Amigos das Palavras

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quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

24ª Maratona de Lisboa (II - Palavras, "2ª parte").

A minha Maratona de Lisboa 2009:

Tal como há um ano não cheguei muito cedo à zona de partida, tal como há um ano tive de novo a companhia da Isabel, desta vez também a do Vítor que correu a meia-maratona.
Não chegámos cedo mas ainda assim deu para estacionar com relativa facilidade, beber um café e ainda antes da partida rever alguns amigos (daqui da blogosfera apenas o Mário Lima e o Fábio Pio Dias).

Quase de imediato foi tempo de me dirigir para a pista de atletismo onde se deu a partida da prova não que sem antes não fosse feito um minuto de silêncio em memória de Jorge Lopes, a voz das grandes vitórias portuguesas no atletismo, um apaixonado e profundo conhecedor do atletismo, minuto de silêncio a que se seguiu uma salva de palmas.
Fiz um primeiro quilómetro algo lento mas completei o segundo já num ritmo inferior aos 5'/km e já dentro do objectivo que previamente tinha traçado, nos quilómetros iniciais fui tentando não entrar em "loucuras" o que terei conseguido pois às passagens aos 5 e aos 10 quilómetros passei mais rápido que no Porto mas só ligeiramente.
Já após os primeiros 10 quilómetros comecei a vislumbrar o marcador de ritmo das 3h30', na altura pensei que seria um bom "farol" para chegar a bom porto.
Mesmo sem forçar acabei por me "colar" a esse pelotão que seguia a "bandeirinha" das 3h30' e segui-a também eu durante algum tempo, pelo meio passámos por mais um abastecimento e completámos os primeiros 15 kms da prova, ponto em que passei igualmente mais rápido que no Porto.
Pouco depois comecei a acreditar que podia baixar das 3h30', sentia-me extraordinariamente bem, decidi pois avançar a "solo" e adiantei-me ao numeroso pelotão das 3h30' (grande erro ou talvez não, penso que agi bem e se fosse hoje voltaria a proceder do mesmo modo).
À medida que os quilómetros se sucediam a confiança aumentava, sabia das dificuldades reservadas para a parte final da prova e por isso mesmo tentei gerir o esforço de modo a chegar esse ponto crucial da prova com alguns minutos a meu favor e por outro lado ainda com energia suficiente para esses quilómetros finais.
Ainda antes da passagem à meia-maratona ia "sonhando" com um tempo inferior às 3h30', parecia-me perfeitamente ao meu alcance, quase fácil.
Completei a "meia" num tempo que bateu (mais uma vez) o da maratona do Porto, em plena Rua do Ouro vi a Isabel que me tirou uma foto, de sorriso estampado no rosto passei por ela e comentei que ia rápido mas que me ia a sentir muito bem.
Seguiu-se a ida até ao ponto de retorno (junto ao Museu da Electricidade, antiga Central Tejo), parte do percurso que se revelou bastante complicada devido ao forte vento que se fazia sentir, parte do percurso em que me cruzei com muitos participantes que já voltavam desse ponto de retorno, muitos participantes da meia-maratona e também alguns maratonistas, daqui da blogosfera o 1º a passar foi o Capela (a participar na meia), pouco depois o Mota (na altura pareceu-me bem), também os companheiros da hora de partida (Vítor Veloso e Mário Lima), os incentivos esses iam sendo mútuos.
Nessa parte do percurso encontrei o António Bento que de bicicleta ia apoiando os participantes, enquanto continuei a correr o António seguiu algum tempo ao meu lado e trocámos algumas palavras (foi bom ver-te por ali companheiro).
Já depois de eu ter passado pelo ponto de retorno vi em sentido contrário ao meu o marcador das 3h30' ainda a ser seguido por muitos participantes, entre eles vislumbrei o Andrade e trocámos um aceno.
Pensei que após esse ponto de retorno ia ter o vento a ajudar mas nem sempre a ajuda foi tão forte como eu pensara, eu continuei a correr e ia vendo os participantes que iam em sentido contrário, vi passar a grande Analice, também o Magro, tentei ver o Joaquim Adelino, não o tinha visto antes da partida mas sabia que ele estava presente, por fim nas imediações do viaduto de Alcântara cruzei-me com ele e transmiti-lhe um forte incentivo.
Aos 25 kms e aos 30 kms passei com tempos inferiores aos do Porto e cheguei aos 36 kms ainda o meu relógio não marcava as 3 horas de corrida (no Porto passei com 3h02'), continuei a pensar que as 3h30' estavam ao alcance e na pior das hipóteses era já um dado adquirido que ia fazer melhor que no Porto.
Sabia que se seguia uma fase crucial numa prova como a maratona, também uma parte do percurso com dificuldades acrescidas, nessa fase ainda que sentisse e verificasse que os quilómetros se sucediam a um ritmo já superior aos 5'/km nunca quebrei verdadeiramente, ainda foi dando para continuar a ultrapassar muitos dos participantes, alguns dos quais seguiam a passo, cheguei à placa 38, altura em que comecei a achar que não ia bater as 3h30', aos 40 já tinha essa certeza, mesmo assim continuei a correr sem dificuldades de maior para além daquelas que resultavam dos quilómetros que já tinha corrido.
Foi precisamente à passagem pela placa 40 que o marcador de ritmo das 3h30' me alcançou, apenas 2 ou 3 eram aqueles que ainda o seguiam (entre eles 1 senhora que penso terá sido a 1ª do seu escalão), o atleta que seguia com a "bandeirinha" por essa altura tentou que os que estavam por perto ainda o seguissem dizendo que faltavam apenas 2 quilómetros, eu bem tentei mas à medida que continuava a correr ia vendo a "bandeirinha" cada vez mais longe.
Nessa fase da corrida passei pelo José Lopes (que estava a participar na "meia"), foi ele que me viu e chamou, virei-me e retribui o cumprimento de mais este companheiro da blogosfera.
A última descida da prova foi feita já a olhar para o "bónus" final, uma última subida que nos levaria até bem perto da chegada, a deslocação dos atletas que já iam fazendo essa subida denotava bem as dificuldades da mesma e do esforço despendido nas anteriores.
Também eu realizei essa última subida mais lento do que aquilo que desejava mas sempre num passo de corrida que considero ter sido razoável.
Subida feita, escassas dezenas de metros em linha recta e a entrada no estádio, as palavras de incentivo do José Alberto (que já tinha terminado mais uma "meia", mais uma das mais de 60 que já correu), já em plena pista de atletismo senti uma emoção muito grande, fechei os olhos e pensei na minha "menina de ouro", ouvi os incentivos da Susan dirigidos do exterior da vedação, senti-me ainda com a força suficiente para me colocar numa pista mais exterior e passar alguns dos participantes (muitos da "meia"), já na recta da meta vi a Isabel e o Vítor, cheguei perto deles, braços no ar, dedos das mãos desenhando o "V", a Isabel a tirar-me fotos, os dois a gritarem-me incentivos, vi o relógio cada vez mais perto, horas e minutos parados, 3h33', os segundos a correrem rápidos, passei a linha de chegada, feliz apesar de me ter faltado o brilho da Vitória, o meu tempo final foi 3h33'24'' (ritmo de 5'03''/km) tendo-me classificado no lugar 320 da geral e em 53º lugar no meu escalão, M4545, escalão em que terminaram 187 atletas.

Depois foi o saborear a conquista, o reencontro com a Isabel, com o Vítor, com outros companheiros daqui da blogosfera, com o Mota que há muito já tinha terminado, aplaudir ainda os que iam chegando (Nuno, Andrade, Magro, Adelino,…), com familiares destes (um prazer enorme conhecer parte da família do meu companheiro da minha 1ª maratona), dar os parabéns à Susan que fazia anos, dar um abraço ao meu pequeno grande amigo Luís Carlos, partilhar as broas que a Isabel tinha comprado na baixa, o dizer até um dia destes numa corrida por aí, voltar feliz a casa.

Como diz o Adelino, há sempre uma história para contar, esta foi a história da minha Maratona de Lisboa 2009.

5 comentários:

Fernando Andrade. disse...

Grande António. Um relato real desta Maratona de Lisboa em que esteve excelente.
Parabéns.
Grande abraço.-
FA

Corrida e Patuscada disse...

E que história António.
Foi uma bonita corrida e feita com muita sabedoria e bastante capacidade física. Os maratonistas são assim, a experiência vai acumulando e permite que durante a corrida a gestão seja feita consoante as dificuldades vão aparecendo. Parabéns por isso e pela excelente marca alcançada. Brevemente surgirá outra oportunidade e esse, como todos os recordes, será batido.
Obrigado por aquele incentivo ali em Alcântara, estava a precisar, pois era ali que o vento estava mais forte, mas a vontade move montanhas e lá seguimos.
Boa recuperação para Sevilha.
Abraço.

MPaiva disse...

António,

Apenas um mês depois da Maratona do Porto, numa prova com um percurso que me transmitiram ser muito difícil e num dia pouco favorável a boas performances, o teu resultado é fantástico.
Acredito que a preparação que tens feitos nos últimos tempos, com uma grande carga de treinos longos trouxe excelente frutos que agora estás a colher.

Muitos parabéns!

abraço
MPaiva

Vitor Veloso disse...

Olá Antonio!!
Parabéns por mais uma Maratona bem concebida, o trabalho árduo durante meses com tardes e manhas longe da família agora e altura de recolher os prémios merecidos, continua vais num caminho certo.
Agora venham mais Maratonas, deve de ser isso que andas a pensar.
Grande abraço

Mário Lima disse...

Olá António

Tal como o Adelino também tinhas a tua história para contar e contaste-a com pormenores excelentes, fruto de muitos km nas pernas que fazem com que o discernimento não se perca.

Como sabia que irias escrever este último tema dedicado à tua Maratona, deixei também para este os agradecimentos a quem tu conheces muito bem, a Isabel, tua esposa.

De uma simpatia extrema (tal como tu), esteve sempre a apoiar-nos tanto aos que faziam a Maratona como a nós da meia.

Os meus agradecimentos pelos castelares que nos ofertou no fim da prova, que sabem sempre bem depois do esforço dispendido. Quando não se tem ainda ritmo uma meia-maratona é quase uma maratona!!!

:)

Um abraço duplo para vocês, um beijinho para a Vitória e até Domingo!