Amigos das Palavras

Por decisão do autor deste blogue os textos do próprio não seguem o acordo ortográfico de 1990.



quinta-feira, 24 de maio de 2012

1º Ultra-trail Serra de São Mamede (Palavras, 1ª parte).

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!


Trecho de “Cântico Negro” de José Régio


Da partida (Portalegre) ao PAC1 (Viveiro, 10km):
[Foto de Isabel Almeida]

Ainda nos metros iniciais em plena pista do estádio passei pela Isabel e pela Vitória, bati na mão da minha "menina de ouro" e sorri para as duas, segui depois no meio de mais de centena e meia de "loucos" que a um sábado às 4 horas da manhã partiam à aventura de calcorrearem mais de 100 quilómetros por montes, vales, trilhos, rios, castelos e o mais que encontrassem pela frente.
Os quilómetros iniciais já com a companhia da chuva correram rápidos, logo depois e na fase do rio devido à chuva optei por fazer uma paragem para limpar os óculos, cedendo então a passagem aos companheiros que vinham atrás, entre eles a Célia, a Teresa Afonso, o Joaquim Adelino...
Após a passagem pela linha de água deu para correr rápido e aproveitei então para recuperar algum do tempo perdido.
A chuva continuava a dificultar-me bastante a visão pelo que não querendo de todo vir a sofrer alguma queda optei então por seguir calmamente pelo menos até ao nascer do dia.
Segui nessa fase na companhia do Joaquim, a espaços íamos tendo a companhia quer da Otília que seguia com um seu companheiro de equipa, quer da Célia que seguia com um grupo de 2 ou 3 companheiros.
Foi ainda com chuva que chegámos ao PAC1, os 10 primeiros quilómetros estavam feitos.
Controlo de passagem, comer e beber e, seguir para o seguinte…

Do PAC1 ao PAC 2 (Alegrete, 17km):
Hora de chegada ao PAC2à6:04 (2h04' de tempo de prova)
Os quilómetros entre o 1º e o 2º PAC revelaram-se bem fáceis, continuei a fazer dupla com o Joaquim, continuámos a espaços a ter a companhia, quer da dupla Otília e companheiro do CLAC, quer da Célia e companheiros que com ela seguiam.
O nascer o dia que se anunciava em cada metro de terreno ganho ia-me sabendo muito bem, adoro ver e sentir o nascer do dia.
Foi já com os primeiros raios de luz que entrámos numa povoação onde nos esperava em cima de um coreto uma farta mesa de pequeno-almoço, isto é, o 2º PAC.
Inesquecível o delicioso sabor do doce lá existente, comi uns quantos quadrados e souberam-me mesmo muito bem.
Por mim tinha por lá ficado bem mais tempo tal como disse aos elementos da organização lá presentes mas os meus companheiros dos últimos quilómetros estavam com fome de correr e seguiram quase de imediato, pouco depois parti também em busca do 3º PAC e desses companheiros.

Do PAC2 ao PAC 3 (Antenas, 30km):
Hora de chegada ao PAC3à8:23 (4h23' de tempo de prova)
Na fase inicial deste troço entre o 2º e o 3º PAC a situação não foi muito diferente da anterior em termos de grupos.
Já na fase da subida às antenas, o ponto mais alto deste ultra-trail, subida que fiz já sem a companhia dos meus anteriores companheiros foi dando para passar alguns outros e cheguei sem companhia ao PAC 3 se bem que pouco tempo depois tenha chegado o Joaquim, também ele a fazer uma boa subida.
Mais uma vez a simpatia dos elementos e a "mesinha" à maneira obrigaram-me a ficar ali algum tempo, falei com os dois concorrentes que por lá estavam tapados com um cobertor (um tinha torcido um pé, o outro estava com náuseas, ambos tinham desistido).
[Foto de Henrique Narciso - CLAC]

Quando o Joaquim decidiu continuar disse-lhe que sim, para seguir, pouco depois e quase de certeza de ter comido ou bebido mais alguma coisa, agradeci aos voluntários lá presentes e segui, de novo no encalço do "pára" que quase nem "parava" para comer, o homem estava endiabrado para correr.

Do PAC3 ao PAC4 (Apartadura, 38km):
Hora de chegada ao PAC4à9:42 (5h42' de tempo de prova)
Troço praticamente sempre a descer, na fase inicial a pique, fase em que dadas as minhas habituais dificuldades a descer tive que seguir algo lento, sendo que fui então ultrapassado pela Célia e seus companheiros que seguiam bem rápidos.
Pouco depois apanhei o Joaquim e seguimos juntos, mais tarde foi a nossa vez de passar a Célia e companheiros e já na fase final deste troço ganhei algum avanço e cheguei sem companhia à barragem onde estava o 4º PAC, mais do mesmo, simpatia e mesinha à maneira até com direito a chouriço acabadinho de assar.
Enquanto me ia deliciando a comer, também a conversar com o casal Conchinhas do Clube do Stress, ambos já fora de prova devido à queda ao rio do José aos 10 quilómetros, chegou o Joaquim e logo depois o grupo da Célia que por lá ficou quando eu decidi continuar numa altura em que o Joaquim já tinha seguido sem que não antes me tivesse convidado a seguir com ele.

[continua]

1 comentário:

Mário Lima disse...

António

Quando falei com o Joaquim ao tlm ele referiu o facto de teres que vir mais lento devido à chuva que te afetava a visão devido ao uso dos óculos e o perigo que essa situação te colocava num terreno propício a quedas como aconteceu a muitos e que nem óculos tinham.

Uma boa gestão dessa situação e o sentimento de ver 'nascer' o amanhecer.

O recuperar nos abastecimentos e ala que o pára não espera!

:)