Amigos das Palavras

Por decisão do autor deste blogue os textos do próprio não seguem o acordo ortográfico de 1990.



quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Na terra da "Mãe".

Na passada sexta-feira, depois do dia de trabalho, seguimos para a Nazaré onde passámos o fim-de-semana e participei na manhã de domingo na 33ª Meia-Maratona Internacional da Nazaré, a "Mãe" das "meias-maratonas" em Portugal.
Nazaré, a terra da "Mãe", é uma vila no distrito de Leiria, sede de um pequeno município constituído por três freguesias (Nazaré, Famalicão e Valado dos Frades).
O município, a vila e a freguesia designaram-se Pederneira até 1912, ano a partir do qual passou-se a designar de vila da Nazaré ao conjunto formado pelos núcleos populacionais da Praia, do Sítio e da Pederneira.
Nesta nossa estadia na Nazaré ficámos alojados num hotel situado na Pederneira, terra de pescadores desde o século XII, denominava-se então Seno Petronero, que significa Golfo da Pederneira.
Foi até ao final do século XV um dos mais importantes portos de mar dos Coutos do Mosteiro de Alcobaça, Pederneira que era a seguir a Alcobaça a vila mais populosa e produtiva dos domínios de Cister.
Nos séculos XV e XVI, no auge dos Descobrimentos Portugueses, teve um papel de relevo como importante estaleiro naval de onde saíram muitas naus e caravelas.
A partir de finais do século XVIII entrou num longo período de decadência, o qual durou até ao passado século XX, século durante o qual lentamente e paulatinamente a Pederneira iniciou um período de recuperação.
É actualmente um local muito sossegado e agradável, dele tem-se também uma linda vista do imenso mar que se estende a perder de vista bem como do branco casario da Nazaré.
Sábado de manhã, nas imediações do hotel pudemos constatar alguns dos evidentes vestígios da importância que a Pederneira teve no passado, a Igreja Paroquial de Nossa Senhora das Areias (Igreja Matriz), igreja junto à qual se encontra a antiga Casa da Câmara (Antigos Paços do Concelho da Pederneira), fronteiro a esta ergue-se um interessante monolítico de sílex correspondente a um fragmento de tronco fossilizado, no local colocado em 1886 em substituição do desaparecido Pelourinho Manuelino.
§
Na Pederneira (as fotos):
A Ana e a Isabel na entrada do hotel; eu com a Isabel e a Vitória; a Casa da Câmara (Antigos Paços do Concelho da Pederneira); eu e a Vitória junto ao Pelourinho (tronco fóssil).

Seguimos depois para o Sítio, no extremo do promontório a 80 metros de altitude e com uma vista privilegiada sobre o mar e a Pedra de Guilhim, tirámos algumas fotos junto à Fortaleza de São Miguel (mandada construir em 1577 por D.Sebastião como meio de defesa dos ataques dos piratas), fortaleza que foi ao longo dos séculos seguintes, reconstruída, remodelada e ampliada. No início do século XX foi nela instalado um farol, o qual ainda está em funcionamento.
Visitámos depois o Santuário de Nossa Senhora da Nazaré, junto ao qual se encontra o antigo Paço Real mandado construir por D. Nuno Álvares Pereira para o alojamento da família real nas suas romarias ao local.
Visitámos também a Ermida da Memória, localizada junto ao Miradouro do Suberco, local onde, em 1182, segundo reza a lenda da "Nossa Senhora da Nazaré" a Virgem terá salvo a vida a D. Fuas Roupinho, o qual terá então, em acção de graças, mandado erigir a pequena ermida, perto da qual se encontra o Padrão de Vasco da Gama, comemorativo da vinda do Almirante ao local.
Terminámos a nossa visita ao Sítio no Miradouro do Suberco, o qual do alto dos seus 110 metros de altitude oferece aos visitantes uma vista panorâmica arrebatadora.
§
No Sítio (as fotos):
Eu com a Isabel e a Vitória no extremo do promontório (junto à Fortaleza de São Miguel); eu com a Isabel e a Vitória junto ao Padrão de Vasco da Gama; o casario da Nazaré visto do Sítio; eu e a minha irmã no Miradouro do Suberco (40 anos depois).

Ao fim da manhã descemos à Nazaré onde almoçamos num dos muitos e bons restaurantes existentes na povoação, após o que fizemos um passeio a pé pela marginal junto à praia.
Praia da Nazaré que tem uma origem relativamente recente, a área ocupada actualmente pela praia e pelo casario estiveram até ao século XVII cobertos pelo mar, o qual ia bater nos contrafortes da Serra da Pederneira.
A lindíssima enseada só ficou a descoberto após o recuo do mar devido às transformações geológicas que terão acontecido ao longo do século XVII.
Ainda em meados do século XIX a Nazaré começou a ser conhecida e procurada como praia de banhos e na década de 60 do século XX passsou a ser conhecida internacionalmente.
Actualmente continua, como desde então, a ser visitada anualmente por milhares de turistas.
Também eu a tenho visitado desde pequeno mas nunca nela tinha corrido…até ao passado domingo.
Voltámos a meio da tarde ao nosso local de alojamento, onde à beira da piscina passámos um resto de tarde muito agradável e relaxante.

Na praia da Nazaré (as fotos):
O branco casario da vila da Nazaré; depois do almoço o nosso passeio pela marginal; a Vitória ao meu colo durante o passeio pela marginal; a Vitória na praia na Nazaré.

2 comentários:

António Bento disse...

Caro António
é um prazer ler os seus relatos. Enriquece-nos.
Abraço
Bons treinos
AB

meglorien disse...

As fotos estão muito giras e que crescida que está a Vitória!

Beijinhos, Meggy