acenei para eles, continuei a correr e aos poucos comecei a entrar no ritmo que pretendia, isto é, que me fosse confortável para cobrir a distância sem problemas de maior. Durante a longa recta até ao Dafundo, sensivelmente os primeiros 10 quilómetros da prova, fez-se sentir sempre um vento não muito forte e a chuva por vezes também marcou presença.
Primeiros 10 quilómetros durante os quais corri sempre com muita gente por perto embora corresse sem companhia, em determinada altura em que já nos cruzávamos com os atletas que já estavam de regresse vi o Luís Mota e trocámos cumprimentos, em Algés esperava-me um dos bons momentos da manhã de domingo, a companhia do meu amigo António Bento que comigo correu durante algum tempo, já depois do retorno e no momento em que nos despedimos, ainda o seu último conselho e a sua certeza de que esta (a maratona) era para menos de 4 horas, também eu na altura estava convencido disso mesmo, apesar dos 56’ com que tinha completado os primeiros 10 quilómetros da prova.
Logo depois, já no regresso à Praça do Comércio, apercebi-me que me tinha esquecido dos meus abastecimentos sólidos, restava-me a água.
Pouco depois, sensivelmente ao quilómetro 12, alcancei um grupo constituído por número razoável de atletas, o motivo daquele agrupamento devia-se ao facto de um atleta Italiano ter colocado nas suas costas um papel com a indicação de que corria para 3h55’, quem fosse para esse tempo só tinha que o seguir.
Pensei que era o ideal para mim mas também achei na altura que o ritmo a que seguiam era para mais de 4 horas e decidi seguir eu um pouco mais rápido…
Já muito perto da Praça do Comércio vi a Isabel que já estava na companhia da família Mota e que também já tinha os meus abastecimentos na mão para mos dar, o que o fez no momento em que me cruzei com eles.
Breve ida ao Rossio e pouco depois de novo na Praça do Comércio completei a meia-maratona com um tempo a rondar a 1h56’.
Ainda com o vento pelas costas seguiu-se a parte do percurso até à rotunda situada já muito perto do Parque das Nações, em sentido contrário seguiam os participantes da meia-maratona e também já muitos dos maratonistas, nessa fase cruzei-me de novo com o Luís Mota (nova troca de incentivos) e pouco depois foi a vez de me cruzar pela 1ª vez na manhã de domingo com o Joaquim Adelino que estava a correr a “meia”.
Já com o vento de novo pela frente e ainda antes de completar os 30 quilómetros de corrida (o que fiz com 2h45’ de corrida) vi em sentido contrário o Alberto Bastos (o meu companheiro durante grande parte da maratona do Porto) e mais uma vez nos cumprimentámos (já nos tínhamos visto após o retorno no Dafundo).
Na passagem pela Praça do Comércio, numa altura em que já muitos atletas terminavam a maratona, vi de novo a Isabel que me tirou uma foto e perguntei-lhe se a Vitória não vinha (para cortar a meta comigo)…
A família Mota aguardava já na zona de chegada pelo Luís mas ainda assim, mais uma vez à minha passagem, tiveram uma palavra de incentivo para comigo, que soube mesmo muito bem.
Após o 32º quilometro (passei sensivelmente com 2h57’) e até ao último ponto de retorno situado junto à Central Tejo, foi a parte do percurso em que senti mais dificuldades, foi a parte do percurso que achei que o vento soprou mais forte e que a chuva caiu com mais força, foi também nessa parte do percurso que o Joaquim Adelino que já corria em sentido contrário me tirou uma foto (o homem só pára mesmo para tirar as fotos) e que outro companheiro daqui da blogosfera me cumprimentou, o João Paixão (o homem que só pára na lua). Foi igualmente nessa parte do percurso que me recordei daquelas duas mulheres que há um ano correram a “meia” com camisolas iguais e nas quais estava estampada a foto de uma bonita jovem.
Ainda antes do ponto de retorno senti aproximar-se de mim um grupo de atletas, quase de imediato me ultrapassaram…olhei-os enquanto rapidamente me ganhavam avanço…na cabeça no mini pelotão…lá seguia o “Italiano” com o papel nas costas.
Após o ponto de retorno foi o deixar ir com o vento a ajudar, tinha quebrado bastante nos últimos quilómetros (ao contrário do que aconteceu no Porto) embora continuasse a correr sem dificuldades de maior e a continuar a achar que ainda podia baixar das 4 horas.
Perto do 40º quilómetro mais outro dos bons momentos da manhã de domingo, o Joaquim (depois de já ter completado a sua prova) estava à minha espera para correr comigo os quilómetros derradeiros, que se tornaram assim fáceis e muito agradáveis.
Quase 4 horas depois de ter “entrado” pela 1ª vez na manhã de domingo na Praça do Comércio, “entrei” de novo para concluir a minha segunda maratona, ainda antes passei pela Isabel que me sorria, já em cima do tapete olhei o relógio que marcava mais de 4 horas (no meu marcava menos).
O meu tempo foi de 4h00’46’’...superior ao registado por mim e explicado pela inexistência de um tapete de partida.
Terminava assim a minha 2ª maratona…na cidade mulher da minha vida…sem a Vitória…

A 23ª Maratona de Lisboa teve como vencedores o russo Sergey Lukin com o tempo de 2h17’40’’ e a polaca Dorota Ustianowska com o tempo de 2h47’07’’.
De referir que pela primeira vez uma maratona em Portugal teve mais que 1000 atletas classificados na meta (exactamente 1003), em grande parte devido ao elevado número de atletas estrangeiros na prova (como habitualmente acontece), já que os portugueses foram menos de metade do total de 1003.
Voltarei a correr “maratonas” em 2009…

Lisboa no meu amor, deitada
cidade por minhas mãos, despidas
Lisboa menina e moça, amada
cidade mulher da minha vida.

(excerto da letra da canção "Lisboa menina e moça"
de Ary dos Santos,
poeta nascido em Lisboa no dia 7 de Dezembro de 1937)

domingo, 7 de dezembro de 2008

A minha Maratona de Lisboa (em imagens).

Quase a meio da prova. (foto de Mariana Mota).

Já depois dos 30 km (passagem pela Praça do Comércio).

Na Av.ª 24 de Julho, a caminho do último ponto de retorno (foto de Joaquim Adelino).

Metros finais da minha 2ª maratona, sem brilho e sem...Vitória.

Depois da prova eu com a minha querida Isabel.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Maratona Seaside Lisboa 2008.

No próximo domingo disputa-se a 23ª Maratona de Lisboa, a mais antiga e mais participada maratona realizada em Portugal.
A prova terá início às 9 horas da manhã e estão inscritos mais de 1200 atletas, número só possível de alcançar devido ao elevado número de atletas estrangeiros inscritos na prova (habitual nesta prova e que este ano rondam as 7 centenas).
O número total de atletas inscritos na prova da maratona cria uma natural expectativa de pela 1ª vez em Portugal uma prova de maratona poder ter mais de 1000 atletas classificados na meta.
A prova tem o seu início na Praça do Comércio, local onde também termina.
Como provas complementares à Maratona de Lisboa disputam-se como em anos anteriores a Prova Aberta e a Meia-Maratona, e este ano pela primeira vez, uma prova de Maratona por estafetas e uma prova denominada “1000 metros Jovem”.
Depois de há 2 anos ter participado na Prova Aberta e de há 1 ano ter participado na Meia-Maratona, no próximo domingo participarei na Maratona (correrei com o dorsal 977), na que será a minha 2ª maratona depois da minha estreia no Porto no passado mês de Outubro.
Uma excelente corrida para todos os que no próximo domingo estarão em uma das 4 partidas que vão existir (Maratona + Estafeta: 9h, Prova Aberta: 9h10, 1000 metros Jovem: 9h15 e Meia-Maratona:10h15).

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Dia de Treino Longo (o último antes de Lisboa).

Mais perto de casa estava o lobo esfomeado. Ao ver a cabacinha perguntou-lhe:
Oh cabacinha não viste para aí uma velhinha?
De dentro da cabacinha a voz da velhinha fez-se ouvir:
Não vi velhinha, nem velhão
Corre corre cabacinha
Corre corre cabação!!!
O lobo pulou de raiva.
Finalmente a nossa velhinha chegou a casa. Não havia mais perigos.
Pela estrada fora tinham ficado, enganados, os seus três inimigos.
A cabacinha salvara-lhe a vida.
Trecho do conto tradicional Português “Corre, corre, cabacinha.”

Passámos fora o último fim-de-semana, foram 3 dias muito agradáveis no regresso a um local onde tínhamos estado há uns anos e de que tínhamos gostado bastante, Caldas das Felgueiras, local situado no vale do Alto Mondego e pertencente ao concelho de Nelas (distrito de Viseu).
Foi pois longe de casa, mas como habitualmente na manhã de domingo, que realizei o meu treino longo da semana, também o último antes da maratona de Lisboa.
Equipei-me a rigor para o frio que sabia me esperava no exterior do apartamento, o que pude comprovar assim que abri a porta.
Comecei a correr seriam sensivelmente 9 horas e não pude deixar de pensar que uma semana mais tarde e à mesma hora estaria a começar a minha 2ª maratona.
Comecei por percorrer o circuito de manutenção existente nas instalações do hotel em que ficámos alojados, circuito com um traçado excelente para treino de “faltlek”, o que não era o caso, pelo que decidi tomar a “estrada”…numa altura em já sentia as lágrimas a escorrerem-me pelo rosto e já tinha os dedos das mãos quase gelados…pensei se não deveria voltar ao apartamento, mas continuei a correr.
Na brincadeira, nos últimos dias tinha dito algumas vezes, que no treino que ia fazer durante este fim-de-semana na "serra" (Caldas das Felgueiras fica relativamente perto da Serra da Estrela), não iam ser os cães que me iam “morder os calcanhares” como tem acontecido quase em todos os treinos longos realizados ultimamente, mas os lobos.
A Vitória ao ouvir estas “baboseiras” do papá, na sua inocência mas também na sua criatividade dos 4 anos, disse logo que me ia arranjar uma cabacinha, como no conto infantil “Corre, corre, cabacinha”, para me meter lá dentro quando eu fosse correr e assim os lobos não me fariam mal.
Voltando ao meu treino, logo após sair das Caldas das Felgueiras passei por dois caçadores e cumprimentei-os, continuei a correr (por vezes pelo meio da estrada procurando fugir ao mau estado da mesma), do meu lado direito o Mondego serpenteava pelo meio da abundante e verdejante vegetação, por vezes deixava de o vislumbrar mas sabia-o presente algures no meio da vegetação.
Uns quilómetros depois “apanhei” a estrada nacional que liga Seia a Nelas e resolvi seguir na direcção desta última, são alguns quilómetros sempre a subir, não muito, mas os suficientes para me terem causado algum desconforto nos “gémeos”.
Já em Nelas ainda pensei seguir até Viseu mas resolvi voltar pelo mesmo percurso, que evidentemente, foi sempre a descer, já passava das 10 horas da manhã e embora continuasse a fazer-se sentir muito frio, o Sol ia dando um arzinho da sua graça, eu continuava a correr e embalado pela descida demorei menos 11 minutos à volta do que tinha feito à ida.
Terminei o treino junto ao “nosso” apartamento e pouco depois reencontrei as minhas meninas que já estavam no exterior do mesmo.