Amigos das Palavras

Por decisão do autor deste blogue os textos do próprio não seguem o acordo ortográfico de 1990.



terça-feira, 28 de junho de 2011

Areia, treino - 0, poemas - 3.

Areia: IX
...
Volto para trás
nesta paz
de ver nos meus passos
o único sinal profundo
da tarde lilás.
...
Que bom! Hoje não quero salvar o mundo.

Areia: X
...
Porque é que este sonho absurdo
a que chamam realidade
não me obedece como os outros
que trago na cabeça?
...
Eis a grande raiva!
...
Misturem-na com rosas
e chamem-lhe vida.

Areia: XV
...
Ah! só um segundo
com o mundo
de acordo comigo...
...
E até os homens dormiriam nas nuvens
a ver o vento a ceifar o trigo.

Nota) Poemas que fazem parte do livro Areia, de 1938, presente no primeiro livro das obras completas de José Gomes Ferreira, Poeta Militante.

Areia, o treino, o poema...

O treino - Costa da Caparica, domingo, 27 de junho de 2011, 7 horas da manhã...
Dia de treino longo na areia, ida e volta até à lagoa de Albufeira, cedinho que o dia prometia ser quente e com isso era certo que muitos seriam os que tinham planeado passar o dia por aquelas bandas.
A ida - até à Fonte da Telha uma autêntica pista, depois as habituais e conhecidas dificuldades nos quilómetros seguintes, ao longo dos quase 15 quilómetros fui eu, a areia, o mar, as dunas, as gaivotas e pouco mais.
A volta - no regresso as mesmas dificuldades até à Fonte da Telha, também o cruzar-me com alguns companheiros, a partir da Fonte da Telha dificuldades acrescidas, milhares de pessoas à beira-mar, quase sempre tive que correr na areia solta, um constante desviar-me de autênticas barreiras formadas por pessoas, cheguei completamente derreado aos 29 quilómetros, altura em que parei de correr, continuei depois a passo.

O poema - Areia: VIII
...
Com o mar,
as curvas das ondas
e o dorso dum peixe ao luar
fiz uma deusa
que criou o mar.
...
(E depois deitei-me ao comprido
com o mistério resolvido.)

José Gomes Ferreira

sábado, 25 de junho de 2011

2 dias felizes.

Ontem - último dia da escola da Vitória.
Hoje - dia de sarau do clube onde a Vitória frequenta aulas de dança clássica.
Dois dias importantes e muito felizes para a família.

Hoje de tarde já preparada para o sarau.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

1º semestre 2011.

Sábado que vem não poderei estar nas “fogueiras” de Peniche, uma prova que eu muito gosto e sempre um belo pretexto para um fim-de-semana na região como sempre temos feito, fica para o ano…
Está pois para mim desde já encerrado e no que toca a provas o 1º semestre do ano, semestre durante o qual participei em 12 provas (8 em Portugal e 4 em Espanha) num total de 462,6 quilómetros, sendo que 5 dessas provas (as 2 maratonas, a meia de Lisboa, APAV e Constância) foram em alcatrão e as restantes 7 em trilhos/terra batida.
Em 6 das provas em que participei foi a primeira vez que marquei presença (Trilhos dos Abutres, Trail de Conímbriga Terras do Sicó, mini-trilhos do Almourol, 101 km de Ronda, Média Maratón de Tentudia e Caminhos do Tejo), 6 provas a repetir, 6 provas que por motivos diversos foram mesmo especiais.
Nas restantes 6 provas repeti presenças de outros anos, 2ª vez nas maratonas de Badajoz e Sevilha, igualmente 2ª vez nas provas da APAV, de Constância e do Vale de Barris, e, 4ª vez na meia-maratona de Lisboa.
Passado pois que está quase o primeiro semestre do ano, o tempo continua a ser (como sempre) de correr, continuação pois de boas corridas e até um dia destes.

*) Concluí 5 etapas.

terça-feira, 14 de junho de 2011

5ª Ultra-Maratona Caminhos do Tejo (continuação).

De Vila Nova da Rainha a Valada (20 km):
Passado pouco tempo estava a correr na Nacional que nos levaria até à Azambuja, coloquei-me do lado esquerdo virado para os carros e camiões que passavam em alta velocidade, passado algum tempo avistei ao longe um grupinho, pensei que decerto seria composto pelo Ceú, pela Helena e pelo Luís Góis (um dos homens da BTT), olhei para trás e nada do Paulo ou do resto do pessoal da BTT, continuei a correr mas sem me conseguir aproximar do tal grupinho.
De repente e do meu lado esquerdo vejo a carrinha da Cátia, ouço a Isabel perguntar se estava tudo bem, com o polegar fiz o sinal de ok e gritei para avançarem e procurarem uma estação de serviço aberta para me comprarem coca-cola. Olhei a carrinha até ela desaparecer do meu campo de visão, procurei pelo grupinho mas nada, decerto tinham-me ganho um avanço considerável. Corri ainda algum tempo até chegar a uma estação de serviço aberta, a Isabel e a Cátia já tinham a coca-cola com elas, bebi 2 grandes copos, arrotei de imediato, senti-me bem melhor. Nesse tempo chegou o Paulo na companhia do Hélder Jorge, seguimos depois todos juntos.
Já na Azambuja deixámos a Nacional, nessa fase fui ganhando avanço ao Paulo, com isso fiquei de novo só, passados alguns quilómetros foi altura de entrar de novo nos trilhos, inicialmente tipo estradão, depois bem estreitos e em terreno bem acidentado, por vezes a vegetação de ambos os lados quase que tapava a passagem, mais que imagens retive sons, água a correr, cães a ladrar, …e o escuro da noite…
De repente dei por mim na dúvida de qual a direcção a seguir, sabia que se me perdesse muito provavelmente só com o nascer do dia retomaria o trilho certo, resolvi não arriscar e esperar pelo Paulo que decerto viria com o Hélder, os quais passado algum tempo chegaram junto de mim, seguimos depois os três.
Segui ainda algum tempo com o Paulo mas com o passar dos quilómetros ganhei-lhe de novo avanço e alcancei a Helena, troquei algumas palavras com ela, ia já com bastantes dificuldades, o Luís Góis continuava junto dela pelo que resolvi avançar.
Passado algum tempo dei por mim a correr de novo em estrada, a noite de mansinho começava a dar lugar ao dia, ao longe vi uma placa de identificação de uma terra e pensei que seria Valada, ao chegar perto vi que afinal era Reguengo, parei de correr mas sem parar de andar peguei no telemóvel e liguei para a Isabel, por essa altura estava em Santarém onde o pessoal da organização já estava a montar esse ponto de abastecimento, falei com ela e confirmei segundo o Eduardo que também por lá estava, que estava no rumo certo, Valada seria a povoação seguinte, o que de facto se confirmou, já em Valada mas bem antes do abastecimento vi o Zé Magro, parei junto dele e falámos um pouco, sempre muito atencioso este companheiro deste admirável “Mundo da Corrida”.
Retomei depois o passo de corrida em menos de nada estava no 3º ponto de abastecimento, já de dia, já com 64 quilómetros corridos.
Continuava sem vontade de comer, comi apenas umas fatias de presunto e bebi uma coca-cola.
Vi partir os companheiros que tinham chegado antes de mim, depois retomei também eu a prova.

De Valada a Santarém (20 km):
Nesta 4ª etapa já corrida com a luz do dia foram 20 quilómetros quase a solo…quase…
Saí de Valada na companhia do Paulo Abrantes mas porque ele começou logo com grandes períodos a caminhar rapidamente o deixei de ter como companhia, também os homens da BTT Tigre, Hélder Jorge e Manuel Fonseca que fechavam o pelotão ficaram para trás com ele.
Sensivelmente aos 70 km apanhei a Céu que tinha a companhia do outro BTT Luís Góis, breves palavras trocadas com ela que me disse que estava com grandes dificuldades e que provavelmente iria ficar por ali, uma última palavra de incentivo e continuei naqueles longos estradões que pareciam não ter fim, a partir dessa altura decidi caminhar 1 quilómetro e correr os 3 seguintes, assim o fiz e com isso cheguei perto da subida para Santarém numa altura em que tinha já passado outro participante (penso que o Carlos Pires) e tinha no meu campo de visão um grupinho de 3 outros atletas (Analice, Zé Carlos e Jesus Velilla), igualmente no meu campo de visão tinha há muito a altiva cidade de Santarém, nestes quilómetros de aproximação à subida para Santarém tive a companhia do BTT Luís Góis.
Já em plena subida para Santarém apanhei o Zé Carlos Fernandes que seguia nessa fase sozinho, subida quase feita e já em Santarém tempo ainda para uma paragem numa tasquinha, a mesma onde no ano anterior o Zé também tinha parado com os seus companheiros de então, o brinde, a mini que soube mesmo muito bem…
Pouco depois continuámos e passado pouco tempo chegámos ao ponto de abastecimento onde fomos logo recebidos pelo Fernando Fonseca com mais uma mini para cada um de nós.
No tempo em que lá estive por fim consegui comer algo, depois fui à massagem, depois e numa altura em que já todos tinham retomado a prova à excepção do Paulo Abrantes decidi também eu continuar.


De Santarém a Santos (18 km):
Saí de Santarém tendo a companhia do BTT Manuel Fonseca e numa altura em que o calor começava a apertar.
Senti-me bem ao recomeçar a correr mas estava consciente que a falta de alimentação durante as horas que tinham passado de certeza que iriam fazer “mossa”, passados alguns quilómetros em que corri nas descidas e rectas e andei nas subidas (como fiz em toda esta 5ª etapa) chegaram junto de nós o Tigre e o Hélder, o Paulo Abrantes tinha ficado em Santarém, passei a fechar o pelotão e com isso passei a ter a companhia do trio BTT Tigre, Hélder e Manel.
Já bem perto dos 100 quilómetros e numa altura em que a água já me tinha acabado a sorte de numa das povoações por onde passámos haver um café aberto (segundo o Tigre no ano passado estava fechado), uma paragem para uma bebida e um encontro com o Zé Carlos e o Jesus Velilla que também por lá estavam.
Seguimos depois todos juntos, de repente o Zé Carlos começa aos gritos, segundo ele naquele local e no ano anterior o grupo em que ele seguia fizeram uma grande festa naquele ponto, ali atinge-se os 100 quilómetros.
Este ano eu, o Zé Carlos e o Jesus Velilla lá posámos para a foto que se impunha.
Depois não mais os consegui acompanhar, ansiava apenas chegar junto da Isabel mas nunca dois quilómetros me pareceram tão longos.
Senti que estava completamente esgotado, segui apenas a passo, devagar…
Por fim cheguei ao ponto de abastecimento, cheguei junto da Isabel, olhámo-nos e não pudemos deixar de sorrir.
Depois e mais tarde o Zé e o Jesus ainda tentaram que eu seguisse com eles, com muita pena vi-os partir, sabia que de todo não me era possível continuar.
Fiquei pois aos 102 quilómetros com 14h25’ de tempo decorrido desde a hora da partida…

domingo, 12 de junho de 2011

5ª Ultra-Maratona Caminhos do Tejo.


A "Associação Desportiva O Mundo da Corrida" organizou mais uma vez a corrida com maior distância de todas aquelas que por cá se realizam, a "Ultra-Maratona Caminhos do Tejo", na distância de 146 quilómetros seguindo os caminhos de peregrinação desde o Parque das Nações em Lisboa até ao Santuário de Fátima.
Foi a 5ª edição (a 2ª vez com cariz competitivo) de uma prova que tem uma história muito particular, muito resumidamente direi que no 1º ano ninguém chegou a Fátima, já no ano seguinte foram 2 os que o conseguiram, no 3º ano foram sete, no quarto foram 11 e este ano foram 16, alguns repetiram o caminho...
Dos 25 que partiram este ano chegaram como disse 16, eu fui um dos que partiu, também um dos que não chegaram...
Apesar disso sinto-me feliz pelos 102 quilómetros que percorri durante as 14h25' que demorei a chegar a Santos e que resultaram numa das melhores experiências da minha vida.
Em 2012 quero fazer o caminho por inteiro...

Do Parque das Nações em Lisboa a Vila Franca de Xira (31 km):
Sexta-feira, dia 3 de junho de 2011, pouco depois das 22 horas, partida dada, poucos metros corridos e o último lugar era meu, nada que me surpreendesse dada a qualidade dos atletas presentes.
Após uma fase inicial percorrida em alcatrão entrámos nos trilhos, quase de imediato encostei a duas atletas (Helena Estevens e Ceú Carvalheiro), as quais pouco depois cederam-me passagem, passei-as e pouco depois cheguei junto da Analice.
Com o passar dos quilómetros acabámos por formar um quarteto, por perto íamos tendo a companhia de alguns dos homens da BTT que tiveram todos eles um papel crucial no sucesso que foram estes Caminhos do Tejo 2011.
Com pouco mais de 10 quilómetros e numa fase em que seguia com a Analice no fecho do pelotão passámos por uma zona onde estava um grupo numeroso de pessoas, o amigo "pára" Joaquim Adelino de máquina na mão ia tirando fotos, aproximei-me dele que encadeado pelo meu frontal não percebeu logo à primeira que era eu mesmo, um forte abraço e seguimos no encalço da Ceú e da Helena que nos ganharam então algum avanço, com isso fui-me aos poucos distanciando da Analice e durante algum tempo deixei de ter companhia por perto, mais tarde cheguei junto da Ceú e da Helena e segui junto delas.
Na passagem por Alhandra apanhámos um atleta (Paulo Abrantes) que praticamente ia a passo pelo que rapidamente o deixámos para trás, pouco depois a Analice tornou-nos a fazer companhia.
Já na zona do passeio ribeirinho que nos levou até Vila Franca de Xira fomos surpreendidos pela presença do Jorge Serrazina que tinha-se "perdido" ainda na fase inicial e não mais recuperou, seguimos todos juntos e pouco depois chegámos ao 1º ponto de abastecimento situado junto da Praça de Touros de Vila Franca de Xira.
Comi e bebi mas logo ali senti que algo não estava bem...

De Vila Franca de Xira a Vila Nova de Rainha (13 km):
Saí para a 2ª etapa na companhia das 3 senhoras, o companheiro da BTT Luis Góis seguiu também connosco, foi uma etapa quase sempre corrida em grupo, a Ceú por vezes adiantava-se, a Analice por vezes atrasava-se, quase sempre no meio eu e a Helena íamos fazendo a ponte, no final da etapa acabámos por chegar todos juntos a Vila Nova da Rainha.
Durante esta etapa tentei beber do meu isotónico mas senti que o mesmo não me estava a cair bem pelo que passei a beber apenas água.
Gostei bastante desta etapa a qual nos levou até Vila Nova de Rainha onde eu sabia que estaria a Isabel (a colaborar na organização) no 1º dos dois abastecimentos em que estaria (o outro seria em Santos aos 102 km), Isabel que logo assim que eu cheguei percebeu que algo não estava bem.
Tentei comer mas não consegui de todo, sentia-me bastante enjoado, ponderei não continuar, senti-me desiludido pois nunca me tinha passado pela cabeça que ficaria pelos 44 quilómetros, as minhas companheiras dos últimos quilómetros insistiram para que continuasse mas com muita pena minha achei que ficaria por ali.
Aos poucos fui vendo partir os companheiros que tinham chegado antes de nós, depois também a Analice, pouco depois a Ceú e a Helena, retomaram também elas a prova, na zona de abastecimento ficaram então os homens da BTT, o companheiro que tínhamos passado em Alhandra (Paulo Abrantes) e que entretanto também ali tinha chegado, eu mesmo, a Isabel, a Cátia...
Passado mais algum tempo e sem que sentisse melhoras resolvi ainda assim continuar, despedi-me da Isabel e abandonei a zona de abastecimento, quase de imediato recomecei a correr...
[continua]

domingo, 5 de junho de 2011

O caminho faz-se caminhando...

Organizada pela "Associação Desportiva O Mundo da Corrida", decorreu este fim de semana a "5ª Ultra-Maratona Caminhos do Tejo" na distância de 146 quilómetros e seguindo os caminhos de peregrinação desde o parque das Nações em Lisboa até ao Santuário de Fátima.
Estive na linha de partida com o objectivo traçado de pelo menos bater os 100 quilómetros o que se tornou mais complicado do que eu esperava, não consegui fazer uma alimentação (o estomâgo pregou-me uma partida e recusou-se a aceitar alimentos) ao longo das horas que iam decorrendo de modo a manter um bom nível de energia, sem surpresa para mim não consegui chegar a Fátima, por outro lado e pela positiva superou largamente tudo aquilo que eu esperava obter desta experiência nos "caminhos", vivi uma das melhores experiências da minha vida, passar uma noite inteira a correr é algo absolutamente indescritível, o misticismo associado ao caminho percorrido é algo que também me fez recordar de um modo muito especial durante aquelas horas algumas pessoas para quem Fátima significava muito, durante aquelas horas correram comigo ao meu lado...
Menos bom apenas a preocupação que causei à minha querida Isabel que sofreu como muito provavelmente nunca terá sofrido durante uma prova em que eu tenha participado.
Daqui a um ano quero de novo partir, espero e estou certo que viverei horas que me marcarão, quero chegar a Fátima a correr...
Saúdo todos os que partiram, para os que chegaram a minha maior admiração.
Para todos os que voluntariamente estiveram na organização o meu grande abraço e obrigado por tudo.

Ontem em Santos depois de ter corrido 102 quilómetros: Hoje de manhã em Fátima:

Fotos da Isabel aqui.