Amigos das Palavras

Por decisão do autor deste blogue os textos do próprio não seguem o acordo ortográfico de 1990.



segunda-feira, 30 de maio de 2011

V Media Maratón de Montaña "Cabeza la Vaca - Tentudia".

Na tarde do último sábado voltei a participar numa prova, a 1ª depois dos 101 km de Ronda, de novo em Espanha, desta feita na V Media Maratón de Montaña "Cabeza la Vaca - Tentudia", corri em representação do "Mundo da Corrida" tendo tido como companheiros de equipa o Nuno Santiago e o Francisco Bossa.
Esta meia maratona de montanha teve uma forte representação lusa, a qual foi destacada pela organização durante a entrega dos prémios, o CLAC foi mesmo a equipa com mais atletas presentes, mas não só de quantidade mas também de grande qualidade foi a participação portuguesa (Vitorina Mourato venceu a geral feminina, o abutre-mor Vitorino e Luis Mota venceram os respectivos escalões), também outros portugueses conseguiram lugares de destaque.
Eu e meu amigo Nuno Santiago fizemos juntos a prova e conseguimos um excelente rácio custo/beneficio ao desfrutarmos dos 21 quilómetros em 2h17'.

Para a forte participação portuguesa em Cabeza la Vaca muito contribuiu o programa de trail na raia promovido durante o fim de semana pelo companheiro Francisco Bossa, programa que além da participação nesta meia incluiu também um treino durante a manhã de domingo em Barrancos e arredores, o qual acabou por ser a cereja em cima do bolo, 3 horas em que fomos presenteados com um percurso que teve uma parte inicial dentro da vila de Barrancos, que meteu muitas subidas e descidas, algumas transposições de cancelas, uma travessia da ribeira com direito a banho, umas centenas de metros de free running, em resumo, um excelente treino.
De referir igualmente o ambiente de são convívio entre todos os que marcaram presença neste fim de semana de trail na raia.

Fotos da Isabel aqui.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

101 km de Ronda 2011 (o dia seguinte).


101 km de Ronda 2011 (3ª parte).

O dia da prova (de Setenil à linha de chegada).

Pouco depois completava 60 quilómetros de prova, olhei o "garmin" e saboreei a conquista, por essa altura seguia a passo em mais uma subida, logo após deu para correr nos largos estradões existentes, pouco depois cheguei junto de um numeroso grupo que tentavam prosseguir sem passar por dentro da água que cobria completamente o estradão, o qual não dava para contornar pois existiam vedações de ambos os lados, não me fiz rogado e lá avancei, logo depois retomei o ritmo de corrida e dei por mim em mais uma zona de abastecimento (14º, Cortijo Charco Lucero), localizado numa subida e onde fui recebido como os demais participantes com bastantes incentivos.
Os quilómetros seguintes foram sempre a subir, caminhei mais uma vez durante os mesmos, nessa fase ainda mantinha a caminhar um bom ritmo de progressão que me ia permitindo ultrapassar alguns participantes.
Ao chegar aos 70 quilómetros senti dupla alegria, pelos "70" e porque sabia que a partir daquele ponto até ao quartel seria quase sempre a descer, senti então que chegaria ao quartel com relativa facilidade, a descida essa porém não foi mesmo nada fácil, uma inclinação bem acentuada e em piso de betão fazia com que muitos dos participantes a fizessem a passo, eu realizei-a a correr embora sempre em ritmo baixo, aumentei depois o ritmo na fase seguinte ainda a descer mas menos do que anteriormente.
Cheguei ao km 75 sem ninguém por perto, aproveitei o terreno praticamente plano para aumentar ainda mais um pouco o ritmo, passei para o outro lado da ribeira, um pouco mais acima um legionário indicou-me o caminho, depois foi sempre a direito até entrar no quartel, passavam das oito e meia da noite, um fim de tarde que perdurará para sempre na minha memória.
Parei de correr, parei o "garmin" de contar, entrei e tratei de ir buscar o meu saco, fui à casa de banho e lavei-me, mudei de roupa, preparei-me para a noite, devolvi o saco e fui comer (arroz, coca-cola e uma banana).
No tempo que estive no quartel falei com o Tigre e o Sousa (das Lebres) e, quando já estava de saída também com o abutre-mor (Vitorino Coragem).
Saí do quartel já depois das nove horas da noite e numa altura em que começava a haver muito mais participantes que à hora a que eu tinha chegado.
Coloquei o "garmin" a contar o tempo, fiz ainda a passo a curta subida antes de sair do interior do quartel enquanto ia falando com a Isabel pelo telemóvel, recomecei a correr, em menos de nada comecei a ver participantes a virem em sentido contrário e pensei logo que havia algum engano no percurso, percebi depois que era o pessoal que já estava a caminho de Ronda depois de terem feito a parte do percurso que eu ia iniciar, em menos de nada estava a olhar o "garmin" que marcava os "80", pouco depois iniciava-se a duríssima subida à "ermita", pela imensa fila intermitente de luzes vermelhas que avistava de cada vez que olhava para cima sabia que o caminho ia ser bem penoso, mesmo a caminhar não foi fácil.
Cheguei ao topo, o ladrar de um cão a quebrar os silêncio da noite, segui por um trilho, primeiro a direito, depois a descer, aos poucos abriu-se o espaço para correr mas o piso esse continuou irregular, lá bem em baixo comecei a ouvir os legionários que estavam no ponto de abastecimento que se seguiria e que iam gritando para virmos para baixo, continuei a descer, passei pelo ponto de abastecimento (17º, Montejaque), procurei se não havia controlo de passagem, reiniciei o passo de corrida e passei na fase seguinte alguns participantes, pouco depois passei por uma povoação, numa altura em que a Isabel me tinha ligado para o telemóvel e me tinha dito que já estavam (ela e a Vitória) na zona de chegada, olhei o "garmin" que não marcava ainda os "90" e pensei que seria grande a espera que teriam ainda que fazer.
Na fase seguinte o percurso apesar de praticamente plano revelou-se bem complicado pois foi feito em trilho extremamente enlameado, continuei a correr mais uma vez sem ter ninguém por perto, quase que parecia impossível que estava a participar numa prova com um tão grande número de participantes.
O "garmin" a marcar os "90", mais uma das muitas boas recordações que guardarei para sempre, pouco depois mais um abastecimento (o 19º), alguns participantes por lá entre os quais o Tigre, troquei algumas palavras com ele, saímos juntos desse ponto de abastecimento, quase de imediato começamos a correr, aos poucos fui ganhando avanço, após o quartel só bebi água mas tive sempre uma sensação de boca seca muito por culpa do arroz bem salgado que comi no quartel.
Na fase seguinte da prova, em que passámos perto do quartel, comecei a cruzar-me com muitos participantes que seguiam em sentido contrário, um desfilar constante de participantes, pensei no que os ainda esperava, pouco depois segui no rasto de 3 companheiros que iam à minha frente e que cortaram para a direita, um legionário nesse ponto também me indicou esse caminho.
Sabia que estava já bem perto de Ronda, não demorou muito para que a tivesse no meu campo de visão, mas ainda tão lá em cima, falei nessa altura com a Isabel para lhe dizer que até já via Ronda mas que ainda ir demorar mais algum tempo para chegar à meta.
Olhei depois mais uma vez o "garmin" mas dessa feita nada vi, tinha-se apagado (não levei bateria suplementar e sabia que ia acontecer), mais tarde vi que ainda assim registou mais de 97 km e 12h57' de tempo contado (apenas excluído neste tempo o da paragem no quartel), perdi pois a partir daí a noção exacta da distância, também do tempo...
Uma última, longa e íngreme subida até entrar em Ronda, já nas ruas quase desertas recomecei a correr, logo depois comecei a ouvir a nossa claque que depois da grande festa durante a tarde em Setenil a fazia agora já de madrugada em Ronda, cheguei junto da mesma, palavras de incentivos, sorrisos, continuei a correr, avistei quase de imediato o local de chegada, algumas pessoas à entrada do jardim, recta da meta, a Isabel e a Vitória do meu lado esquerdo, parei junto delas, dei a mão à Vitória e corremos juntos aqueles metros finais daquelas mais de 14 horas passadas desde a partida.

domingo, 15 de maio de 2011

101 km de Ronda 2011 (2ª parte).

O dia da prova (até Setenil de las Bodegas).

Não terei demorado muito tempo a adormecer, também não terei demorado muito a acordar, num pavilhão cheio de pessoas era inevitável que os "roncadores" se fizessem ouvir e bem, dispensável de todo para mim era que "o" roncador me tivesse calhado na rifa.
Foi pois uma noite muito mal dormida, ainda assim terei conseguido dormir uns três a quatro horas.
Levantei-me às 6 horas numa altura em que quase todos dormiam ainda, tratei de ir fazer a minha higiene pessoal, bebi depois um café e comi um donut.
Pouco depois das sete da manhã o toque da corneta acordava os que aquela hora ainda dormiam, a Vitória essa resistiu.
Ficámos ainda cerca de 2 horas no pavilhão, depois foi tempo de rumarmos à zona de partida, tempo para algumas fotos.

Despedi-me depois da Isabel e da Vitória e segui na companhia do Luís Mota para o interior do estádio onde foi dada a partida da prova, iniciou-se então uma longa espera de quase de hora e meia, pouco depois começou a chover, nem eu nem o Mota tínhamos previsto a chuva e não tínhamos impermeáveis, íamos comentando que tinha sido em erro crasso o nosso, íamos também fazendo figas para que a chuva não se quisesse associar à festa. Foi um tempo de espera que acabou por se revelar bem divertido, por volta das 10 horas e uma vintena de minutos ouviram-se as palavras do Alcaide de Ronda e depois do general Chefe da Brigada da Legião, após as quais deram-se vivas e quase de imediato era dada a partida da prova de BTT e de duatlo, um desfilar de milhares de bicicletas que durou larguíssimos minutos.
Por fim foi tempo dos corredores se posicionarem na zona antes ocupada pelas bicicletas, tempo ainda para mais algumas fotos, para procurar a companhia do "Expresso Lusitano", para em plena pista do estádio comer alguns bolos secos que tinha levado comigo. Acenava de vez em quando para a Isabel que estava com os outros acompanhantes na bancada do estádio.
Às 11 horas foi dada a partida numa altura em que já tinha deixado de chover, acenei uma última vez para a Isabel e pouco depois saí do estádio ainda no rasto do "Expresso Lusitano" ainda num pelotão muito compacto e que assim se manteve até à passagem do 1º quilómetro, a fase inicial da prova foi sensacional, muitas pessoas nas ruas, muitos incentivos, muita festa…
Os primeiros quilómetros foram feitos ainda no interior de Ronda e a descerem, seguiu-se depois uma fase corrida em estradão, na zona do 1º abastecimento (água) foram poucos os que pararam, pouco depois a 1ª subida digna desse nome, de imediato tal como tinha delineado passei a caminhar, na fase seguinte à subida avistei o "Expresso", não forcei e aos poucos foram-me de novo ganhando avanço.
Cheguei à zona do 2º abastecimento no quilómetro 10 com 1 hora e quase 10 minutos, como tinha delineado tinha começado bem lento, tempo de um copo de isotónico e de encher a garrafa que me acompanhou durante toda a prova, também de comer 2 ou 3 quartos de laranja.
Continuei a não forçar nos quilómetros que me levaram ao 3º abastecimento, procedimentos quase a papel químico do que fiz no 2º, pouco depois mais uma subida, mais uma vez passei a caminhar, aproveitei para comer alguns amendoins com sal (perco sempre muito sal e tive particular atenção a esse aspecto), nessa fase começaram a passar em sentido oposto os primeiros classificados, o Mota em 2º, o João Faustino em 3º, o Eduardo em 9º ou 10º (não estou bem certo), eram muito boas posições as destes 3 companheiros portugueses, peguei no telemóvel e liguei para a Isabel para dar essas boas novas.
Pouco depois terminava a subida e de imediato passei a correr, o que fiz na quase totalidade nos quilómetros seguintes e que me levaram até à zona do abastecimento onde havia comida (sandes, donuts, coca-cola), pelo meio já tinha ficado para trás um outro ponto de abastecimento e também zona de controlo.
Nessa zona do 5º abastecimento (Navetas) ainda por lá estava o "Expresso Lusitano", troquei algumas palavras com eles, procurei depois uma sombra para ajeitar as meias já que vinha a sentir algum incómodo.
Nesse tempo continuaram a passar muitos participantes, a maioria seguia a passo comendo os alimentos fornecidos no abastecimento.
Eu após alguns breves minutos de paragem retomei o passo de corrida e comecei a passar muito desses companheiros que seguiam a passo, nos quilómetros seguintes foi a minha vez de me cruzar com os participantes que faziam o troço de percurso também já por mim feito uns quilómetros antes.
Até aproximadamente ao quilómetro 34 o percurso foi extremamente fácil, praticamente foi sempre a descer, nessa fase passei pela grande Célia Azenha (fez uma prova espectacular) e transmiti-lhe o meu incentivo, passei também pela equipa portuguesa do Millenium BCP, troquei algumas palavras com o Alcides, desejei uma boa prova para a equipa, passei também por uma povoação (Arriate? Penso que sim…) com muita gente nas ruas.
Seguiu-se depois uma longa subida na zona da Sierra de las Salinas, caminhei em toda a extensão da mesma embora nessa fase conseguisse manter a caminhar um ritmo forte de progressão que me ia permitindo ultrapassar vários participantes, ainda na fase inicial dessa subida encostei ao "Expresso Lusitano" numa altura em que estava com 4 horas de prova e 35 quilómetros efectuados, altura também de mais uma vez ligar à Isabel e fazer o ponto da situação.
Já com mais de metade dessa dura subida efectuada fui assolado por um ataque de espirros, o qual se manteve nos quilómetros seguintes, nessa fase comecei a desesperar pois tal nunca me tinha acontecido durante uma prova.
Cheguei a mais um abastecimento (o 8º, Cortijo Del Polear), também ponto de controlo, continuava a espirrar…
A fase imediatamente seguinte foi por uns estradões largos e ligeiramente a descerem, estradões que continuaram ainda depois durante largos quilómetros mas já praticamente planos.
Eu continuei sempre a passar muitos companheiros apesar de não seguir muito rápido, o que comprovei à passagem das 5 horas de prova (4 horas da tarde) em que estava com 42 quilómetros feitos, ainda assim entre a 4ª e a 5ª hora tinha progredido 7 quilómetros, muitos dos quais os da dura subida iniciada ao km 34.
Pensei então que era certo que chegaria a Setenil de las Bodegas antes das 18 horas, tinha ficado combinado que as acompanhantes dos participantes que tinham viajado no autocarro do "Mundo da Corrida" se deslocariam para esse ponto e ai permaneceriam até por volta das 18 horas.
Nos quilómetros seguintes continuei num ritmo bem confortável que se manteve sensivelmente até Alcalá Del Valle (10º ponto de abastecimento e de mais um controlo), logo depois uma curta mas duríssima subida que como as demais foi por mim feita a caminhar, retomei depois o passo de corrida e na ânsia de chegar a Setenil forcei depois um pouco nos quilómetros seguintes se bem que fosse mais que certo que lá chegaria bem antes das 18 horas, foi uma bela visão a de Setenil, pouco depois corria nas suas ruas, comecei a ouvir a festa portuguesa que a nossa claque ia fazendo, Setenil tem uma beleza que naquela tarde não me deixou de fascinar, muitas casa embutidas nas rochas, já bem perto da claque alcancei o Luis Miguel (Tigre), vi a Vitória, continuei a correr até junto dela, abracei-a, um misto de sensações, procurei depois a Isabel, fiz a festa com o resto da claque.Bebi depois a imperial que me esperava, tempo também para mais uma vez ver o estado dos pés (tudo ok), nesse tempo continuaram a passar muitos participantes, alguns que tinha passado nos últimos quilómetros. Pouco depois tempo de me despedir da Isabel e da Vitória, segui em ritmo rápido pois sabia que o abastecimento estava a menos de um quilómetro e onde cheguei em menos de nada, fui buscar uma sandes e um copo de coca-cola, enchi a garrafa de água, bebi mais um copo de coca-cola, procurei depois o local de saída, recomecei a correr, pouco tempo depois deixava Setenil.
[continua]

sábado, 14 de maio de 2011

101 km de Ronda 2011 (1ª parte).


À partida para a 1ª vez acima dos 100 quilómetros e face aos contratempos que senti durante a preparação que efectuei já nem era a distância o que eu mais receava, era de que os joelhos me pregassem alguma partida como tinham feito nessa fase menos boa dos meus treinos para Ronda.
Consciente que estava da minha falta de tarimba na distância bem como que a preparação não tinha sido a por mim idealizada (e mesmo essa apenas com o objectivo principal de terminar) sabia o quanto importante era correr com cabeça.
Tinha como primeiro e principal objectivo o de terminar a prova, se as coisas me corressem bem como esperava "sonhava" ser possível terminar ainda no dia 7 de maio (com um tempo a rondar as 13 horas), tinha-o dito à Isabel, companheira e confidente primeira deste caminho com final feliz.
Se o primeiro objectivo foi facilmente conseguido já o segundo ficou bem longe de o ser, apesar disso fiquei imensamente feliz por ter conseguido terminar e bem.
À partida tinha delineado algumas normas que pretendia seguir à risca durante a prova, começar bem lento, ter sempre presente a necessidade de hidratar e de comer (alimentos) durante toda a prova, fazer todas as subidas por pequenas que fossem a caminhar, normas também elas já por mim exercitadas em alguns dos meus treinos e competições em que participei no caminho para Ronda.
De véspera e face à presença da claque de apoio do pessoal do autocarro do "Mundo da Corrida" em Setenil sensivelmente até às 18 horas tornou-se quase obrigatório chegar a esse ponto antes dessa hora, com isso era certo também que conseguiria chegar ao quartel ainda de dia, aí chegado contava parar o tempo necessário para trocar de roupa e comer, a partir do quartel esperava ainda conseguir correr assim o terreno o permitisse.
Na prática constatei que foram boas previsões as que tinha feito sendo que apenas na fase da prova após a passagem pelo quartel embora conseguisse correr (tal como esperava) fui surpreendido pela muita lama existente na parte do percurso plano junto ao rio, a qual me fez perder algum tempo com que não contava de todo perder, também no quartel perdi mais tempo do que aquele que esperava.
Acima de tudo foi uma experiência muito gratificante, uma sequência de boas recordações, apenas boas recordações, um dia único até hoje na minha vida...

O dia antes:

Viajámos para Ronda no autocarro do "Mundo da Corrida", muitas caras conhecidas, algumas caras novas, viagem longa de quase 10 horas (incluído as habituais paragens) mas ainda assim tranquila e bem agradável de se fazer, a companhia em muito contribuiu para isso.
Uma vez em Ronda foi tempo de assentar arraiais no polidesportivo onde era disponibilizado o solo duro, mais tarde dirigimo-nos para a entrega da minha mochila (a organização permitia que cada atleta se o entendesse enviasse sacos para dois pontos no percurso (km 59 e km 77,5), sacos em que cada um podia colocar aquilo que entendesse poder vir a necessitar), no meu caso decidi enviar apenas um saco para o km 77,5 (o do quartel) com uns ténis e um equipamento tendo-me esquecido de enviar o corta-vento.
Tempo de levantar a minha t-shirt da prova, apreciar a beleza em redor de Ronda e de carregar mais alguns "hidratos" no belo e rápido jantar servido ao estilo militar em tendas de campanha mas com uma óptima qualidade, a massa estava mesmo muito boa.

Mais tarde voltámos para desfrutar do "solo duro", à meia-noite como anunciado as luzes apagaram-se.

[continua]

quarta-feira, 11 de maio de 2011


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segunda-feira, 9 de maio de 2011

Soy un cientounero.

Ronda, 8 de Maio, pouco depois da 1 da manhã
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domingo, 1 de maio de 2011

Fosse eu Rei do Mundo...

Para sempre.

Por que Deus permite
que as mães vão se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não se apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.

Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.

Carlos Drummond de Andrade (Itabira, 1902 - Rio de Janeiro, 1987)