Amigos das Palavras

“…quando ia treinar passava pelas ruas a correr e ninguém podia imaginar o mundo de palavras que levava comigo. Correr é estar absolutamente sozinho. Sei desde o início: na solidão é-me impossível fugir de mim próprio. Logo após as primeiras passadas, levantam-se muros negros à minha volta. Inofensivo o mundo afasta-se. Enquanto corro, fico parado dentro de mim e espero. Fico finalmente à minha mercê. No início, tinha treze anos e corria porque encontrava o silêncio de uma paz que julgava não me pertencer. Não sabia ainda que era apenas o reflexo da minha própria paz. Depois, quando a vida se complicou, era tarde demais para conseguir parar. Correr fazia parte de mim como o meu nome…”

Palavras de José Luís Peixoto in "Cemitério de Pianos"

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

+UMA.

2 comentários:

Alexandre Duarte disse...

Já está ilustrada a jornada. E o relato?
De qq forma ficam desde já os parabéns. Uma imagem vale 1000 palavras mas que até gostava de ler algumas, lá isso gostava!!
Abraço

Fernando disse...

Quase quase quase que chegava aos calcanhares deste ilustre corredor.
Desta vez fiquei a uma escassa meia hora :)
Votos de um bom verão, com ou sem férias, e espero que nos continuemos a cruzar nas provas.
Cruzar!!! na partida pois na meta será difícil já que as minhas sapatilhas (as culpadas do costume) não são suficientemente rápidas.
Abraço