Amigos das Palavras

“…quando ia treinar passava pelas ruas a correr e ninguém podia imaginar o mundo de palavras que levava comigo. Correr é estar absolutamente sozinho. Sei desde o início: na solidão é-me impossível fugir de mim próprio. Logo após as primeiras passadas, levantam-se muros negros à minha volta. Inofensivo o mundo afasta-se. Enquanto corro, fico parado dentro de mim e espero. Fico finalmente à minha mercê. No início, tinha treze anos e corria porque encontrava o silêncio de uma paz que julgava não me pertencer. Não sabia ainda que era apenas o reflexo da minha própria paz. Depois, quando a vida se complicou, era tarde demais para conseguir parar. Correr fazia parte de mim como o meu nome…”

Palavras de José Luís Peixoto in "Cemitério de Pianos"

segunda-feira, 26 de junho de 2017

UMA vez mais de Melides a Tróia.

Organizada pela câmara municipal de Grândola disputou-se no passado domingo mais uma edição da Ultra Maratona Atlântica, prova com uma extensão de 43 km percorridos em areia, com início na Praia de Melides e final na Praia do Bico das Lulas em Tróia.
Estive lá regressando a uma prova de que guardo muitas boas recordações resultantes das minhas 4 participações entre os anos de 2009 a 2012.
Ontem não foi diferente e da minha quinta UMA ficaram igualmente boas recordações…
Ainda antes da partida o minuto de silêncio em memória da Analice.
Durante a prova muitos quilómetros corridos apenas com a companhia do mar, das dunas, do azul do céu, … cortar a linha de chegada… 
Após a prova, resto de dia passado na praia em excelente companhia e o sermos brindados com uma visita inesperada, golfinhos…
Ao entardecer voltar a cruzar o Sado para o regresso a casa.
Termino com palavras escritas aqui quando na minha primeira participação em 2009:
Voltarei um dia a partir de Melides com destino a Tróia.