Amigos das Palavras

Por decisão do autor deste blogue os textos do próprio não seguem o acordo ortográfico de 1990.



sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Corrida de São Silvestre.

No próximo dia 31 disputa-se na cidade brasileira de São Paulo a mais famosa corrida de rua do Brasil e também das mais famosas a nível mundial, a Corrida de São Silvestre (este ano a 83ª edição).
A primeira edição da corrida foi realizada em 31 de dezembro de 1925 e desde então jamais deixou de realizar-se.
O "aparecimento" desta corrida deve-se ao jornalista Cásper Libero, que se inspirou numa corrida nocturna francesa em que os participantes transportavam tochas de fogo durante o percurso.
O facto do papa São Silvestre ter morrido num dia 31 de dezembro (dia também escolhido pela igreja católica para o canonizar) está na origem do nome dado à corrida.

Originalmente apenas os cidadão de São Paulo do sexo masculino podiam participar na corrida, nos anos seguintes seriam aceites corredores de outras partes do país, no ano de 1941 como vencedor surge pela primeira vez um corredor de fora do estado de São Paulo (José Tibúrcio dos Santos, de Minas Gerais).
Na fase em que a participação também estava vedada a estrangeiros (embora os imigrantes residentes na cidade de São Paulo pudessem participar) consta o nome do italiano Heitor Bassi, o vencedor no ano de 1929.
Em 1945 e 1946, a convite da organização participaram na corrida atletas de outros países da América do Sul, tendo a partir de 1947 sido permitida a participação de atletas de todo o mundo.
Com esta abertura da corrida ao "mundo" iniciou-se também um longo período de 34 anos durante os quais o lugar mais alto do pódio não foi ocupado por atletas brasileiros.
Durante esse período grandes atletas inscreveram o seu nome na lista dos vencedores, destaque-se entre outros, o belga Gaston Roelants (4 vitórias), o colombiano Victor Mora (3 vitórias), o argentino Osvaldo Suarez (3 vitórias), o português Manuel Faria (2 vitórias), o checoslovaco "locomotiva humana" Emil Zatopek (1 vitória) e o norte-americano Frank Shorter (1 vitória).
O atleta brasileiro José João da Silva ao vencer a prova no ano de 1980 (venceria de novo em 1985) quebraria esse longo período de 34 anos sem vitórias brasileiras, a partir de 1980 destaque para as 2 vitórias do português Carlos Lopes (82 e 84), as 4 vitórias do equatoriano Rolando Vera (1986 a 1989) e as 5 vitórias de queniano Paul Tergat (95, 96, 98, 99 e 2000), Paul Tergat que é o atleta masculino com mais vitórias na prova.

Só em 1975 (ano declarado pelas Nações Unidas como "Ano Internacional da Mulher") se realizou a primeira edição da corrida feminina, a atleta portuguesa Rosa Mota com as suas 6 vitórias consecutivas entre 1981 e 1986 e a atleta mexicana Maria Del Cármen Diaz com as suas 3 vitórias, são as figuras grandes de uma lista de vencedoras onde se incluem também, entre outras, a portuguesa Aurora Cunha (vencedora em 1988) e Carmen Oliveira (vencedora em 1995), a primeira atleta brasileira a vencer a corrida.
Rosa Mota com os seus 6 triunfos detem o record absoluto de atleta com mais vitórias na prova.

Na última edição da famosa corrida disputada em 31 de Dezembro de 2006 foram brasileiros os vencedores em ambos os sectores (Franck Caldeira no masculino e Lucélia Peres no feminino).
Até ao ano de 1988 a corrida disputava-se à noite, passando a partir de 1989 a disputar-se da parte de tarde e, no ano de 1991 a distância da corrida (que variava quase anualmente) foi fixada em 15 kms, estas alterações permitiram que a corrida passa-se a ser oficialmente reconhecida e incluída no calendário internacional da Associação Internacional das Federações de Atletismo (IAAF).
Actualmente a corrida conta com a participação de milhares de participantes que iniciam e terminam o percurso de 15 kms na também famosa Avenida Paulista.
O percurso é bastante difícil devido ao traçado do mesmo e também ao intenso calor do verão brasileiro (a desidratação e a insolação são frequentes entre os participantes).

Deste lado de cá do Atlântico não temos a mais famosa do mundo mas também se disputam algumas corridas de São Silvestre tendo-se mesmo já disputado nos últimos dias algumas delas embora seja durante o fim-de-semana que se aproxima que se disputem as mais participadas e mais antigas (dia 30, domingo – Olivais e Porto; dia 31, 2ª feira – Amadora).
A São Silvestre dos Olivais, este ano em 19ª edição, apresenta-se como a 2ª mais participada no passado ano em que concluíram 969 atletas, encontrando-se já esgotadas as 1200 inscrições que estavam disponíveis para a edição deste ano.
A São Silvestre do Porto, este ano em 14 ª edição, apresenta como pontos fortes, entre outros, ter sido em 2006 a São Silvestre com maior número de participantes (classificaram-se 1385 atleta na meta), contar com a presença de alguns dos melhores atletas portugueses (Vanessa Fernandes, Fernanda Ribeiro, Marisa Barros, Rui Silva, Rui Pedro Silva, entre outros) e de alguns estrangeiros de muito bom nível, ter a garantia "Runporto" de uma muito boa organização e do agrado dos participantes, o traçado do percurso desenhado nas ruas "natalícias e iluminadas" da Invicta e o muito e entusiástico público a assistir.
Este ano como tem acontecido terá lugar também a Mini Caminhada (a 7ª edição), prova com 4 quilómetros de extensão e sempre muito participada.
A São Silvestre da Amadora apresenta como seus "principais trunfos" ser a mais antiga São Silvestre disputada no país (este ano corre-se a 33ª edição), ser a única que é disputada no dia que dá o nome à corrida e, o maior de todos, as centenas e centenas de pessoas que no último dia do ano enchem as ruas da Amadora e que entusiasticamente aplaudem e incentivam os participantes.
Ambiente único no país nas corridas em que eu participei (o mais semelhante é a "Corrida das Fogueiras", em Peniche).
No ano passado concluíram a prova 754 atletas.
Este ano pela primeira vez disputa-se uma mini corrida com uma extensão de 2 quilómetros.

Do lado de lá ou de cá do Atlântico o importante é acabar o ano a correr, para todos aqueles que o tencionam fazer desejo excelentes desempenhos e faço votos para que se divirtam.
Pela minha parte, terminados que estão os meus treinos em 2007 (o último foi na passada quarta-feira), tenciono participar em duas corridas de São Silvestre, uma já na noite do próximo sábado e segunda-feira que vem na Amadora (esta é quase certo).
Um bom fim-de-semana que para mim começou já hoje.
§
Nota) A fonte da informação referente à Corrida de São Silvestre foi obtida no site da corrida

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Recordações de Natal.

Noite cerrada do passado domingo dia 16 de dezembro de 2007.
O homem em fato de treino sai para a rua e sente um frio cortante que lhe sabe muito bem, tem um gorro na cabeça e as mãos protegidas por luvas, faz alguns exercícios de aquecimento, coloca os "fones" nos ouvidos e selecciona a música que quer ouvir, de seguida lentamente começa a correr.
Passados alguns minutos está no terreno onde habitualmente corre, volta após volta o homem repete o mesmo caminho, sozinho como sempre.
O homem sente-se bem, sente-se calmo, sente-se livre, na sua cabeça ainda estão bem vivas as imagens do espectáculo de circo oferecido pela empresa em que trabalha, espectáculo a que assistiu na parte de tarde na companhia da mulher e da filha, recorda-se dos olhos sorridentes da sua "menina de ouro", da sua alegria, do seu entusiasmo a bater palmas aos artistas, da menina montada no pónei…
O homem corre, solto, liberto, sorri, recorda-se da noite da última sexta-feira, da alegria da menina quando entrou na tenda do outro circo a que foram, das fotos tiradas, dos balões no final do espectáculo, da menina abraçada ao seu pescoço…
Volta após volta, música após música, o homem continua a correr, o corpo quase em "piloto automático", na sua cabeça continuam a passar em "flash" imagens de outras idas ao circo, recorda-se das luzes dos anúncios nos telhados do Rossio, do coliseu, do circo recorda-se quase nada, nessa idas ao circo recorda-se do pai, da irmã, dos primos, das outras crianças filhas dos amigos dos pais, recorda-se das noites de Natal em que ainda tinha mãe, das missas à meia-noite, das prendas na chaminé nas mágicas manhãs de Natal…imagens distorcidas pelo tempo…de um breve tempo feliz…
Em cada pausa entre músicas o homem ouve o som solitário dos seus passos de corrida.
O homem recorda-se de outros Natais menos felizes, muito vagamente do primeiro que passou sem a mãe, puxa pela memória mas só se recorda da presença do pai nesse Natal de 71, pensa onde estaria a irmã mas não se lembra, as suas recordações avançam para uma noite de 24 de dezembro muitos anos depois, noite passada nas urgências do hospital, recorda-se do pai deitado na maca à espera de ser visto pelos médicos, da fria sala de espera quase vazia, da mulher, da irmã, do cunhado, da manhã do dia 25 e de um almoço triste, da visita ao pai já na enfermaria do hospital na tarde desse dia de Natal de 97…
O homem continua a correr, sente o corpo leve, sente o corpo quase a flutuar, a cabeça em turbilhão, recorda-se daqueles gélidos dias anteriores ao Natal de 99 passados no Porto na companhia da mulher em busca de serem felizes, recorda-se dos Natais em que ele e a mulher decidiram não fazer a árvore e desses pouco mais além disso o homem se recorda…
O homem recorda-se é muito bem do Natal em que ele e a mulher decidiram de novo fazer a árvore de Natal, recorda-se daquele sábado de dezembro de 2003 em que estavam a decorar a árvore, do sangue que a mulher grávida perdeu, da angústia e do medo que sentiram por estarem de novo a passar pelo mesmo que já tinham passado anos antes, recorda-se curiosamente que pela primeira vez em muitos anos não se sentiu revoltado, recorda-se da ida ao hospital, de sentir o coração a bater descontrolado, do sabor amargo da sua boca seca, da angústia enquanto o médico fazia a ecografia, das palavras do médico:
-Foi um descolamento da placenta mas está tudo bem com o bebé…
Recorda-se dos dias difíceis que se seguiram, da decoração inacabada da árvore que durante uma semana permaneceu à espera que ele a acabasse de decorar, recorda-se de a ter colocado no "hall" para que a mulher a pudesse ver do quarto onde permanecia deitada, recorda-se que nesse Natal o seu único desejo era que o bebé vivesse…
O homem continua a correr, uma voz diz-lhe que já completou 1h30 de corrida, o homem era capaz de correr mais, ele até queria correr mais mas já é tão tarde, resolve passar do seu passo de corrida para um trote ligeiro.
Na sua cabeça continuam ainda a desfilar recordações de outros Natais, os mais recentes, os mais felizes desde a sua infância, recorda-se do primeiro que passaram com a menina, do segundo, do terceiro...
Recorda-se da alegria da filha quando no início deste mês de dezembro decoraram as árvores de Natal (a da sala e a do quarto dela), recorda-se de ter sentido os olhos com lágrimas quando a menina começou a cantar canções de Natal…
Já perto de casa o homem finalmente pára de correr e enquanto faz uns exercícios de alongamentos olha as luzes de Natal nas varandas da casa onde vive, sabe que lá dentro estão as 2 pessoas que mais ama na vida, o homem sabe que vai entrar em casa e que lá tem tudo aquilo que quer neste Natal, tudo aquilo que quer da vida, o homem que corre é feliz neste Natal de 2007.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Não me Mintas.

No passado fim-de-semana tinha previsto participar no “50º Grande Prémio de Natal”, estava inscrito (dorsal 1616) mas tal não foi possível, tive bastante pena mas outras corridas virão.
Na corrida principal o lugar mais alto do pódio masculino foi ocupado por Leão Carvalho (29'08'') em representação do Sport Lisboa e Benfica, ao lugar mais alto do pódio feminino subiu Marisa Barros (33'23'') em representação do Clube Açoreana Seguros – Porto, 2 grandes atletas “renascidos” neste final de ano de 2007.
A referida corrida principal teve a distância “certificada” de 10 kms (?) e 1000 atletas classificados na meta, dos quais 908 do sexo masculino representado 90,8% do número total e 92 do sexo feminino representado 9,2% do número total.
Dos referidos 1000 atletas 336 deles correram como individuais, os restantes 664 por equipas, o que representa 33,6 % e 66,4% respectivamente do número total.
As equipas com maior número de atletas classificados na meta foram:
CR Leões Porto Salvo (33 atletas), Açoreana Seguros (30 atletas), Grupo Desportivo Unidos Caxienses (28 atletas), Clube Millennium BCP (24 atletas), GD Macedo Oculista e GD Santander Totta (ambas com 23 atletas) e Sport Lisboa e Benfica (22 atletas).
Estas 7 equipas (as únicas com mais que 20 atletas classificados na meta) totalizam 183 atletas, número que representa 27,6% do total de atletas que correram em representação de equipas.

Como disse não participei na prova mas não posso deixar de levantar uma questão, como é possível, por exemplo no caso do vencedor masculino, uma passagem aos 5 kms em 18’06’’ e terminar em 29’08’’? Uma 2ª légua em 11’02’’???
Esta 2ª légua num tempo fenomenal estende-se a muitos dos restantes participantes (Marisa Barros passou aos 5 kms com 20’20’’ e terminou com 33’23’’, i.é., fez a 2ª légua em 13’03’’) o que levanta a hipótese de erro na marcação dos 5 kms ou de a prova não ter os 10 kms.
Outras hipóteses? Quais?
Ou será mesmo que os “Nikes” fazem voar?

Conta-me os teus truques e fintas
Será que os "Nikes" fazem voar
Diz-me o que sabes e não me mintas
ao menos em ti posso confiar
(Excerto da letra da canção de Rui Veloso, “Não me Mintas”)

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

50 Anos.


Organizado pela Associação de Atletismo de Lisboa, realiza-se no próximo domingo o "50º Grande Prémio de Natal", cujas corridas principais (masculina e feminina) contam para o Grande Prémio AAL de Estrada e Corta-Mato.
É a terceira prova mais antiga realizada no país, só superada em antiguidade pela "Volta a Paranhos" e pela "Estafeta Cascais-Lisboa", a primeira comemorou no passado dia 8 do corrente mês as bodas de ouro, a segunda teve em 2007 a realização da sua 71ª edição.

O Programa do "50º Grande Prémio de Natal" é o seguinte:
09h45 – 2000 metros – Infantis (Masc. e Fem.)
Partida: Av. Fontes Pereira de Melo
10h00 – 2500 metros – Iniciados (Masc. e Fem.)
Partida: Praça Duque de Saldanha
10h30 – 4000 metros – Juvenis (Masc. e Fem.) e Juniores (Fem.)
Partida: Túnel de Entrecampos
10h35 – 4000 metros – Prova Aberta
Partida: Túnel de Entrecampos
11h00 – 10000 metros – Prova Principal
Partida: Av. Lusíada

Desde o local de cada uma das partidas os atletas farão o mesmo trajecto da prova principal até à Praça dos Restauradores onde estará instalada a meta.
Este "50º Grande Prémio de Natal" inclui também a disputa de provas de marcha atlética para os diferentes escalões, o local de partida e de chegada será na Praça dos Restauradores.
Uma excelente manhã de domingo para todos aqueles que vão participar nas várias provas.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Meia-Maratona (22ª Maratona de Lisboa).

Apetece namorar contigo em Lisboa
Apetece namorar contigo Lisboa.
(Da canção dos UHF, "Apetece-me Namorar Contigo Em Lisboa")

Na bonita manhã do passado domingo disputou-se a 22ª Maratona de Lisboa.
Num país de grandes maratonistas mas com escassos participantes nas maratonas organizadas em território nacional, esta Maratona de Lisboa muito graças ao elevado número de estrangeiros participantes é a mais participada de todas (este ano teve 824 atletas classificados na meta).
Na sua estreia na distância Vasco Azevedo (Boavista) foi o vencedor no sector masculino com o tempo de 2h19m57s, no sector feminino (25ª da geral) triunfou Fátima Silva (CD Póvoa) com o tempo de 2h47m49s, atleta que nos últimos nove anos conta com 8 presenças no pódio, cinco vezes 1ª (2000, 2002, 2004, 2006 e 2007), duas vezes 2ª (1999 e 2005) e uma vez 3ª (2001).
Disputaram-se também 2 provas complementares, uma Prova Aberta (com cerca de 6 kms) e uma Meia-Maratona, nesta última o vencedor no sector masculino foi o triatleta Lino Barruncho (Maratona), a também triatleta Vanessa Fernandes (Benfica) triunfou no sector feminino. "Vanessa" que mais uma vez foi constantemente saudada por todos (ou quase) que com ela se cruzaram durante a corrida.

Este ano participei na Meia-Maratona (há um ano tinha participado na Prova Aberta).
Pela primeira vez desde que a Vitória nasceu a Isabel acompanhou-me sozinha a uma corrida (a Vitória ficou com a avó).
Lisboa recebeu-nos com a tranquilidade característica do fim-de-semana e com uma luminosidade radiosa.
Estacionámos o carro perto dos Restauradores e a caminho do local de partida passámos pela "Suíça" para beber um café, tempo durante o qual vimos começarem a passar os primeiros atletas participantes na prova da maratona.
Pouco depois comecei o meu aquecimento aproveitando o percurso até à Praça do Comércio, onde esperei pela Isabel e tirámos algumas fotos antes da partida.
O grande número de participantes (muitos dos quais estrangeiros) e ter existido mais público a assistir do que é habitual (mesmo sendo reduzido e inexistente em grande parte do percurso) foram 2 aspectos francamente positivos; em relação ao resto (marcação de quilómetros, abastecimentos, trânsito, etc.) tudo dentro da normalidade a que a "Xistarca" já nos habituou.
As condições climatéricas muito boas para a prática da corrida, um percurso sem qualquer tipo de dificuldade e os 2 treinos suaves que realizei na semana anterior à prova (45 minutos na quarta e 30 minutos na sexta) reflectiram-se no final no meu melhor tempo na distância (1h39m e uns pozinhos que a classificação oficial determinará ao certo), um tempo modesto mas bom para mim.
Foi muito bom correr em Lisboa.