Amigos das Palavras

Por decisão do autor deste blogue os textos do próprio não seguem o acordo ortográfico de 1990.



segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

6ª São Silvestre de Lisboa.

Na tarde do último sábado parte da baixa Pombalina foi palco de um grande evento desportivo, a São Silvestre de Lisboa, este ano em 6ª edição.
Depois de ter estado presente nas 4 primeiras edições (2008 a 2011) voltei neste ano de 2013 para a minha 5ª participação, como sempre mais que uma prova uma celebração de um ano de corridas que chega ao seu final, uma ponte para um outro ano.
Esta é dedicada às duas pessoas que são a cor e a luz dos meus dias.


Dados da minha prova:
Dorsal: 239
Distância: 10 km
Tempo: 45'28''
Classificação geral: 1119 (em 6535)
Classificação escalão Veterano 4: 63 (em 362)

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Natal Futuro.

Véspera de Natal de um qualquer ano futuro, pelas frestas de uma persiana de um quarto entram de mansinho os primeiros raios do dia, numa cama está o homem deitado, ao seu lado está a mulher, a mente do homem invadida pelas recordações das muitas manhãs em que se levantou e saiu porta fora correndo livremente pelas ruas, manhãs não passadas há muito tempo mas tão, tão distantes que parecem apenas e só fruto da imaginação do homem, mas não, o homem sabe bem o quanto elas foram reais.
Como um autómato o homem levanta-se e deambula pela casa, dirige-se à sua máquina de correr e permanece ali algum tempo parado, volta a deambular pela casa, da ombreira do quarto do casal olha o vulto da mulher que permanece deitada, pelo som da respiração percebe que dorme ainda, nova deambulação, entra no quarto da filha, pára junto da cama e olha por algum tempo a filha que igualmente dorme. O homem volta depois a deambular pela casa, passado algum tempo decide equipar-se, de seguida volta ao quarto, seu e da mulher, depois volta de nove ao quarto da filha…
Já com a porta de casa aberta hesita em dar o passo seguinte, pensa nas duas pessoas que na casa ainda dormem mas esse pensamento não o impede, antes pelo contrário quase o impele a transpor de vez a porta. Porta transposta, ouve o barulho da rotação que a câmara faz ficando bem de frente para si, olha-a fixamente, depois desce as escadas que o levam à rua.
Já na rua faz alguns exercícios de aquecimento, a câmara localizada mais perto da zona onde está vai girando à medida que o homem se vai movimentando, olha-a sem medo, desafiando-a.
Começa lentamente a correr, saboreia aquele momento há tanto tempo desejado, tempo demais, as poucas pessoas com quem se vai cruzando vão-se afastando e vão-lhe deitando olhares de soslaio.
Sabe que não terá muito mais tempo mas está decidido a tirar o máximo dos minutos que conseguir continuar a correr sem que o impeçam de o fazer, aumenta o passo ensaiando uma fuga anunciada e que sabe-a condenada ao fracasso, sente no rosto o ar frio de Dezembro e saboreia avidamente essa sensação como se fosse a primeira vez…
As muitas câmaras dos locais por onde vai passando vão rodando na sua direcção, ignora-as, não pensa no que virá a seguir, sente-se livre, livre como há muito não se sentia e isso faz renascer o homem, sem medo do que poderá ter que enfrentar…
Corre agora o homem ladeado por árvores, sente o cheiro intenso da terra orvalhada, aspira profundamente o ar que o rodeia, inclina ligeiramente o tronco para a frente, embala na descida, sente o chão a fugir debaixo dos pés, voa, cada vez mais alto…
Muito ao longe ouve a voz da mulher, também a da filha, abre os olhos, como que impulsionado por uma mola salta da cama, beija e abraça a mulher e a filha, diz que vai correr, equipa-se rapidamente e em três tempos está na rua a correr, saboreia cada metro daqueles mais de 20 quilómetros que corre depois como há muito não o fazia…