Amigos das Palavras

“…quando ia treinar passava pelas ruas a correr e ninguém podia imaginar o mundo de palavras que levava comigo. Correr é estar absolutamente sozinho. Sei desde o início: na solidão é-me impossível fugir de mim próprio. Logo após as primeiras passadas, levantam-se muros negros à minha volta. Inofensivo o mundo afasta-se. Enquanto corro, fico parado dentro de mim e espero. Fico finalmente à minha mercê. No início, tinha treze anos e corria porque encontrava o silêncio de uma paz que julgava não me pertencer. Não sabia ainda que era apenas o reflexo da minha própria paz. Depois, quando a vida se complicou, era tarde demais para conseguir parar. Correr fazia parte de mim como o meu nome…”

Palavras de José Luís Peixoto in "Cemitério de Pianos"

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

SE TODOS OS RIOS SÃO DOCES.

Se todos os rios são doces, de onde o mar tira o sal?
Como sabem as estações do ano que devem trocar de camisa?
Porque são tão lentas no inverno e tão agitadas depois?
E como sabem as raízes que devem alçar-se até à luz e saudar o ar com tantas flores e cores?
É sempre a mesma primavera que repete o seu papel?
E o Outono?...ele chega legalmente ou é uma estação clandestina?

Pablo Neruda

1 comentário:

Ms Harkins disse...


António,

lindo esse poema do Neruda. Thanks for sharing!

Bjs