Amigos das Palavras

“…quando ia treinar passava pelas ruas a correr e ninguém podia imaginar o mundo de palavras que levava comigo. Correr é estar absolutamente sozinho. Sei desde o início: na solidão é-me impossível fugir de mim próprio. Logo após as primeiras passadas, levantam-se muros negros à minha volta. Inofensivo o mundo afasta-se. Enquanto corro, fico parado dentro de mim e espero. Fico finalmente à minha mercê. No início, tinha treze anos e corria porque encontrava o silêncio de uma paz que julgava não me pertencer. Não sabia ainda que era apenas o reflexo da minha própria paz. Depois, quando a vida se complicou, era tarde demais para conseguir parar. Correr fazia parte de mim como o meu nome…”

Palavras de José Luís Peixoto in "Cemitério de Pianos"

domingo, 20 de julho de 2014

   Quilómetro trinta

   caio sobre mim próprio: pedras: a minha face assente sobre a estrada, o mundo turvo a partir dos meus olhos, a minha boca a sorver pó, as minhas pernas queimadas, brasas, os meus braços queimados, o meu coração, o meu peito a respirar

   o tempo passa em Benfica, o silêncio passa sobre o cemitério de pianos

   tenho de ir ao encontro do meu pai.

In "Cemitério de Pianos" de José Luís Peixoto

Dados da minha participação no Memorial Francisco Lázaro 2014:
Dorsal: 275 
Distância: 10,0 km
Tempo: 46'38''
Classificação Geral: 117 (em 363)
Classificação Escalão (M50 - 54): 11 (em 39)

2 comentários:

ivana. disse...

Muito bom !! Como sempre, escrevendo com maestria e correndo muito bem ! Meu carinho e boa semana.

Alexandre Duarte disse...

Parabéns António. Mais uma!
Abraço