Amigos das Palavras

Por decisão do autor deste blogue os textos do próprio não seguem o acordo ortográfico de 1990.



terça-feira, 18 de outubro de 2011

Quer o homem acreditar...

Contrariando o habitual em outros dias de domingo o homem desta vez optou pelo período da tarde para realizar o seu treino longo semanal.
Eram quatro e meia da tarde do último domingo quando o homem começou a correr, embora estivesse calor estava muito menos do que aquele que se tinha e se tem feito sentir nos últimos dias...
Pretendia o homem correr 30 quilómetros e completou o homem os primeiros dez bem abaixo da primeira hora de corrida com uma grande sensação de bem-estar num final de tarde que estava a ser mesmo muito agradável…
De repente o homem sente como se alguém lhe tivesse atado os pés e o puxasse, cai violentamente no chão, tenta-se defender da queda amparando-se com as mãos mas não consegue evitar que a cabeça bata também ela no chão, ainda no chão sente fortes dores no joelho, levanta-se ainda meio atordoado com a queda, olha o joelho que sangra sem parar, derrama uma garrafa de água sobre o mesmo, tira outra garrafa de água da mochila e derrama-a sobre as mãos, passa a mão pela cara e de novo o sangue que aparece, percebe que também sangra da cara mas não se apercebe de onde…
Encaminha-se para a casa de banho do parque que existe nas imediações quase com medo do que possa ver mas ao olhar-se ao espelho fica mais tranquilo já que a origem do sangue na cara são de pequenas feridas.
Coloca a perna no lavatório, abre a torneira e lança água sobre a ferida do joelho, consegue descortinar um "buraco" bem no centro do joelho, lá bem fundo parece-lhe ver o osso, percebe que ficou mesmo maltratado…
Procura depois um dos bancos do parque para se sentar, coloca a perna esticada sobre o mesmo, pega no telemóvel e liga para a mulher, relata o sucedido, pede que alguém o venha buscar…
Fica depois o homem sentado naquele banco, perna esticada, o joelho coberto de sangue, em seu redor tudo lhe parece calmo e quase perfeito, as crianças que brincam, os homens que jogam ténis, sente a tranquilidade das tardes de domingo.
Ficou ainda algum tempo o homem sentado no banco, pegou depois da mochila e já de pé olhou o joelho que já não sangrava tão violentamente como anteriormente, encaminha-se para a saída, liga de novo para a mulher e diz-lhe que afinal vai voltar a pé para casa, esta diz-lhe que as suas duas irmãs que estavam juntas e relativamente perto já iam a caminho, responde o homem que viessem que o apanhavam no caminho…
Passa pelo local onde caiu, percebe que terá enfiado o pé em uma fita de plástico (das de atar as caixas de cartão) e muito provavelmente terá pisado a mesma fita com o outro pé...
Regressa pelo caminho feito anteriormente a correr, chega á estrada principal, atravessa a mesma e continua a caminhar, pouco depois um carro que lhe apita, olha e vê as cunhadas dentro do mesmo, volta a atravessar a estrada e aproxima-se do carro, segue depois dentro do mesmo com as cunhadas e os dois sobrinhos, filhos de cada uma das duas, a cunhada que vai conduzindo pergunta se é para seguir para o hospital mas o homem diz-lhe que é melhor passarem por casa…
Passam pois por casa, seguem depois para o hospital, a inscrição nas urgências, a ida à triagem, seguir mais tarde para ser observado pelo cirurgião, pouco depois a enfermeira que lhe faz os pensos, o do ombro e do joelho, que lhe limpa também as feridas que tem na testa e no nariz…
Regressam depois a casa já na companhia de filha que nesse tempo tinha estado com as tias…
Está pois o homem que tanto gosta de correr por estes dias impedido de o fazer, por poucos dias quer o homem acreditar...

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Uma manhã de domingo.

O homem acordou bem antes que o despertador tocasse mas passaram ainda largos minutos até que deslizasse para fora da cama.
De véspera já o homem tinha deixado preparado tudo aquilo que ia precisar e não fosse o barulho da máquina de quando tirou um café que bebeu de seguida e teria a casa permanecido no mais absoluto silêncio.
Com o tempo e a prática de outras manhãs passadas o homem foi aperfeiçoando essa capacidade de se movimentar pela casa sem fazer barulho, quase sempre consegue o homem sair de casa sem acordar cada uma das duas pessoas que na casa ainda dormem.
Desce as escadas e já na rua senta-se à porta de casa onde calça os ténis que trazia na mão, de seguida e já de novo em pé coloca a mochila e liga o relógio que tem no pulso.
Decorrido algum tempo em que o homem olha esse mesmo relógio, tempo durante o qual o homem vai saltitando começa então lentamente a correr.
Tal como em outras manhãs passadas o homem segue um percurso delineado mentalmente que crê o homem o trará à porta de casa passados que sejam 25 quilómetros.

Na fase inicial o homem corre lentamente, tão lentamente que passada que foi uma hora desde que o relógio começou a contar o tempo que pouco mais de 10 quilómetros o homem correu.
Ao fim desse tempo já o homem corre numa zona ladeada por árvores, olha o mar numa altura em que o relógio lhe indica que já correu metade dos 25 quilómetros previstos, quase de seguida ataca a subida que lhe aparece pela frente, embala depois na descida, sente depois que mesmo sem forçar corre mais rápido do que esperava naqueles longos e ondulantes quilómetros a direito que se seguem.
Com 20 quilómetros já corridos confirma isso mesmo pois para as 2 horas ainda largos minutos o homem tem que continuar a correr, minutos durante os quais o homem completa 22 quilómetros de corrida.
Já na fase final que se segue tenta o homem manter o ritmo dos últimos quilómetros o que não se revela muito complicado até porque a descida que o homem faz nessa fase vem na hora certa.
Já bem perto de casa tem o homem ainda que correr cerca de 700 metros para atingir os 25 quilómetros que o homem quis correr em mais uma manhã de domingo.

Olha as 2h13' do mostrador do relógio, desliga o mesmo e tira a mochila onde transportou a água que bebeu nesse tempo.
Olha as janelas da casa, pelo estore para cima da janela da cozinha deduz que já não dormem como à hora que saiu de casa as pessoas que ainda lá ficaram, pega no telemóvel e liga para casa, diz para irem à janela, primeiro a mulher, depois a filha, acenos mútuos…
Fica depois ainda o homem algum tempo na rua, tempo durante o qual vai realizando alguns exercícios, por fim pega nas coisas que poisou no muro quando ali chegou e volta para casa.
A manhã ainda mal começou quando o homem entra em casa, de volta ao seu porto de abrigo, porto de partida, porto de chegada…