quinta-feira, 9 de agosto de 2012

TNLO2012.


Na noite do último sábado voltei a participar no Trail Nocturno da Lagoa de Óbidos, prova que este ano teve 26 quilómetros e um percurso bastante variado e um pouco mais duro que o dos últimos 2 anos (aqueles em que participei).
Sem correr desde a UMA encarei a prova como um recomeçar dos treinos de corrida, parti pois num ritmo baixo, o qual mantive sensivelmente até meio da prova tentando depois uma segunda parte mais rápida, o que se saldou em 2h56'02'' de tempo de corrida.
Mais uma vez Óbidos foi também ponto de reencontro com muitos e bons amigos do mundo das corridas, também de reencontros, esperado, como com o casal Amélia/Xavier, inesperado, como com o casal Susana/Daniel.
Como sempre tive a Vitória e a Isabel comigo, também como sempre fizemos em Óbidos aproveitámos o solo duro e por lá ficámos para domingo, este ano à falta da Corrida da Praia Norte (em Peniche) que será no póximo dia 19 do corrente mês (nos 2 últimos anos tinha sido sempre no mesmo fim de semana da prova de Óbidos) por lá ficámos durante o dia de domingo aproveitando para visitar e feira medieval a decorrer, foi pois um excelente fim de semana em Óbidos, mais um.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

sexta-feira, 22 de junho de 2012

50.

"E vem-nos à memória uma frase batida
Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida."

trecho de “O Primeiro Dia” de Sérgio Godinho


I – Nascimento.
Ano: 1962
Local: Almada Velha, Margem Sul do Tejo.

À uma da tarde repetindo um procedimento habitual a mulher fechou a porta da mercearia de que era proprietária, como sempre e depois de duas horas para almoço achava então a mulher que reabriria de novo a porta para o período da tarde.
Mas naquela tarde de verão do ano de 1962 as coisas não haveriam de ser assim, a mulher grávida em fim de tempo haveria de entrar em trabalho de parto e às 3 da tarde a porta da mercearia haveria de continuar fechada, na casa de família situada nas traseiras da mercearia onde a mulher residia com o marido e a filha de 6 anos haveria de a mulher parir nesse tempo um bebé do sexo masculino a quem seria dado como nomes próprios António Fernando e como nomes de família Gomes de Almeida.
Segundo ouviu mais tarde contar que como será de esperar desse dia o homem que um dia foi esse bebé nada se recorda, a sua irmã na tarde desse mesmo dia terá aproveitado um momento de distracção dos pais e provavelmente movida por ciúmes terá enchido de cuspo os olhos do bebé que dormia deitado no seu berço.


II – Morte.
Ano: 1971
Local: Almada, Margem Sul do Tejo.

A mulher deitada na cama onde permanecia desde que voltara para casa depois de ter estado no hospital, a conversa a sós entre os dois uns dias antes, o menino a sentir que o tempo de partida estava para breve, as palavras da mãe, o menino a escutar com atenção, o desejo que ele cumpriria…
A mulher já deitada no caixão, por fim o bonito e jovem rosto da mulher a esboçar um sorriso, a noite, a última, o dia, o da despedida…
O caixão já fechado dentro do carro fúnebre, as pessoas que seguem a pé o carro, as pessoas nos passeios, as pessoas distorcidas aos olhos do menino, o sabor a sal…
O último adeus, o caixão que se fecha de vez, as cordas que os homens seguram e que o fazem descer dentro da cova, as pessoas que pegam em terra e a deitam sobre o caixão, as flores a cobrirem a cova já coberta de terra, sempre o sabor sal…


III– Casamento.
Ano: 1994
Local: Almada, Margem Sul do Tejo.

Tinham-se conhecido uns anos antes, namorado q.b. e naquela sexta-feira, a última do mês de julho era chegado o dia do casamento…
Alguns familiares e amigos marcaram presença no momento de dizerem o “sim” e no resto do dia no “copo de água”, um dia feliz, muito feliz, para ambos, para o homem era mesmo até então o mais feliz dos dias que tinha vivido.


IV– Morte.
Ano: 2000
Local: Almada, Margem Sul do Tejo.

Nunca…
O pai morreu!
O homem com o auscultador na mão nem consegue reagir às palavras da voz trémula da irmã, de novo a morte a marcar a vida do homem, morte para a qual nunca se está preparado, nunca…
Se o pai embora estivesse estado sempre presente na vida do homem tinha sido após a morte da mãe quando ele ainda era menino que a presença do pai marcaria para sempre o seu caminho ao longo dos quase 30 anos que se seguiram, o pai sempre presente, o pai sempre amigo, o pai sempre companheiro, o pai sempre brincalhão, o pai sempre cúmplice, o pai sempre tolerante, o pai sempre lutador, o pai sempre herói, para sempre…
Abraços, lágrimas, mulher, madrasta, irmã, sobrinho, cunhado, a ida ao hospital, reconhecer o corpo, a última noite, quase último adeus, a sala cheia, o caixão ainda aberto, as pessoas em pé à sua volta, lágrimas, palavras…
Ainda o caixão aberto, o vento que sente no rosto, o último adeus, lágrimas, palavras, o caixão já fechado que desce à terra…
Nunca, nunca, nunca…


V- Nascimento.
Ano: 2004
Local: Hospital de Santa Maria, Lisboa.

25 de julho, 4 horas e 42 minutos, o homem olha o bebé acabado de nascer, troca olhares com a mulher, o milagre em suas vidas, o único na vida do homem, homem que nunca tinha acreditado em milagres, a única vitória da vida do homem, a única, desejada, imensamente desejada, a felicidade, a paz, a serenidade, o circulo que se fecha, o reencontro…

terça-feira, 19 de junho de 2012

1ª Prova do Sal.

Numa organização da Associação Alcochete Aktivo teve lugar na manhã do último domingo a 1ª Prova do Sal, prova de aproximadamente 9 quilómetros que teve partida e chegada na praia dos moinhos em Alcochete com ponto de retorno no Samouco.
Prova corrida no areal o que só por si me cativou desde logo não fosse eu um  apaixonado por este tipo de provas, as quais apesar de vivermos num país com tão vasto e belo areal são quase inexistentes. 
Esta 1ª Prova do Sal além de ter sido  uma prova muito agradável com uma organização que esteve muito bem, conseguiu ainda assim surpreender-me pela positiva com aqueles quilómetros corridos dentro de água.
Daqui da blogosfera corredora a agradável surpresa de por lá ter encontrado a "Maria" e a sua equipa de apoio.
Eu também tive o meu apoio 5 estrelas, Vitória e Isabel.
Prova a repetir em 2013.
   
  

segunda-feira, 11 de junho de 2012

50 (XXI - Caminho).

Ano: 2012.
Local: Sevilha, Badajoz, Mérida, Madrid (Espanha); Lisboa, Costa da Caparica, Portalegre (Portugal).

Há um ano escrevi aqui a minha intenção de percorrer um caminho, nos últimos meses percorri parte desse mesmo "caminho", o qual me deveria ter levado a Fátima durante o dia do passado sábado…
Acontecimentos durante a última semana fizeram-me não percorrer essa última e crucial fase desse caminho e apesar de uma vez mais o "caminho" ter ficado incompleto ficam belas recordações dos longos meses percorridos e dos marcos mais significativos desse caminho incompleto, Sevilha, Badajoz, Lisboa, Mérida, Madrid, Costa da Caparica e Portalegre, marcos que só por si valeram muito a pena cada metro do caminho percorrido.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

A RUA É DAS CRIANÇAS.

Ninguém sabe andar na rua como as crianças.
Para elas é sempre uma novidade, é uma constante festa transpor umbrais.
Sair à rua é para elas muito mais do que sair à rua.
Vão com o vento. Não vão a nenhum sítio determinado, não se defendem dos olhares das outras pessoas e nem sequer, em dias escuros, a tempestade se reduz, como para a gente crescida, a um obstáculo que se opõe ao guarda-chuva. Abrem-se à aragem. Não projectam sobre as pedras, sobre as árvores, sobre as outras pessoas que passam, cuidados que não têm.
Vão com a mãe à loja, mas apesar disso vão sempre muito mais longe.
E nem sequer sabem que são a alegria de quem as vê passar e desaparecer.


Nota) No Dia Mundial da Criança as palavras de Ruy Belo.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

1º Ultra-trail da Serra de São Mamede (Palavras, 3ª parte).

Do PAC7 ao PAC8 (Castelo de Vide, 74 km):
Hora de chegada ao PAC8à17:01 (13h01' de tempo de prova)
Neste troço continuei na companhia do Tomé, do Sousa e do Duarte...
Troço bem fácil na sua primeira parte em que fomos conseguindo bons períodos a correr, tempo também para muita conversa.
Já na segunda parte deste troço apanhámos mais uma subida, mais uma vez bem generosa, durante a qual passámos pelo menos dois concorrentes em evidentes dificuldades, apanhámos também o Joaquim Adelino que seguiu então connosco.
Já bem perto das cinco da tarde, já com bem mais que os 74 quilómetros que oficialmente nos levariam ao PAC8, numa fase ainda a subir, na ânsia de chegar perto da Isabel e da Vitória ganhei então um pequeno avanço aos meus companheiros.
Já nas imediações do PAC8 vi a a Isabel e a Vitória, esta última veio ao meu encontro trazendo nas mãos dois pequenos ramos de árvores que tinha improvisado como sendo dois bastões e seguiu junto de mim dizendo-me que eu ia ter que descer por umas cordas, logo depois cheguei junto da Isabel, breves palavras e segui com a Vitória por perto.
Topo conquistado, descida pelas cordas e estava no PAC8 com uma vista soberba sobre Castelo de Vide, com a simpatia dos elementos da organização mais uma vez a marcar presença e com uma mesa com os alimentos e líquidos mais que suficientes para que as forças não viessem a faltar até ao abastecimento seguinte.   
Logo depois chegaram os meus companheiros dos últimos quilómetros com quem haveria de sair para o troço seguinte não que sei antes me despedisse da Isabel e da Vitória e de uma última foto naquele local já sem a presença do Joaquim que recomeçou um pouco antes de nós.
[Fotos de Isabel Almeida]

Do PAC8 ao PAC9 (C. Provença, 88 km):
Hora de chegada ao PAC9à19:48 (15h48' de tempo de prova)
Na hora de recomeçar apesar de ser mais que certo que a prova ia ter mais que 100 quilómetros (como se viria a confirmar) o que na altura pensei foi no número de quilómetros que oficialmente faltariam, 26, pensei então que poderia senão terminar de dia pelo menos fazer boa parte desses quilómetros ainda com a luz do dia.
Neste troço após uma fase inicial a descer apanhámos mais uma subida, a qual ainda fiz com a companhia com que tinha vindo até então mas logo depois em que se correu quase a direito embora na encosta na serra fui-me distanciando e com isso vim a perder essa excelente companhia dos últimos mais que duas dezenas de quilómetros.
Na fase seguinte ligeiramente e descer e por trilhos sem qualquer dificuldade fui conseguindo correr em bom ritmo, fase em que passei dois participantes que seguiam a passo.
A dada altura encontrei num cruzamento 3 jovens e um senhor, perguntaram-me se queria água, agradeci e ainda tive direito a beber uma mini, tempo durante o qual fui conversando com eles, ao senhor menos jovem custou-lhe a acreditar que eu estava a correr desde as 4 da manhã, valeu-me a palavra dos jovens que confirmaram o que eu disse mas ainda hoje recordo aquele olhar incrédulo e suspeito mesmo que as palavras dos jovens não o terão convencido totalmente.
Na altura esses jovens disseram-me que faltavam 4 quilómetros para o abastecimento pelo que resolvi ao recomeçar impor um ritmo razoável, pouco depois comecei a ver ao longe um participante que seguia a passo, aos poucos fui-me aproximando e já bem perto dele vi que se tratava do Eduardo Santos (o presidente da "nossa" Associação Desportiva O Mundo da Corrida), troquei algumas palavras com ele que me disse que ia terminar mesmo que tivesse que fazer o resto a caminhar, disse-me também que ainda faltava uma subida antes do próximo abastecimento o que estranhei pois pelos quilómetros que calculava já ter corrido desde o local onde tinha estado com os jovens já devia estar perto desse mesmo abastecimento (no dia seguinte e em conversa com o Joaquim percebi por fim a informação dos jovens, os 4 quilómetros eram em linha recta...).
A subida lá apareceu, lá se fez e já na fase descendente de aproximação ao último dos abastecimentos ultrapassei uma dupla em que um dos elementos ia completamente desanimado e que achava que não ia terminar.
Por fim o último PAC, por lá e também acabado de chegar estava o Jorge Pereira, logo depois chegaram os dois elementos que tinha passado pouco antes.
Neste último abastecimento estive algum tempo sentado, o local convidava a ficar mas porque queria pelo menos fazer ainda a subida que logo de seguida teríamos ainda com a luz do dia decidi seguir ainda que sem companhia em busca dessa subida e da meta.

Do PAC9 à linha de chegada (Portalegre, 105 km):
Hora de chegada à metaà22:26 (18h26' de tempo de prova)
Ao recomeçar senti que tinha arrefecido pelo que decidi vestir o corta-vento e comecei quase de imediato a correr.
Ainda antes da tal subida, a última feita com a luz do dia, atravessei um campo ligeiramente a descer "pintado" de amarelo, muito bonito, logo depois tive que atravessar um campo onde pastavam uns touros que azar meu logo haviam de estar bem no local por onde eu tinha que passar mas lá me consegui safar.
Fiz depois toda a subida que se seguiu numa altura que a temperatura ia arrefecendo rapidamente e a luz do dia era cada mais ténue, esta foi curiosamente uma fase da prova que apreciei especialmente...
Já na fase seguinte fui apanhado pelo Jorge Pereira com quem seguiria depois, já de novo com o recurso aos frontais e com a visão da bonita cidade de Portalegre fomos surpreendidos por uma nova subida em direcção à serra sendo que nos quilômetros seguintes a meta era sempre uma miragem, quando parecia que daquela vez é que era lá aparecia nova subida que na altura parecia nos estar a afastar da ambicionada meta.
Depois de quase termos ido ao desespero, pintado a branco no chão a indicação de que faltava um quilómetro, este há muito o mais desejado, a última descida por um trilho não muito fácil e de novo na pista do estádio de onde tínhamos partido há mais de 18 horas por fim a linha de meta, a medalha de cortiça conquistada, o reencontro com a Isabel e a Vitória, com outros companheiros e amigos...
Após o banho tomado seguiu-se o jantar na excelente companhia da Isabel, da Vitória, Paula Fonseca, Ricardo Baptista e Ana. 
Seguimos depois para o nosso solo duro, assim que me deitei adormeci quase de imediato e sonhei com serras, rios, trilhos, também com castelos e princesas (obrigado às duas por fazerem parte dos meus sonhos).

[Fotos de Ana Ceríaco]