Amigos das Palavras

Por decisão do autor deste blogue os textos do próprio não seguem o acordo ortográfico de 1990.



domingo, 4 de maio de 2008

Para sempre.

Por que Deus permite
que as mães vão se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não se apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.

Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.

Carlos Drummond de Andrade (Itabira, 1902 - Rio de Janeiro, 1987)

Nota ) No Dia da Mãe as palavras de Carlos Drummond de Andrade...

3 comentários:

maedoskiduxos disse...

Palavras maravilhosas!
Feliz Dia da Mãe para ti Bela!!!
Bjs

António Almeida disse...

Raquel obrigado pela visita e pelos votos expressos, espero que também tenhas passado um Feliz Dia da Mãe com os teus "kiduxos".
Uma boa semana.
Beijinhos.

CORREDOR " X " disse...

Por essas bandas do Atlântico o dia das MÃES é o segundo domingo de maio. Bonito poema, não gosto muito de Drumond, mas esse é muito belo.