Amigos das Palavras

“…quando ia treinar passava pelas ruas a correr e ninguém podia imaginar o mundo de palavras que levava comigo. Correr é estar absolutamente sozinho. Sei desde o início: na solidão é-me impossível fugir de mim próprio. Logo após as primeiras passadas, levantam-se muros negros à minha volta. Inofensivo o mundo afasta-se. Enquanto corro, fico parado dentro de mim e espero. Fico finalmente à minha mercê. No início, tinha treze anos e corria porque encontrava o silêncio de uma paz que julgava não me pertencer. Não sabia ainda que era apenas o reflexo da minha própria paz. Depois, quando a vida se complicou, era tarde demais para conseguir parar. Correr fazia parte de mim como o meu nome…”

Palavras de José Luís Peixoto in "Cemitério de Pianos"

terça-feira, 29 de novembro de 2011

A Lebre.

Para o favorito bater o seu máximo
corre a lebre umas quantas voltas
puxando pelo andamento até que
à hora conveniente sai da pista
sem um gesto um adeus o que se diz nada
e da bancada vêm gritos
porém são para o outro que esse sim
pode ficar na história
efémera que seja dos recordes

também eu tenho pernas
mas nunca tão possantes
e coração
mas o normal da espécie
encosto pois para deixar
passar o favorito: lá vai ele
veloz como uma seta

FERNANDO ASSIS PACHECO

Mais palavras de Fernando Assis Pacheco aqui.

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