quinta-feira, 11 de abril de 2019

XXI Edição Trail LXVII Millas Romanas.


Mais uma vez voltei a Mérida para participar nas “LXVII Millas Romanas”, o equivalente a aproximadamente 101,5 quilómetros, prova que este ano teve o seu início como habitualmente a uma sexta-feira mas uma hora mais cedo, este ano às 20 horas, mantendo-se como tempo limite para terminar as 24 horas.



Na minha oitava vez tive pelo sexto ano consecutivo a companhia do meu homónimo António Almeida com quem nos últimos cinco anos completei a totalidade da prova, este ano a companhia resumiu-se aos 30 quilómetros iniciais, altura a partir da qual seguimos com ritmos totalmente diferentes, ele terminaria com 14 horas e 35 minutos, eu em pouco mais de 18 horas.

Este ano pela primeira vez o local de partida e de chegada foi no parque onde se situa o aqueduto de Los Milagros, o percurso circular levou na sua fase inicial, as várias centenas de participantes a percorrerem a zona urbana de Mérida, seguiram-se vários quilómetros bastante fáceis junto ao curso do Rio Guadiana onde existiu um primeiro abastecimento (km 14), quilómetros igualmente fáceis os que se seguiram até Alange (km 24,4).
De seguida surgiu a primeira dificuldade da prova com a passagem pelo Castelo de Alange, após aconquista do castelo seguiu-se uma inédita passagem pelo balneário de Alange (km 28,7), onde existem umas termas romanas.  
Pouco depois e com cerca de 30 quilómetros percorridos foi tempo de seguir a solo após o António avançar também ele a solo, nos quilómetros seguintes surgiu a 2ª dificuldade da prova com a passagem pela Serra da Calderita.
Após a Caldeirita seguiu-se La Zarza (km 36,2) onde existiu um abastecimento reforçado no interior de um pavilhão. Bebi um caldo e pouco mais que por essa altura já começava a recusar alimentos sólidos.  
Nas horas seguintes geri bastante e fui sendo ultrapassado por muitos participantes, passei no abastecimento seguinte, Ctra. Ba-154 (km 45,6), onde praticamente não parei, estava focado em chegar a São Pedro de Mérida (km 54,2), sabia que aí chegado tinha mais de metade da prova feita e esperava com isso ganhar algum alento para a 2ª parte da prova.
Foi muito bom pois chegar a São Pedro de Mérida, local onde o abastecimento estava montado no interior de um pavilhão, apesar da muita variedade de sólidos e líquidos fiquei-me pelo chá e donuts, já que a indisposição que tinha sentido nas últimas horas se bem que tivesse diminuído não tinha passado totalmente. O retomar da prova revelou-se bastante desagradável pela diferença de temperatura sentida entre o interior do pavilhão e o exterior, ainda que pudesse ter sido pior se as gotas de chuva que começaram a cair tivessem persistindo. Nessa altura resolvi vestir o impermeável que tinha levado até então na mochila. Até ao abastecimento seguinte em Cornalvo (km 60,7 km) segui por vezes sem ninguém por perto o que me levou a redobrar a atenção com as marcações, ainda assim tal não evitou que a dada altura em que seguia a luz vermelha de um participante que seguia bem à minha frente não tivesse seguido o trilho certo.

Foi após o abastecimento de Cornalvo (km 60,7) que surgiu a 3ª e última dificuldade maior da prova com as subidas existentes no Parque Natural do Cornalvo, parque onde nas suas encostas existe uma vasta floresta e matagal mediterrânico e onde ainda se poderá encontrar o gato selvagem, uma espécie quase extinta.  Na fase inicial no interior do parque segui por vezes completamente só, fase toda ela em trilhos bastante estreitos, já numa fase ascendente os trilhos passaram a largos estradões  com bastante pedra.
Foi já na fase final dessa subida que o dia começou a ganhar lugar à noite com a temperatura a manter-se baixa, nessa altura da prova recebi uma chamada da Isabel a quem coloquei ao corrente do que se tinha passado nas últimas horas, minutos mais tarde foi o António que me ligou, já tinha chegado a Aljucén. Eu, após chegar ao topo comecei a correr até ao ponto de abastecimento que se seguiu em Cuatro Caños (km 69,4), paragem rápida e segui em direção a Aljucén, já com a mais completa luz do dia fui alternado corrida e caminhada.
Em Aljucén (km 82,4 km) fomos recebidos com música no abastecimento situado no interior de um ringue desportivo, aproveitei para me sentar um pouco enquanto hidratava, passado algum tempo decidi retomar a prova, pouco depois de o ter feito começou a chover torrencialmente, abriguei-me então debaixo de um telheiro juntamente com outros dois participantes e aproveitei para ligar à Isabel, altura em que soube que o António já tinha terminado. Alguns minutos mais tarde a chuva amainou permitindo o retomar do percurso, este ainda no interior da povoação. Nos quilómetros seguintes ainda foi chovendo a espaços embora menos intensamente. Mais uma vez fui alternando corrida e caminhada até ao abastecimento situado no Lago Proserpina (km 91,4), o que fui continuando a fazer nos quilómetros seguintes até Carija (km 96,5) e, por fim nos cinco quilómetros finais até Mérida.   
Já no interior do parque onde tínhamos partido no dia anterior vi ao longe a Vitória que já me esperava para continuar comigo até à meta, continuei a correr até junto dela, demos as mãos e continuamos até cortar a linha de chegada onde a Isabel se encontrava de máquina em riste a tirar fotos.
Pouco depois foi tempo de juntos levantarmos o “nosso” oitavo miliário, este bem suado mas com um enorme sabor a conquista já que o meu início de prova excessivamente rápido nos primeiros 30 quilómetros me obrigou depois a ter que gerir ao longo das horas seguintes os restantes cerca de 70 quilómetros até à meta de modo a conseguir terminar condignamente, o que acho que terei conseguido.

A terminar endereçar os parabéns ao meu amigo António pela grande prova que fez e agradecer também à Susana e Daniel pela companhia.
Por fim agradecer ao meu staff cinco estrelas, Isabel e Vitória, pelas horas sem dormirem, pelas longas horas de espera, pelas palavras, tónico forte sempre, isto sem vocês não era a mesma coisa.    
Terminei com 18h07'41'' no lugar 233 entre os 607 finalizadores.



quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Bucólica.

A vida é feita de nadas:
De grandes serras paradas
À espera de movimento;
De searas onduladas
Pelo vento;

De casas de moradia
Caiadas e com sinais
De ninhos que outrora havia
Nos beirais;

De poeira;
De sombra de uma figueira;
De ver esta maravilha:
Meu Pai a erguer uma videira
Como uma mãe que faz a trança à filha.

Miguel Torga
(São Martinho de Anta, 12 de agosto de 1907 - Coimbra, 17 de janeiro de 1995)

Deixo-vos Bucólica como poema de Natal 2018 destas "Palavras de Corredor". 

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

6ª Corrida do Montepio - "Corremos Uns Pelos Outros".


Na manhã do último Domingo, Lisboa foi palco da 6ª Corrida do Montepio, evento com o apelativo slogan “Corremos Uns Pelos Outros”, organizado pela Associação Mutualista Montepio e que consistiu em três provas: uma corrida com a distância de 10 km, uma caminhada com a distância de 5 km e uma prova dirigida a crianças nascidas entre 2007 e 2013.
Evento de corrida único no País com a totalidade do valor das inscrições a reverterem em cada ano para uma instituição, neste 2018 atingiu-se a quantia de 40.000€ sendo a associação beneficiada a ACAPO – Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal.
Nota máxima para este evento de eleição que há 6 anos marca a diferença pela positiva.
Respondi presente pelo sexto ano consecutivo.


quinta-feira, 18 de outubro de 2018

4ª Edição EstrelAçor Trail Ultra Endurance.


Durante o fim-de-semana alargado do feriado comemorativo da restauração da Independência Nacional, dias 5, 6 e 7 de Outubro, realizou-se um evento de trail running denominado EstrelAçor com organização a cargo da “Associação Desportiva O Mundo da Corrida”.
O referido evento decorreu na Serra da Estrela e Serra do Açor e teve várias distâncias: os 180 quilómetros (ultra trail extra longo, d+ 7800 e tempo limite 50 horas), 100 quilómetros (ultra trail extra longo, d+ 5100 e tempo limite 30 horas), 43 quilómetros (ultra trail médio, d+ 1618), 22 quilómetros (trail curto, d+ 848) e 15 quilómetros (mini trail, d+ 505).
A prova de 100 quilómetros teve partida na aldeia do Piodão, todas as restantes tiveram partida nas Penhas da saúde, local onde terminaram igualmente todas as provas.
Participei na prova de 22 quilómetros e apesar da curta distância deu para desfrutar bastante dos trilhos e das vistas espectaculares, gostei muito.

A terminar os 22 kms do trail curto

1º (e único) M55 nos 22 kms

terça-feira, 9 de outubro de 2018

Especial.


Desde que corro muitos foram os dias felizes que vivi, senão que mesmo todos…
Mas há aqueles dias que sendo felizes são especiais e foi um desses dias que vivi na passada sexta-feira. 
Passámos o fim de semana na Serra da Estrela, a ideia era conjugar lazer em família com a minha participação na manhã de domingo na prova de 22 quilómetros do evento EstrelAçor.
Sexta-feira à tarde já depois de instalados nos magníficos Chalés de Montanha do Luna Hotel equipei-me para fazer um treininho onde já sabia teria a companhia da Vitória que já me tinha dito que pretendia ir comigo.
Saímos do “nosso” chalé por volta das 18 horas, passámos na zona de chegada das provas do EstrelAçor (também de algumas partidas) e seguimos inicialmente as bandeirinhas que indicavam o percurso da prova dos 22 quilómetros, depois explorámos algumas zonas que nos despertaram a atenção, por vezes a correr, por vezes a caminhar, também com algumas pausas para algumas selfies, foi hora e meia da mais pura diversão...


  




quarta-feira, 12 de setembro de 2018