Amigos das Palavras

Por decisão do autor deste blogue os textos do próprio não seguem o acordo ortográfico de 1990.



quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Dia de Treino Longo (o último antes de Lisboa).

Mais perto de casa estava o lobo esfomeado. Ao ver a cabacinha perguntou-lhe:
Oh cabacinha não viste para aí uma velhinha?
De dentro da cabacinha a voz da velhinha fez-se ouvir:
Não vi velhinha, nem velhão
Corre corre cabacinha
Corre corre cabação!!!
O lobo pulou de raiva.
Finalmente a nossa velhinha chegou a casa. Não havia mais perigos.
Pela estrada fora tinham ficado, enganados, os seus três inimigos.
A cabacinha salvara-lhe a vida.
Trecho do conto tradicional Português “Corre, corre, cabacinha.”

Passámos fora o último fim-de-semana, foram 3 dias muito agradáveis no regresso a um local onde tínhamos estado há uns anos e de que tínhamos gostado bastante, Caldas das Felgueiras, local situado no vale do Alto Mondego e pertencente ao concelho de Nelas (distrito de Viseu).
Foi pois longe de casa, mas como habitualmente na manhã de domingo, que realizei o meu treino longo da semana, também o último antes da maratona de Lisboa.
Equipei-me a rigor para o frio que sabia me esperava no exterior do apartamento, o que pude comprovar assim que abri a porta.
Comecei a correr seriam sensivelmente 9 horas e não pude deixar de pensar que uma semana mais tarde e à mesma hora estaria a começar a minha 2ª maratona.
Comecei por percorrer o circuito de manutenção existente nas instalações do hotel em que ficámos alojados, circuito com um traçado excelente para treino de “faltlek”, o que não era o caso, pelo que decidi tomar a “estrada”…numa altura em já sentia as lágrimas a escorrerem-me pelo rosto e já tinha os dedos das mãos quase gelados…pensei se não deveria voltar ao apartamento, mas continuei a correr.
Na brincadeira, nos últimos dias tinha dito algumas vezes, que no treino que ia fazer durante este fim-de-semana na "serra" (Caldas das Felgueiras fica relativamente perto da Serra da Estrela), não iam ser os cães que me iam “morder os calcanhares” como tem acontecido quase em todos os treinos longos realizados ultimamente, mas os lobos.
A Vitória ao ouvir estas “baboseiras” do papá, na sua inocência mas também na sua criatividade dos 4 anos, disse logo que me ia arranjar uma cabacinha, como no conto infantil “Corre, corre, cabacinha”, para me meter lá dentro quando eu fosse correr e assim os lobos não me fariam mal.
Voltando ao meu treino, logo após sair das Caldas das Felgueiras passei por dois caçadores e cumprimentei-os, continuei a correr (por vezes pelo meio da estrada procurando fugir ao mau estado da mesma), do meu lado direito o Mondego serpenteava pelo meio da abundante e verdejante vegetação, por vezes deixava de o vislumbrar mas sabia-o presente algures no meio da vegetação.
Uns quilómetros depois “apanhei” a estrada nacional que liga Seia a Nelas e resolvi seguir na direcção desta última, são alguns quilómetros sempre a subir, não muito, mas os suficientes para me terem causado algum desconforto nos “gémeos”.
Já em Nelas ainda pensei seguir até Viseu mas resolvi voltar pelo mesmo percurso, que evidentemente, foi sempre a descer, já passava das 10 horas da manhã e embora continuasse a fazer-se sentir muito frio, o Sol ia dando um arzinho da sua graça, eu continuava a correr e embalado pela descida demorei menos 11 minutos à volta do que tinha feito à ida.
Terminei o treino junto ao “nosso” apartamento e pouco depois reencontrei as minhas meninas que já estavam no exterior do mesmo.

6 comentários:

Triblog disse...

Ahh treino no frio..
Não sei por que, mas minha boca fica ressecada correndo em baixas temperaturas.
Mas pelo menos, no ano que vem, vou me preparar melhor para correr no frio, vou comprar um legging masculino para encarar o frio.
Bons treinos até a maratona!

joaquim adelino disse...

Olá amigo António
A missão para mais esta etapa está quase concluída com êxito. Foi um bom fim de semana ao conseguir conciliar o passeio turístico e a corrida. Emagino a dureza do treino provocada pelo frio, provavelmente bem pior daquilo nós encontrámos em Samora Correia.
Bem António, agora é relachar até Domingo e não pense muito porque o maior sacrifício já está ultrapassado.
Vemo-nos lá.
Um abraço.

Fernando Andrade. disse...

Bravo, António.
Isso de treinar com o frio a "congelar" as lágrimas e o suor é do menos convidativo que há !
Eu cá não consigo ter esse espírito de sacrifício. Tá bem... eu sei que depois "pago" o conforto na Maratona, mas o truque é baixar a fasquia.
Depois há ainda o treino psicológico em que procuro convencer-me que o descanso é a melhor forma de poupar energia para dia 7 !
Manias...
Grande Abraço, António e Domingo lá nos encontraremos.

FA

Carlos Lopes disse...

Olá António

Correr no frio, acredita que tenho saudades, sentir os dedos frios, sentir a ponta do nariz a congelar, acredito que tenha sido um treino maravilhoso

Anónimo disse...

Olá António

Há cerca de 25 anos, tinha eu duas filhas pequenas, também costumava adormecê-las ao som de umas histórias que eu inventava.

Depois de todos estes anos, elas ainda se lembram da história do gato que achou vinte escudos e os gastou todos em "chiclets"...

Faz muito bem em dedicar-se à família, pois o tempo não anda para trás, e é hoje a hora certa para o fazer.

Domingo também vou correr a maratona. Para o caso de não o encontrar por lá desde já lhe desejo uma boa prova.

Um abraço
Alberto Bastos

luis mota disse...

Olá António!
Um bom estágio para a Maratona que se avizinha.
No próximo domingo, pelas 9 horas lá estaremos.
Até domingo Amigo!
Grande abraço,
Luís Mota