Amigos das Palavras

Por decisão do autor deste blogue os textos do próprio não seguem o acordo ortográfico de 1990.



quarta-feira, 10 de março de 2010

Trilhos do Almourol (II-Palavras "Continuação").

Durante as quase 5 horas que duraram os meus Trilhos do Almourol terei conseguido reter não mais que uma ínfima parte de imagens e sensações, ainda assim vou tentar partilhar parte do que retive, são quase não mais que "flashes"…

A partida em Aldeia do Mato bem na cauda do pelotão, a Isabel e o meu cunhado que nos tiram fotos, a 1ª descida feita ainda em alcatrão, os primeiros trilhos, também a primeira subida, os primeiros metros a caminhar, muito pessoal por perto, "apanhar" o Mário ainda nos quilómetros iniciais, seguir algum tempo junto dele, a vista deslumbrante sobre o rio Zêzere e a albufeira de Castelo do Bode, muito verde, muita água, as fotos que ia tirando, o Brito na descida para a barragem, pouco depois a Otília, rostos felizes, a correrem, a incentivarem-nos, do nosso lado direito aquele espelho de água, do lado esquerdo aquele vale profundo, o parar, o debruçar, o olhar para aquele fluxo de água que bem lá em baixo ia jorrando, continuar a correr, a pose a dois para a foto, o 1º abastecimento pouco depois, a descida até à zona de descarga da muita água que continuava a jorrar, o olhar de outro ângulo, ver o Kabeça por perto, continuar junto ao Mário que me ia dizendo ao avistar a Analice que ou nós íamos muito bem ou ela muito mal, continuar junto a um grupinho 5 estrelas, Mário, Kabeça, Analice, outros companheiros, as indicações da Analice, palavras de quem sabe, palavras joviais…
O estradão em terra batida que se seguiu, continuar em grupo em amena cavaqueira, seguir em frente quando devíamos ter cortado à direita, a fita estava lá , começar a distanciar-me dos meus companheiros dos últimos quilómetros, ser "apanhado" pelo José Carlos Fernandes (tal como em Sevilha), comentar esse facto, a "pintas" por perto, continuar depois junto deles, quilómetros fáceis, a espectacular transposição do rio através da ponte que a EPE (Escola Prática de Engenharia) tinha montado, a longa subida, o José Carlos a distanciar-se, olhar para trás, saborear mais uma vista magnífica, ver o Kabeça que vinha um pouco mais abaixo, olhar de novo para cima, tentar seguir na cola do José Carlos, alguns quilómetros sem ninguém por muito perto, uma maravilhosa sensação de liberdade, o tomar mais atenção às fitas para não me perder, as palavras de incentivo ainda antes de chegar ao 2º abastecimento, parar por breves instantes, recomeçar a correr, de novo por perto do José Carlos, mais quilómetros relativamente fáceis, avistar Constância, palavras na lembrança, onde os rios Zêzere e Tejo se abraçam, a foto que tirei da vila-poema, a lembrança de alguém muito especial no meu pensamento, trocar palavras com o companheiro que por essa altura corria junto a mim e que foi companhia a espaços em grande número de quilómetros (passou-me na fase final da prova na companhia de outro companheiro que me reconheceu pelo blog, abraço aos dois), o Castelo de Almourol, a paragem forçada, os sentidos a isso obrigaram, saborear aquela imagem quase surreal, tirar a foto prometida, mais quilómetros a "solo", passar junto ao moinho numa altura em que seguia de novo muito perto do José Carlos, trocar algumas palavras com ele, apanhar o "abutre" Vitorino Coragem (companheiro da viagem a Sevilha) na zona de mais um abastecimento, parar para trincar alguma coisa, recomeçar a correr, passar o túnel, brevíssima passagem pelo alcatrão, alguns metros planos com a linha férrea do lado esquerdo, a espectacular e longa subida ainda que não muito íngreme, Tancos a ficar para trás, mais quilómetros na cola do José Carlos, estradões quase submersos, pés completamente encharcados, quase sem dar por isso chegar ao último abastecimento, a Otília de sorriso estampado no rosto, mais uns minutos de paragem, continuar depois ainda na cola do José Carlos que me ia tomando algum avanço, completar 28 quilómetros de prova, forças renovadas ao pensar nos apenas 10 quilómetros para o fim, a descida bem larga ladeada de árvores, o tropeçar em algo, sentir-me no ar e logo depois aterrar no chão, ficar por instantes sem me mexer, sentar-me, tentar perceber os "estragos", pôr-me de pé ainda atordoado, companheiros que não paravam de passar, a ajuda de dois que pararam e que perguntaram se foi queda (obrigado companheiros pela ajuda), seguir depois a passo, sentir que tinha ali terminado a prova para mim, os joelhos que não paravam de sangrar, os muitos companheiros que continuavam a passar, recomeçar a correr, muita lama, muita água, subidas que mesmo a passo começaram a custar, os últimos quilómetros, quase sem ninguém por perto, a Analice que num ápice passa por mim e desaparece da minha vista, entrar no Parque do Bonito, entrar dentro do rio, sentir a água fresca, dobrar-me para a frente, ficar assim, continuar a passo, as recordações da tarde do dia de sábado, ensaiar uns passos de corrida, continuar a trote, a Susana que me apanha nessa altura, mais palavras, ainda alguns metros na sua cola pelo trilho dos pescadores, chegar ao trilho dos gatos, a Susana que embalou por ali a cima, vozes que já se ouvem bem perto, deixar por fim os trilhos quase 5 horas depois da partida, as passadeiras que esperavam os atletas, primeiro vermelha, depois amarela, avistar a Isabel que estava na companhia da Iolanda e da Paula Fonseca, o olhar da Isabel quase de pena pelo meu estado, sorrisos, pouco depois sentir a pequena mão da Vitória agarrando a minha própria mão, a meta conquistada, a dois, meta especial a coroar uma manhã especial, são dias como estes que vão também "moldando" a pessoa que hoje sou.

Eu e o Mário Lima na zona da Barragem de Castelo de Bode
(foto de Pedro Mestre, AMMA):O grupinho 5 estrelas (foto de Jorge Santos):Numa fase dos trilhos a "solo" (foto de José Brito):Numa fase por perto do José Carlos (foto de Jorge Santos):Metros finais dos meus primeros trilhos (foto de Paula Fonseca):

Palavras finais de agradecimento:
A todos os que estiveram envolvidos na organização da prova;
À Otília e ao Brito, pela quota-parte da responsabilidade que tiveram na organização e pela simpatia e preocupação com o nosso bem-estar;
À minha irmã Ana Maria e ao meu cunhado Manuel António, pela companhia durante o fim-de-semana e pela "seca" de terem esperado quase 5 horas pela minha chegada;
À Iolanda e Paula Fonseca pelos incentivos na zona de chegada, pela simpatia e pela companhia que fizeram à Isabel e à Vitória;
A todos os companheiros de jornada, em especial aqueles com quem mais convivi;
Por fim, à Isabel e à Vitória, como sempre por existirem e darem sentido à minha vida.

A todos até um dia destes numa estrada ou num trilho por aí, aquele abraço.

Muitas fotos dos Trilhos do Almourol aqui.

14 comentários:

Ricardo Baptista disse...

Olá António,
Excelente relato, eu ia mesmo adorar essa prova.
Um abraço.

JOSÉ LOPES disse...

Olá António

Ao ler o seu excelente texto fico com a sensação de ter participado.

O ambiente campestre, os cheiros, as subidas, as descidas,a queda, os amigos, a família, todos os ingredientes para uma manhã inesquecível.
As melhoras das mazelas da queda

com os cumps
J.Lopes

Duarte Gregório disse...

Boas
nunca fiz nenhum trail mas depois de ler estou quase tentado a experimentar um
parabens pela prova
abraço

BritoRunner disse...

Excelente relato António e que bela memória.
Pena aquela queda e teria sido uma prova perfeita.

Boa recuperação
JCBrito

Anónimo disse...

Excelente relato dessa bonita prova em que participamos. Sinto as suas palavras como se fosse eu a escrever esse relato.
Já agora, sou o companheiro que o reconheceu pelo blog ja nos kms finais.

Um abraço.
Antonio Ferreira
http://atleta1979.blogspot.com

joaquim adelino disse...

Amigo António, o importante foi não ter ficado com mazelas da queda, quando o vi fiquei preocupado, mas pelos vistos a coisa foi leve, de qualquer modo desmoraliza, já não bastava a dureza da prova.
Eu ia um pouco mais atrás, do seu relato pouco me recordo mas que também passei por lá isso passei, talvez por isso tivesse evitado o trambulhão, (e ouve tantos a cair) é que não podia tirar os olhos do chão, senão estava sugeito.
Esta prova não sendo o limite da resistência (estivemos perto, pelo menos eu) já permite termos uma visão mais abrangente das capacidades que estão ao nosso alcance em termos físicos e mentais, serviu também para afastar alguns fantasmas sobre dúvidas que eventualmente póssamos ter sobre nós próprios e as nossas capacidades.
Direi apenas, com modéstia à parte, que todos foram uns heróis em terem participado e concluído uma "coisa" lindíssima e dura como aquela.
Abraço.

Anónimo disse...

Amigo
que grande pedalada cronistica, o ritmo de leitura transporta-nos novamente para o cenário . excelente!
abraço e não arranques as crostas ;) ... elas são o nosso norte!
ab - tartaruga

Susana disse...

Olá António, foi sem dúvida uma experiência maravilhosa! Apesar das dores sentidas nos dias que se seguiram.
Ao ler o seu relato, estava a visualisar exactamente tudo, podera! Imagens que com certeza ficarão na memória. Hei-de repetir!
Muitos Parabéns!
Beijinhos para si e as suas meninas

Vitor Veloso disse...

Olá António,
Apesar daquela queda foi uma prova exemplar, meus parabéns.
Que bom post na descrição da prova lindíssima que ficara na memoria de todos.
Agora venham mais!!!
Grande abraço
Vítor Veloso

Mário Lima disse...

António

Um relato num fôlego de uma aventura de alegrias («Agarra-te ao pau» dizia eu à Analice e ela virava-se para trás e repetia cheia de graça no seu sotaque brasileiro, quando íamos por baixo, por cima, pela lama escorregadia ao lado do Zêzere, após a barragem) e dolorosas, com a tua queda, os joelhos sangrando e os óculos semi-partidos.

O teu relato, quase de segundo a segundo de horas passadas, o ver aquele Castelo maravilhoso que te fez parar e admirar tão belo panorama. Os conhecidos que contigo iam, ou estar a sós com a Natureza.

O avistar da Isabel e o cortar a Meta com a Vitória, foi o culminar de uma aventura que por ser muito dura e vivida ficará sempre gravada na nossa memória.

Talvez para o ano haja mais, mas se calhar o tempo estará diferente e o terreno também, mas esta ficará para o sempre através das tuas palavras, minhas e de todos aqueles que se aventuraram nos trilhos de Almourol.


Parabéns, obrigado à Isabel pelo apoio e carinho, à tua irmã e cunhado que connosco partilharam, por fora, esta aventura.

Até domingo!

Nadais disse...

caro antónio,

recebi vossa encomenda.

fiquei muito contente com o material.

envio-te presente de corridas aqui do brasil.

espero que gostes como gostei de vossa lembrança.

bons treinos.

valeu!

nadais

Anónimo disse...

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Anónimo disse...

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Anónimo disse...

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