terça-feira, 24 de novembro de 2009

De novo Lisboa.

Site da prova aqui.

No próximo dia 6 de Dezembro realiza-se a Maratona de Lisboa, este ano em 24ª edição, prova que no ano passado registou pela primeira vez mais de 1000 atletas classificados na meta, facto único em qualquer maratona disputada em Portugal e em grande parte devido ao elevado número de atletas estrangeiros presentes na prova, o que aliás é tradição na Maratona de Lisboa e tudo aponta para que neste ano de 2009 mais uma vez a tradição se vai cumprir (basta ver a lista de inscritos na prova).
Este ano a prova tem um novo percurso mais atractivo, muito menos monótono e talvez um pouco mais difícil, pessoalmente agrada-me muito mais que o anterior.
Mesmo antes de me ter inscrito na Maratona do Porto que estou inscrito nesta Maratona de Lisboa (há que aproveitar os descontos), será a minha 4ª maratona (Porto 2008, Lisboa 2008, Porto 2009).
Correrei com o dorsal com o número 250.
Neste momento e já com o objectivo em mente de em 2010 correr uma maratona em menos de 3h30', esta Maratona de Lisboa será o continuar do "caminho" que me permitirá atingir mais essa meta, tentarei pois corrigir o que correu menos bem no Porto, repetir o que esteve bem, no final gostava de ter a Vitória a cortar a meta comigo…

Para todos os que pretendem participar, seja na maratona, seja nas provas complementares (prova aberta, meia-maratona e estafeta), mas que ainda não estão inscritos, aproveitem as taxas de inscrição até ao fim deste mês (depois aumentam).
Bons treinos.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Sem Palavras (da Praça da Galiza ao Parque da Cidade).

Fotos da Mini-Maratona (prova não competitiva incluída na 6ª Maratona do Porto) realizada em 8 de Novembro de 2009.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

35ª Meia-Maratona Internacional da Nazaré.

[clicar na imagem para ampliar]
Em cima à esquerda: antes da prova (Mariana, Susan e eu).
Em cima à direita: depois da prova (Andrade, eu e Mota).
Ao meio à esquerda: na recta da meta (Daniel e Susana).
Ao meio à direita: ainda na recta da meta (Magro e Adelino).
Em baixo: durante o almoço.

A meia-maratona da Nazaré é uma prova especial, apesar de algumas coisas menos boas, muitos são aqueles que depois de uma primeira vez voltam ano após ano.
Para mim foi a terceira vez que corri a "mãe", como nos anos anteriores aproveitámos e passámos o fim de semana na Nazaré, uma semana depois da maratona do Porto foi um excelente modo de retemperar forças.
Sabia da presença de alguns companheiros da blogosfera mas antes da prova só consegui encontrar a família do Mota (Luís Carlos, Susan e Mariana).

Voltinha inicial à vila feita e pouco depois da passagem pela zona da partida/chegada, passei a ter a companhia do Nuno Cabeça, fomos conversando, também mesmo sem forçarmos muito fomos ultrapassando outros atletas, o Nuno nessa fase corria mesmo à vontade e cheguei a pensar que lá mais para diante não o ia conseguir acompanhar, chegámos aos 10 quilómetros com um tempo a rondar os 48 minutos (sensivelmente o que fiz na maratona do Porto), seguimos ainda juntos quase até ao ponto de retorno (já em Famalicão), altura em que senti o Nuno a deixar-se ficar.
Já após o ponto de retorno deixei-me ir aproveitando o percurso ligeiramente a descer e o vento que após o retorno foi uma boa ajuda.
Em sentido contrário ia trocando incentivos com alguns companheiros, Mário Lima, também os "bombeiros" Susana e Daniel (uma surpresa para mim quando os vi pois sabia que não eram para estar presentes), também em ritmo de descontracção o Magro e o Adelino.
Nos quilómetros de regresso à Nazaré fui quase sempre ultrapassando outros atletas, entre eles o Andrade que ficou meio surpreso por me ver passar.
Quase sem ter dado por isso dei por mim já naquela longa recta da meta, ao longe vi a placa dos 20 quilómetros, ouvi anunciar o tempo...1h34', qualquer coisa, pensei que ia acabar com um tempo muito parecido ao de 2008, se calhar melhor, já bem perto da meta vi a Isabel que já ia passando a Vitória por cima das grades, cheguei junto delas, peguei na mão da Vitória e juntos cortámos mais uma meta.
O recorde fica para a próxima.

Depois da prova alguns momentos de conversa com o Mota e o Andrade.
O almoço esse foi na agradável companhia do Adelino e seu clã (Susana, Daniel e Hugo), ontem reforçado com 2 "bombeiros" de última hora, também dos elementos do grupo de treino do Adelino, tudo pessoal "5 estrelas".
Deixámos a Nazaré já depois das cinco da tarde, choveu durante toda a viagem, a Vitória essa dormiu.
Voltarei a participar em provas no próximo mês de Dezembro, até lá boas corridas para todos.

A Vitória com os "Motinhas".

Classificações da prova.

domingo, 15 de novembro de 2009

Mais uma vez a "Mãe" foi generosa.

Um ano depois de ter obtido na Nazaré o meu melhor registo (1h38'47'') na distância de meia-maratona, este ano terminei com um tempo (1h38'58'') que passa a ser o meu 2º melhor registo na distância.
Tal como há um ano terminei a prova de mão dada com a Vitória.
Mais palavras em breve.

sábado, 14 de novembro de 2009

Já na terra da "Mãe".

Já estamos na bonita e sempre muito agradável terra da "mãe" onde amanhã se realiza a 35ª Meia-Maratona da Nazaré, a mais antiga de todas as provas de meia-maratona que por cá se realizam.
Para mim será a minha 3ª "mãe" depois de há um ano ter aqui obtido o meu melhor registo na distância.
À hora que chegámos, por volta da hora do almoço, fazia-se sentir um sol tímido, durante a tarde o tempo ficou bastante nublado mas ainda não choveu e o vento tem estado ausente.
Mais logo à noite vamos levantar os dorsais para a prova.
A todos que vão participar uma boa manhã de domingo e uma grande prova.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

6ª Maratona do Porto (II - Palavras, "3ª parte").

A minha Maratona do Porto (e, …algumas palavras de “Cemitério de Pianos” de José Luís Peixoto).

-Da meia-maratona à maratona.

Foquei-me depois no próximo ponto de retorno (o 3º, sensivelmente por baixo da ponte do Freixo e já de novo do lado do Porto), com o objectivo de lá chegar mantendo o mesmo ritmo, sabia o quanto era importante não deixar cair nesses quilómetros o ritmo com que tinha vindo até então.
Foram quilómetros extraordinariamente fáceis, fui ultrapassando alguns companheiros, com a Ponte de D. Luís cada vez mais perto e ainda do lado de Gaia foi tempo de beber mais água, a qual tinha recebido do abastecimento aos 25 quilómetros (também o tinha feito aos 20).
Ponte passada, a tal passagem para a outra margem, alguns incentivos, muitos em espanhol, também bastantes em francês, engraçado a diferença entre eles, os de "nuestros hermanos" bastante calorosos, já os dos franceses mais "tranquilos".
Já a caminho do 3º ponto de retorno passou o Mark (grande estreia na distância) que me chamou pelo nome, olhei para ele e retribui o incentivo, vi o quanto ele ia bem e com uma expressão de felicidade estampada no rosto.
Como aconteceu após a passagem à meia-maratona umas dezenas de metros mais à frente seguia o Pena, por vezes a distância entre nós diminuía, por vezes aumentava, ainda antes do ponto de retorno decidi tomar o 2º gel (e beber a água que levava na mão desde o último abastecimento por onde tínhamos passado).
Quase de seguida cheguei ao desejado ponto de retorno (o ritmo continuava dentro do previsto), altura em que me colei ao Pena, trocámos algumas palavras e seguimos juntos.
Foi ainda na companhia do Pena que passei aos 30 quilómetros com 2h30'48'' (ritmo de 5'02''/km), os 48 segundos de diferença em relação ao que tinha previsto inicialmente (2h30') não eram ainda suficientes para me desmoralizar e tentei mais do que nunca que o ritmo não caísse.
Pouco tempo depois e antes da passagem pelo túnel da Ribeira o Pena começou lentamente a distanciar-se de mim, resolvi não forçar e seguir com o objectivo de chegar às 3 horas de corrida com 36 quilómetros corridos (o tal ritmo de 5'00''/km), o que sabia ser já difícil de conseguir como viria a acontecer já que a placa dos 36 quilómetros foi deixada para trás quando já o meu relógio marcava 3 horas e quase 2 minutos de tempo de corrida.
Com uma marca final a rondar as 3h30' quase impossível de conseguir…entrei na fase da corrida em que tudo começou a ficar claro na minha cabeça…

"Eu sou capaz de lançar um grito para dentro de mim, que arranca árvores pelas raízes, que explode veias em todos os corpos, que trespassa o mundo. Eu sou capaz de correr através desse grito, à sua velocidade, contra tudo o que se lança para deter-me, contra tudo o que se levanta no meu caminho, contra mim sempre. Porque a minha vontade me regenera, faz-me nascer, renascer. Porque a minha força é imortal."
José Luís Peixoto in Cemitério de Pianos

Recordo-me agora vagamente de ter visto as placas com os números 37 e 38, de beber água da garrafa que levava na mão, de ultrapassar ainda alguns companheiros, alguns que seguiam a passo, de ser ultrapassado por um trio que seguia com um bom ritmo, de ver ao longe a placa com o "39", de por perto seguir um companheiro fortemente incentivado por um amigo dele que seguia de bicicleta, de querer usar aquelas palavras de incentivo (não há pernas, corre com a cabeça) para mim, mas na minha cabeça eu só ouvia, …corre com o coração, com o coração, com o coração…
Vi-me de mão dada com a Vitória a dar o primeiro dos passos deste caminho, vi-me a correr feito louco à beira-mar naquela praia repleta de pessoas no passado mês de Agosto, vi-me ainda nesse mês de Agosto a sair da piscina e a vestir o equipamento para ir correr, a voltar à piscina para me despedir das minhas meninas, de sentir alguns olhares incrédulos, vi-me ainda a correr à beira-mar em outra praia, a correr nas dunas dessa praia, de sentir o suor escorrer pela face, de ouvir os aplausos e a festa da Vitória quando nesses treinos na praia da Costa eu me cruzava com elas, vi-me nos meus longos a cruzar-me mais que uma vez com o Chaiça, vi-me naquela tarde da "meia" de Portugal a cair na dúvida se algo não estava a ser bem feito, vi-me no dia seguinte em Sesimbra a ter a certeza que estava a ir no caminho certo, visualizei o meu final desejado de mão dada com a minha "menina de ouro", vivi as emoções da antecipação desse momento...
Recordo-me de ter visto a placa com o número 40, o estar tão perto do fim não surtiu em mim o efeito de ganhar, fosse por magia ou algo parecido, um novo alento para aqueles pouco mais de 2 quilómetros finais.
Já em plena Avenida da Boavista, agora no sentido ascendente, sabia o quanto estava perto de terminar mas continuei em "piloto automático".
Cheguei à desejada placa com o "42" e continuei como até então…

"E há paz no caos dos meus movimentos, pernas e braços sem equilíbrio, soltos, perdidos, desesperados. E há silêncio no rugido que me envolve, grave, constante, ensurdecedor. Há silêncio nas vozes, nas palmas (...) já não tenho dúvidas. Sou forte e sereno e imortal. Já não tenho dúvidas."
José Luís Peixoto in Cemitério de Pianos


Última curva, meta à vista, procurei com o olhar as "minhas meninas", virei-me para trás, quase que parei, vi a Isabel que me fazia gestos para avançar, olhei de novo em frente, continuei sem ver a Vitória, percebi então que provavelmente já tinha voltado para o hotel com os tios e com a prima, passei a linha de chegada, …sem o brilho da Vitória mas feliz, muito feliz, imensamente feliz.
Logo de seguida uma jovem colocou-me uma medalha ao peito e deu-me os parabéns.
Logo depois o reencontro com o Ricardo, que tinha ficado à espera que eu terminasse, também com outros companheiros que também já tinham terminado (Magro, Andrade, Meixedo, Paiva), pouco depois também com o Brito (que terminou pouco depois).
Voltei depois para junto da Isabel, beijei-a e ofereci-lhe uma rosa que trazia na mão, prémio pequeno para quem tanto contribuiu para um "caminho" com final feliz.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

6ª Maratona do Porto (II - Palavras, "2ª parte").

A minha Maratona do Porto (e,…algumas palavras de "Cemitério de Pianos" de José Luís Peixoto).

- Da partida à meia-maratona.

Cidade do Porto, Domingo, 8 de Novembro de 2009, 9 horas da manhã…
Parti para a minha 3ª maratona na companhia de muitos amigos com quem fui travando conhecimento aqui na blogosfera, um ano depois da minha estreia na mítica distância da maratona parti também sem sentir a ansiedade de há um ano, essa foi a grande diferença que senti neste meu regresso à Invicta.
Momentos antes quando me tinha despedido das minhas meninas tinha dito à Isabel que por volta das 12h30 estaria na linha de chegada.
Logo na subida inicial o Paiva e o Meixedo começaram a distanciarem-se, dos amigos da hora da partida continuei a ter, por perto, apenas a companhia do Ricardo.
Primeiro quilómetro em pouco mais de 5 minutos e já na Avenida da Boavista foi altura do Ricardo começar também ele a distanciar-se, pouco tempo depois vi passar o Rui Pena a tentar colar no Ricardo.
Ainda com menos de 2 quilómetros de prova, apesar de muita gente por perto, eu corria já sozinho o que aconteceria durante quase toda a prova, algo que não deixa de me ser bem familiar desde há muitos anos, quer em provas mas sobretudo em treinos…

“…quando ia treinar passava pelas ruas a correr e ninguém podia imaginar o mundo de palavras que levava comigo. Correr é estar absolutamente sozinho. Sei desde o início: na solidão é-me impossível fugir de mim próprio. Logo após as primeiras passadas, levantam-se muros negros à minha volta. Inofensivo o mundo afasta-se. Enquanto corro, fico parado dentro de mim e espero. Fico finalmente à minha mercê. No início, tinha treze anos e corria porque encontrava o silêncio de uma paz que julgava não me pertencer. Não sabia ainda que era apenas o reflexo da minha própria paz. Depois, quando a vida se complicou, era tarde demais para conseguir parar. Correr fazia parte de mim como o meu nome…”
José Luís Peixoto in Cemitério de Pianos

À passagem do 2º quilómetro verifiquei que estava já num ritmo inferior aos 5 minutos por quilómetro, sentia-me solto e leve, a chuva que tinha começado a cair quase em simultâneo com a partida da prova ia-me sabendo muito bem.
Por perto continuavam muitas pessoas, muitas das quais com dorsais com números o que queria dizer que na maioria eram participantes da prova convívio (family race), os participantes da maratona tinham dorsais com os próprios nomes, concentrei-me no meu andamento e no prazer imenso que estava a saber-me correr depois de nos dias anteriores à prova o ter feito tão poucas vezes e por tão pouco tempo, quase sem dar por isso cheguei à zona de chegada mas ainda com muitos quilómetros para correr até voltar de novo ali.
Na descida em relação à rotunda aproveitei para beber a primeira água que tinha recebido do abastecimento pouco tempo antes, rotunda feita e foi altura de começar a ver passar os atletas que já voltavam do 1º ponto de retorno, vi passar alguns amigos da hora de partida, Paiva e Meixedo que seguiam juntos, já perto do ponto de retorno, Magro, Ricardo, incentivos mútuos.
Após fazer o retorno continuei a ver alguns amigos, não estou certo da ordem mas não deve estar longe do real, Pena, Brito, pouco depois o meu cunhado Vitor que participou na "family race", Adelino, também o meu companheiro de grande parte da minha 1ª maratona, o José Alberto Bastos.
Ainda antes de passar de novo pela rotunda o meu cunhado Vítor apanhou-me e seguimos juntos até ao ponto de separação das duas provas (maratona e family race), conversámos durante quase todo o tempo que seguimos juntos, disse-lhe que achava que ia rápido mas que ia continuar, pedi-lhe para dizer à Isabel que aos 10 quilómetros estava tudo a correr como previsto, 10 quilómetros onde passámos com pouco mais de 48 minutos de tempo de corrida, pouco depois o último incentivo por parte do Vítor (no ponto de retorno da family race) e eis que de novo fiquei sem companhia.
Sabia que a partir daquele ponto (após a separação das duas corridas) ia haver muito menos gente a correr, fui vendo que também eram poucos os que assistiam à passagem da corrida e sentindo alguma indiferença por parte de alguns ocasionais transeuntes.
Continuei a correr enquanto ia olhando para o meu lado direito, visualizei um quadro maravilhoso em tons de um cinzento azulado sobre o qual imergiam a serenidade das folhas das árvores e a rebelião das ondas e, enquanto o fazia nos meus ouvidos ia ecoando o ritmo certo dos passos de corrida.
Cheguei aos 15 quilómetros a manter um ritmo ligeiramente inferior a 5 minutos por quilómetro, altura em que bebi água e tomei o 1º gel (aos 10 quilómetros tinha bebido apenas água).
Pouco depois a passagem pelo túnel da Ribeira e quase de seguida a passagem para Gaia através do tabuleiro inferior da Ponte de D. Luís, foi nessa zona de passagem que estava a maior concentração de pessoas a assistirem, os incentivos maiores esses eram ouvidos em…espanhol, eu chegava a "território" ainda há bem pouco tempo explorado (entenda-se corrido), a recente meia-maratona da SportZone (prova em que participei) foi toda ela corrida num percurso que está todo ele incluído no percurso da maratona.
Na ida até ao 2º ponto de retorno localizado na zona da Afurada deu para ver passar muitos dos participantes que já estavam de regresso, um forte incentivo ao Mota (já repararam como ele agradece com o olhar), também ao Capela que seguia já com alguma distância em relação ao Mota, percebi ali que o Mota, como eu tantas vezes lhe disse, "voava" no regresso à Invicta e à prova em que se consagrou maratonista em 2008.
Eu continuei a correr e a sentir-me muito bem e com a certeza que ia chegar à meia-maratona com o tempo que eu tinha previsto ou muito perto disso (o que se confirmaria uma vez que a completei em 1h45'52'', ritmo de 5'01''/km), de novo os incentivos aos amigos da blogosfera e aos outros (os que já estavam de volta e depois aos que ainda iam).
(continua)