Amigos das Palavras

Por decisão do autor deste blogue os textos do próprio não seguem o acordo ortográfico de 1990.



sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

50 (I – Nascimento).

Pequeno poema

Quando eu nasci,
ficou tudo como estava.

Nem homens cortaram veias,
nem o Sol escureceu,
nem houve Estrelas a mais...
Somente,
esquecida das dores,
a minha Mãe sorriu e agradeceu.

Quando eu nasci,
não houve nada de novo
senão eu.

As nuvens não se espantaram,
não enlouqueceu ninguém...

Pra que o dia fosse enorme,
bastava
toda a ternura que olhava
nos olhos de minha Mãe...

Sebastião da Gama



Ano: 1962
Local: Almada Velha, Margem Sul do Tejo.

À uma da tarde repetindo um procedimento habitual a mulher fechou a porta da mercearia de que era proprietária, como sempre e depois de duas horas para almoço achava então a mulher que reabriria de novo a porta para o período da tarde.
Mas naquela tarde de verão do ano de 1962 as coisas não haveriam de ser assim, a mulher grávida em fim de tempo haveria de entrar em trabalho de parto e às 3 da tarde a porta da mercearia haveria de continuar fechada, na casa de família situada nas traseiras da mercearia onde a mulher residia com o marido e a filha de 6 anos haveria de a mulher parir nesse tempo um bebé do sexo masculino a quem seria dado como nomes próprios António Fernando e como nomes de família Gomes de Almeida.
Segundo ouviu mais tarde contar que como será de esperar desse dia o homem que um dia foi esse bebé nada se recorda, a sua irmã na tarde desse mesmo dia terá aproveitado um momento de distracção dos pais e provavelmente movida por ciúmes terá enchido de cuspo os olhos do bebé que dormia deitado no seu berço.

4 comentários:

Jorge Branco disse...

Parabéns! E excelente texto como de costume...

Maria Sem Frio Nem Casa disse...

Os putos são tramados! Mas piores são os adultos...

Beijinho para vós 3 António

Mário Lima disse...

António

Tive que reler o texto pois dizia para os meus botões (que não tenho pois é só 'fecho de correr'), será que o António faz anos hoje?

Mas li "naquela tarde de verão" (ora estamos no inverno e está um frio de rachar), logo não podias estar a fazer anos e se houve um António que nasceu em 1962 no verão, significa que esse António nasceu 10 anos depois de mim num dia de verão também e à tarde tal como eu. Dizia a minha Mãe: «Meu grande malandro tiveste mesmo que nascer quando saía a procissão».

:)

Mas já não haverá mais procissão pois a igreja, mandou esse dia às urtigas.

Sebastião da Gama é um grande poeta. Uma boa escolha num belíssimo texto teu.

Abraços!

Ms Harkins disse...

Hummm, nasceste no Brasil?? Bjs