Amigos das Palavras

Por decisão do autor deste blogue os textos do próprio não seguem o acordo ortográfico de 1990.



quinta-feira, 27 de maio de 2010

III Ultra Trail Geira (continuação).

Do Museu da Geira até Caldelas:

Nos quilómetros que se seguiram corri por perto de um dos participantes que tínhamos apanhado na zona do abastecimento, fui aumentando um pouco o ritmo e com isso fui-me adiantando a esse companheiro dos últimos quilómetros e de um outro que entretanto tínhamos passado, com o aumento de ritmo passei a ter no meu campo de visão um grupo que incluía alguns atletas das "Lebres do Sado" e em que no seu rasto fui levado à minha segunda saída da rota certa, já no rumo certo seguiu-se o desafio de vencer os 7 metros a pique da Quebrada, ainda mal refeito dessa subida seguiu-se uma fase a descer mas nada fácil, como descer não é de todo o que mais gosto aproveitei então para recuperar, pouco depois e já num passo de corrida razoável cheguei a mais um ponto de abastecimento onde reencontrei a Júlia e outros companheiros que tinha deixado uns quilómetros antes mas que com a minha última saída (a 2ª) da rota certa me tinham de novo passado.
Após uma breve paragem para os procedimentos habituais lá segui, de novo sem companhia…
Nessa altura e já com mais de metade dos quilómetros da prova percorridos, como previamente tinha combinado com a Isabel foi tempo de falar com ela ao telemóvel, de lhe transmitir a minha estimativa final de tempo, o qual acreditava na altura não exceder as 6h30, acabei por me enganar e em muito.
Pouco depois foi o Veloso que me ligou também para o telemóvel, de saber que tudo estava a correr bem com ele, de falarmos do sucedido ao Joaquim.

Na fase seguinte da prova viria a apanhar de novo a Júlia e também a Carla (a atleta que seria 9ª classificada) que também ela com o meu segundo engano tinha-me igualmente passado, mais tarde a Júlia ganhou-nos algum avanço, segui nessa fase apenas com a companhia da Carla que me seguiu ainda durante algum tempo mas que aos poucos foi ficando para trás, nessa fase passei alguns atletas, entre os quais alguns já com evidentes dificuldades vindo depois a "encostar" a 5 atletas que corriam em grupo e segui com eles, corremos quase sempre só fazendo breves trechos a caminhar quando o terreno se apresentava mais agreste, numa das vezes em que após uns metros a caminhar o atleta que ia na frente recomeçou a correr, um dos elementos de trás incentivou-me mesmo a apanhar a boleia o que eu fiz, pouco depois apanhámos e passámos a Júlia que ainda assim continuou sem descolar muito e que me viria a apanhar de novo quando eu, perdidos que tinha 4 dos meus 5 anteriores companheiros dos últimos quilómetros aproveitava junto com o 5 º elemento um dos muitos riachos por onde passámos para nos refrescarmos.
Com essa paragem acabaria por seguir sozinho até São Sebastião da Geira, onde estava montado mais um ponto de abastecimento, este até com direito a música (embora sinceramente não fizesse o meu género musical), local onde me impus fazer a maior das paragens durante a prova (cerca de 10 minutos), aproveitando para comer umas sandes de fiambre, uns biscoitos, banana e beber mais uns copos de coca-cola.
Ainda nesse local falei mais uma vez com a Isabel por telemóvel.

Entre esse abastecimento e o que se seguiria corri sempre sozinho, o que aliás sucedeu na maior parte dos quilómetros da minha Geira, durante essa travessia entre abastecimentos fui apanhado e rapidamente ultrapassado pela grande Analice, foi na fase em que corremos num estradão, eu já com dificuldade em manter um passo de corrida decente e ela com aquele passinho que parecia que os pés mal tocavam no solo.
Cheguei pois sem companhia ao penúltimo abastecimento e durante o tempo que lá estive só chegaram dois atletas (que já os tinha visto no abastecimento anterior) e que por lá ficaram.

Pouco depois de sair da zona de abastecimento apanhei um atleta que seguia com enormes dificuldades, seguimos juntos enquanto íamos caminhando e falando, emprestei-lhe o meu telemóvel para ele ligar para a namorada que estava em Caldelas à espera que ele chegasse, pelo meio apanhámos a muito falada subida dos 10 %, fizemos a mesma a passo, depois ainda o reboquei até ao último dos abastecimentos tendo ele por lá ficado.

Após a saída do último abastecimento subiu-se bastante mas apesar de tudo sem dificuldades de maior, depois seguiram-se algumas centenas de metros de corrida lá por cima com uma vista fabulosa, nessa fase passei um atleta que seguia a passo e passei a ter a Júlia no meu campo de visão mas por pouco tempo pois assim que ela apanhou uma descida nunca mais a vi, pouco depois cheguei eu a essa descida, a qual tinha muita pedra solta e que me custou bastante a fazer pois sempre que tentava correr sentia dores nas unhas dos pés, motivo porque tive que fazer essa descida quase sempre a passo.
Seguiu-se a fase final da prova, a dois quilómetros da meta a agradável surpresa de por lá ver o Joaquim Adelino que ia fazendo de "aguadeiro" aos que passavam, ele seguiu comigo até ao cimo da subida que eu vinha fazendo, falámos, enchi a minha garrafa de água e segui depois a correr.
Pouco depois comecei a ouvir música ao longe a qual à medida que ia correndo ia ficando cada vez mais nítida nos meus ouvidos, quase de imediato apercebi-me que estava em Caldelas pois vi a Dina que estava a filmar, logo depois a Iolanda, parei para falar com ela, soube ali que o Tigre tinha tido complicações mas que continuava em prova, avisaram-me dos degraus que teria que descer poderem estar escorregadios, desci os mesmos a passo, entrei na rua principal de Caldelas, ouvi os aplausos das pessoas que por lá estavam, o incentivo do Brito do outro lado do passeio, escassos metros volvidos e entrei no recinto na piscina onde estava instalada a meta, logo ali uma grande sensação de conquista.
Já no interior no recinto e enquanto continuei a correr vi a Isabel e a Vitória.
Cheguei junto delas e enquanto olhava para a Isabel que ia sorrindo dei à mão à Vitória, senti-a a puxar-me em direcção à meta, corremos os dois quais duas crianças felizes, pouco depois terminava a minha Geira.

Antes de terminar este longo post endereço os meus parabéns a todos os que partiram de Lobios, envio aquele abraço aos companheiros da blogosfera que por lá estiveram e agradeço à família Veloso (o meu cunhado Vitor, a minha afilhada Ruth e a minha sobrinha Carolina) pela companhia e pela partilha durante o fim-de-semana.
Termino com palavras para as duas pessoas sem as quais nada faria sentido, a minha esposa Isabel e a nossa filha Vitória, obrigado por existirem e iluminarem os meus dias, amo-vos muito.

Eu já na fase final da Geira
(Foto de Joaquim Adelino)

8 comentários:

Fábio Pio Dias disse...

Parabéns "Great" António,

Fez uma prova de elevada exigência e esforço, superada com relativa facilidade,onde o importante acima de tudo era acabar e este objectivo foi alcançado com bastante mérito.

Um forte abraço e um beijinho à Isabel e a linda bailarina.

Um excelente fim de semana!

joaquim adelino disse...

A emoção comanda a vida António e eu em determinadas situações já me custa resistir a elas, a emoção que tive naquele local em receber o meu genro, foi a mesma quando o vi la chegar também, agora ao ler esta bonita história com um final tão feliz volto a não resistir!!
Mas antes assim, isto alimenta-nos a mente e o coração, espero que continue sempre nessa senda vitoriosa acompanhado por quem ama e por aqueles que fazem questão de serem seus amigos.
Abraços.

António Ferreira disse...

Parabéns António.
Sem dúvida uma excelente prova, com um também excelente resumo do que por lá passaste.
Continua assim e que venham mais.

Um abraço...

Vitor Veloso disse...

DUR
Acabaste de fazer um bonito resumo da prestação vivida na Geira. Mais uma Ultra para juntar ao longo currículo acumulado, Parabéns.
Foi um fim de semana vivido intensamente, como já passamos e aqueles que no futuro se realizaram.
Família Veloso têm e terá sempre o prazer de partilhar convosco alegria de viver.
Abraço e Bjs para meninas
Vítor, Ruth e Carolina

luis mota disse...

Olá António!
Aproveito para te felicitar pelo desafio alcançado.
Não terá sido nada fácil. Já fiz distâncias mais curtas e sei o que passei.
Admiro-te pelo feito conseguido que foi premiado com esse sublime final, com a família e os amigos à tua espera. Depois aquele segurar na mão da Vitória e sentir a força da delicada mão que te puxou para cortar a meta é algo que enche o coração do pai que sente o carinho da filha.
Muito bom, muito bom mesmo António.
Cumprimentos da família Mota

José Xavier disse...

Grande António Almeida;

Parabéns pela aventura desportiva. Isto não é uma prova, é uma prova especial de persitência e de desafio à resistência.

Impressionante o filme descrito aqui no pormenor. Retornar todos estes pormenores, para este texto é fascinante.

Gostei da ponta final....lindo!!

Um abraco amigo, e boa recuperacão, porque a próxima é já ali.

dos Xavier's

Mário Lima disse...

Olá António

Como disse no comentário anterior e pela tua descrição de tantos pormenores fiz dos teus os meus passos.

Já sei onde tudo aconteceu. Pelas fotos do Nuno e pelo teu relato a partir do Museu (a seguir perdeste-te onde eu também me perdi), fui-me vendo a virar no local exacto da minha queda e melhor sítio não podia ter para cair que o nome da zona, Quebrada. Quebrei na Quebrada.

:)

Não vi a tal subida (pelas fotos pareceu ser bastante íngreme) e segui em frente.

Um relato minucioso da tua parte, as peripécias, os encontros e desencontros. A Analice que se perdeu mas que rapidamente encontrou o caminho certo, o encontro com o Adelino e Susana a servirem de "aguadeiros" e a apoteose final com a Isabel e a Vitória a aguardarem-te no cortar da meta (tenho lá no Picasa esse momento).

Foi duro, nos momentos seguintes deves ter repensado a valia de todo este esforço, mas sabes António?! Quando se é DUR não há prova que nos impeça de lá voltar passada depois a tempestade dos pensamentos. Aconteceu o mesmo em Almourol.

Sobre o facto de quereres estar presente no próximo ano com a equipa Pára&Comando para nova Geira, só tenho que agradecer essa tua/vossa disponibilidade.

Sabes bem que a tua companhia, da Isabel e da pequena bailarina é sempre um enorme prazer e caso assim queiram, pró ano estaremos lá de novo, porque eu tenho umas contas a ajustar com a Quebrada!

:)

Quanto ao café, penso que foi o melhor que podia ter feito. A partir do momento (não te esqueças que eu já vinha mal) que aconteceu aquilo na Albergaria, eu fiquei muito melhor.

Abraços e tudo de bom para todos vós.

Joka disse...

Parabéns guerreiro, grande determinação Antonio, linda foto!!! Que venha mais provas, fique na paz.