Amigos das Palavras

“…quando ia treinar passava pelas ruas a correr e ninguém podia imaginar o mundo de palavras que levava comigo. Correr é estar absolutamente sozinho. Sei desde o início: na solidão é-me impossível fugir de mim próprio. Logo após as primeiras passadas, levantam-se muros negros à minha volta. Inofensivo o mundo afasta-se. Enquanto corro, fico parado dentro de mim e espero. Fico finalmente à minha mercê. No início, tinha treze anos e corria porque encontrava o silêncio de uma paz que julgava não me pertencer. Não sabia ainda que era apenas o reflexo da minha própria paz. Depois, quando a vida se complicou, era tarde demais para conseguir parar. Correr fazia parte de mim como o meu nome…”

Palavras de José Luís Peixoto in "Cemitério de Pianos"

segunda-feira, 21 de março de 2011

Amor é fogo que arde sem se ver

Amor é fogo que arde sem se ver, é ferida que dói, e não se sente; é um contentamento descontente, é dor que desatina sem doer. É um não querer mais que bem querer; é um andar solitário entre a gente; é nunca contentar-se de contente; é um cuidar que ganha em se perder. É querer estar preso por vontade; é servir a quem vence, o vencedor; é ter com quem nos mata, lealdade. Mas como causar pode seu favor nos corações humanos amizade, se tão contrário a si é o mesmo Amor?
Luís Vaz de Camões Nota) Neste Dia Mundial da Poesia palavras escritas no século XVI por Luís Vaz de Camões, das que eu mais gosto de tantas que foram escritas pelo poeta.

2 comentários:

Joka disse...

MUITO BOM PARABÉNS !!!!

Filipe Fidalgo disse...

É ao ler estes texto imortais, que temos a certeza que o povo Português é diferente. É um povo apaixonado, vibrante e ponteciador do seu ser.
Excelente este rapaz da pala no olho que escreve linhas imortais que transcedem o conceito do tempo e que nos envolvem apaixonadamente em palavras saudosamente maravilhosas , também é um dos meus favoritos.

Um grande abraço companheiro.