Amigos das Palavras

Por decisão do autor deste blogue os textos do próprio não seguem o acordo ortográfico de 1990.



quarta-feira, 25 de abril de 2012

50 (XV - Liberdade).

Ano: 2012.
Local: Quartel da Pontinha - Praça dos Restauradores, Portugal.

Liberdade, 35ª Corrida da.
38 anos depois do dia 25 de abril de 1974 realizou-se esta manhã mais uma corrida da Liberdade, a 35ª, corrida comemorativa da Revolução dos Cravos.
Corrida com uma participação que surpreendeu a própria organização que apesar de se ter visto sem dorsais para tantos atletas (nesta corrida é habitual as inscrições antes da partida) autorizou ainda assim a participação de todos.
Numa manhã com muitos chuviscos revi muitos companheiros entre os quais alguns "Madrilenos" e saboreei 10 quilómetros e picos de prazer de correr e celebrar abril.
A Isabel participou na caminhada da Liberdade.

25 de abril Sempre!
Viva Portugal!

terça-feira, 24 de abril de 2012

50 (XIV - Madrid).

Ano: 2012
Local: Madrid, Espanha.

Na manhã do último domingo corri a minha 12ª maratona, a minha primeira em Madrid, 3h48'43'' foi o tempo que demorei a saborear cada metro do percurso, o apoio do público é algo fabuloso, tinham-me dito mas muito sinceramente não contava com tanto, impossível descrever, só mesmo lá estando.
Madrid foi pois mais um marco do "caminho" que me levará ao local que desejo, Madrid valeu muito a pena.


A minha prova em números aqui.

As fotos da Isabel aqui.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

As minhas LXVII Millas Romanas (III).

3º circuito - "Los Pueblos" - 44,8 km
A minha partida para o 3º e último dos circuitos coincidiu com a partida de uma dupla de espanhóis tendo então eu decidido seguir por perto, na fase inicial repetido de novo a voltinha pelas "calles" de Mérida já feita no 2º circuito seguindo depois uma parte do percurso ao longo do parque situado junto ao rio, nessa altura apanhámos uma outra dupla que seguia a passo e que tinha saído um pouco antes de nós, rapidamente os ultrapassámos ficando eu entre as 2 duplas.
Quase de imediato entrámos num trilho, sempre a subir e muito escuro, um dos elementos da dupla que ia à minha frente à dada altura começou a distanciar-se, tentei então não perder o contacto visual com o outro, o que com o passar do tempo foi sendo mais difícil, por vezes só a luz vermelha intermitente que vislumbrava de vez em quando me dava a certeza de que ele não estava muito longe.
Na noite já longa embora não muito fria o vento cada vez mais forte ia fazendo com que a chuva que então começou a cair nos fustigasse lateralmente, nessa altura já eu tinha vestido o impermeável e ia avançando mais uma vez na completa escuridão da noite, também sem ter ninguém por perto.
Foi uma fase da prova em que senti alguma dificuldade para me concentrar de modo a vislumbrar as fitas ou os reflectores mas apesar disso nunca me perdi se bem que por vezes avançasse a medo.
Ao km 69,6 (Mirandilla) foi altura de carimbar mais uma vez, também de comer e beber, procedimento repetido ao km 78,9 (Campomanes), este situado numa sala de um equipamento desportivo (penso que se tratavam de umas piscinas) onde encontrei por lá o Sousa (das lebres) e uma dupla de espanhóis (não estou certo se a mesma com quem iniciei este 3º circuito mas penso que não), o Sousa esse estava muito desanimado com a prova mas mantinha a sua habitual boa disposição, também o apetite esse não tinha sido em nada afectado, fomos brincando com isso, a dupla da organização presente (uma senhora e um senhor) iam eles também entrando na brincadeira, só a dupla de participantes que diziam ir esperar pelo nascer do dia para continuar pareciam algo desfasados da boa disposição que ia reinando.
Numa altura em que já tinham chegado mais dois participantes o senhor da organização procedeu a uma contagem dos participantes que já então tinham carimbado e avançou com o número 29, número que nos surpreendeu pois pensávamos que seriam mais os que já por ali tinham passado, logo depois eu e Sousa decidimos continuar, altura em que senti mais o frio durante toda a noite, durante algum tempo seguimos a passo já que o Sousa não conseguia correr, ele ainda tentou mas logo viu que era de todo impossível, pelo que algum tempo depois decidi continuar, de novo sem companhia…
Aos poucos o dia timidamente começou a clarear, os largos estradões que se seguiram permitiram-me então manter largos períodos a correr, pouco depois arrumei o frontal numa altura em que o dia já tinha tomado totalmente o lugar da noite.
Cheguei pois ao ponto de abastecimento e de controlo que viria a encontrar depois, situado ao km 83,6 em San Pedro, já bem de dia mas com a companhia da chuva apesar de nessa fase não muito forte.
Já na posse de mais um carimbo, também de ter comido e bebido, pensei então que Mérida estava cada vez mais perto, continuei quase de imediato a passo a subida em alcatrão ainda no interior de San Pedro, cheguei ao cimo e lancei-me na descida que se seguiu tentando aproveitar essa ajudinha.
Na fase seguinte o percurso revelou-se extremamente monótono já que continuou em alcatrão com várias subidas e descidas a viadutos que iam surgindo pelo meio, o vento que então soprava fortíssimo e a chuva que caía intensamente e que ia sentindo qual alfinetes a picarem-me o rosto, iam dificultando ao máximo a progressão, nem nas poucas descidas que iam aparecendo a tarefa se revelou fácil, terrível esta fase da prova.
A dada altura num dos viadutos a indicação para seguirmos para a direita, aproveitando então o facto de quase não chover e do percurso se apresentar praticamente plano, consegui correr num ritmo razoável que me levou até ao último dos pontos de controlo e de abastecimento (Trujillanos, km 90,9), onde me receberam com aliás aconteceu em todos os outros ao longo das horas que tinham passado, com muita simpatia e atenção.
Logo depois segui a caminhar e a apenas 9 quilómetros de Mérida achei então que era altura de ligar para a Isabel, procurei pela Vitória, continuei a caminhar enquanto lhe ia dizendo que já tinha passado o último controlo, fiz-lhe um resumo das últimas horas, desliguei depois o telemóvel numa altura em que fui apanhado por dois espanhóis, seguíamos então já num longo estradão com sobe e desce, durante algum tempo seguimos juntos, com o passar dos quilómetros um dos espanhóis foi-se destacando, aos poucos fui também eu ganhando algum avanço ao outro dos espanhóis… 
Por fim entrei em Mérida, senti-me renascer, consegui correr rápido na rua que sabia me ia levar até à Plaza de España, vi a Isabel e a Vitória, parei de correr, a Vitória veio ao meu encontro, dei-lhe a mão enquanto a Isabel tirava uma fotografia...
...beijei-as, sorrimos, por fim “entrei” na Plaza de España, dirigimo-nos ao controlo de chegada, deram-me os parabéns, recebi o "Milliário", subimos os 3 ao palanque para as fotos, "Plaza de España" por fim conquistada decorridas que tinham sido 14h20' após a hora da partida naquele mesmo local.
Mérida revelou-se uma bela jornada que gostava de repetir um dia.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

As minhas LXVII Millas Romanas (II).

2º Circuito - "Proserpina" - 27,7 km
Na hora de recomeçar senti algum frio em especial nas mãos pelo que decidi calçar as luvas. Nessa fase inicial em que percorremos algumas ruas de Mérida passámos bem perto do hotel onde estávamos alojados, pensei na Isabel e na Vitória…
Após passarmos perto do Aqueduto de São Lázaro uma subidinha ainda em alcatrão e logo de seguida a entrada em trilhos, apesar de largos e não muito íngremes o piso muito irregular aliado à escuridão obrigavam a redobrada atenção de onde se colocavam os pés, a dada altura dessa fase da subida optei por passar a marchar o que me custou ter descolado dos meus dois companheiros que mantiveram o passo de corrida. Pouco depois de ter ficado só "apanhei" o Paulo Fernandes que seguia a passo também ele com dificuldade em progredir naquele tipo de piso. Algumas palavras trocadas com ele e aos poucos fui-me adiantando, as fitas embora espaçadas iam sendo suficientes para seguir o trilho certo ao que também ajudou em muito os pequenos reflectores colocados ao longo do percurso.
Já na fase seguinte ligeiramente a descer "carimbei" a primeira das quedas por terras de "nuestros hermanos", depois de me levantar olhei a zona do joelho esquerdo (pelo menos não tinha sido em cima da mazela antiga) e, apesar da ferida apresentar alguma terra à mistura, sem água (só tinha comigo aquarius) só me restava continuar até ao abastecimento que se seguiria para pelo menos limpar minimamente a ferida
Ao recomeçar a correr apesar da natural dor do joelho senti que não seria impeditivo de continuar, do mal, o menos…
Continuei sozinho até ao abastecimento seguinte (casa de campo), a escuridão continuava total, o piso já não tão irregular ia-me permitindo de vez em quando fazer períodos a correr.
Ao chegar ao ponto de abastecimento e de controlo já o Bossa e o Prates se preparavam para continuar, eu a primeira coisa que fiz foi pegar numa garrafa de água e lavar a ferida, pedi depois se havia algo para pôr na ferida, uma das pessoas da organização que lá estavam foi buscar um tubinho (penso que de betadine ou algo parecido) e limpou-me a ferida, bebi água e depois peguei numa banana e segui a passo enquanto a ia comendo…
Corri nessa fase sempre só, no escuro da noite de vez em quando vislumbrava a luz intermitente de um ou outro participante dos que iam à minha frente, viria a "apanhar" um desses participantes na chegada à zona do lago que surgiu de mansinho, lago imensamente grande pareceu-me, nessa zona plana e em que iam existindo pontos de iluminação passei ainda um outro participante vindo a alcançar depois o Jorge Pereira que seguia com algumas dificuldades, tentei-o animar mas achava ele então que provavelmente seria a primeira vez que não ia terminar e infelizmente assim foi.
Pouco depois cheguei ao ponto de abastecimento e de controlo (Lago de Proserpina), por lá ainda estava o José Simões, o que estranhei pois não me parecia ter vindo a recuperar tanto que tivesse dado para o apanhar, após uma breve pausa para mais uma vez "carimbar", comer e hidratar retomei o passo de corrida, com pouco mais de 10 quilómetros para regressar de novo ao pavilhão tentei então impor um ritmo razoável o que terei conseguido pois viria a ultrapassar alguns participantes entre os quais o José Simões que seguia com dificuldades provavelmente derivadas do seu jantar tardio segundo ele, dei-lhe então uma palavra de alento e segui mas mais tarde e já bem perto de Mérida foi a vez dele me apanhar, seguimos então juntos e já no interior de Mérida viríamos a ter ainda a companhia de outros 2 ou 3 companheiros, nessa fase passámos bem perto da Plaza de España, o local de onde tinhamos partido há umas horas e onde contava chegar na manhã de sábado e, apesar de altas horas da madrugada nas "calles" de Mérida existia ainda bastante movimentação do pessoal da noite. 
Chegámos ao pavilhão, os primeiros 55 quilómetros estavam feitos, tratei de ir comer, bebi então coca-cola, conversei um pouco com o José Simões que me ia dizendo que já começava a sentir-se melhor (o que se viria a confirmar estar certo já que a partir dai nunca mais o vi), segui depois para o curativo que se impunha, tratei depois de ir mudar de camisola e de meias (falei com o Prates que tinha acabado de devolver a mochila e preparava-se para continuar, o Bossa também por lá estava), voltei à sala de entrada na esperança de ainda por lá estar o José Simões mas este já tinha saído pelo que me vi sem companhia nesta última saída de Mérida, olhei a sala praticamente vazia de participantes, ainda com 45 quilómetros para percorrer pensei então que não ia ter muita companhia nas próximas horas.
[continua]

quarta-feira, 18 de abril de 2012

As minhas LXVII Millas Romanas (I).

1º circuito - "Guadiana" - 27,5 km
Ao ecoar as 21 horas da passada sexta-feira parti para as minhas "LXVII Millas Romanas", prova com partida e chegada na Plaza de España (cidade de Mérida em Espanha), prova com a particularidade de ser disputada em 3 circuitos e com passagens pela cidade no final de cada um dos dois primeiros circuitos.
Apesar de ser uma prova não competitiva são registados os tempos (segunda-feira já estavam disponíveis no site do clube organizador) e oferecido a cada participante que complete as LXVII Millas um muito bonito "Marco Miliário".
Sabia que o "garmin" não ia aguentar até ao fim pelo que optei por não o ligar no primeiro circuito.
Após a partida segui perto dos muitos portugueses presentes (18 à partida, dos inscritos apenas uma falta de comparência), entrámos quase de imediato num primeiro trilho, praticamente plano e situado junto ao rio, sabia que o primeiro controlo só abria às 21h42' pelo que resolvi seguir calmamente até esse primeiro ponto (Estación de Aljucén) onde cheguei e encontrei na fila já formada para "carimbar" maioritariamente portugueses, por essa altura ligou-me a Isabel, quase de imediato abriu o controlo e após carimbar retomei o passo de corrida, segui então por perto do Bossa, Pedro Prates e do José Simões, este último a assumir o papel de grande animador do grupo.
De regresso a Mérida foi altura de passar a moderna ponte Lusitania, ainda antes de retomar o trilho que se seguiria em direcção oposta ao do trilho anteriormente feito, demos com um ponto de abastecimento (só de água), por essa altura passámos a ter a companhia de mais dois portugueses, o Jorge Pereira e a "lebre" Paulo Fernandes. 
O José Simões continuava a ser o grande animador, o Jorge Pereira achava então que íamos rápido, com isso todos estavam de acordo mas o ritmo manteve-se como então até ao ponto de controlo situado ao km 18,7 (Pista de Alange), o qual abriu quase em simultâneo com a nossa chegada pois após chegarmos não passou muito tempo para os primeiros retomarem o passo de corrida.
Após mais um carimbo, também de comer e beber, procurei os meus companheiros com quem tinha vindo até então mas por lá já só estavam o Bossa e o Prates, retomámos então os três o trilho antes palmilhado mas agora em sentido contrário, viríamos depois a apanhar de novo o trio Paulo Fernandes, Jorge Pereira e José Simões. Sexteto reagrupado e foi tempo de continuar até à ponte romana que nos serviu para passar de novo para a outra margem e voltar a correr nas ruas da cidade de Mérida, algumas pessoas nas ruas, alguns incentivos, o José Simões manteve-se como desde o inicio como o grande animador, ia-nos picando, ia cantando "é sexta-feira…yeah", a dada altura adiantou-se ao grupo, sentou-se num dos bancos e à nossa passagem bateu palmas…
Quase sem darmos por isso e em cima da hora em que o controlo abriria (00h11') estávamos de volta ao pavilhão (polideportivo Diocles) com os primeiros 27,5 quilómetros já feitos, pavilhão onde tinha a Vitória e a Isabel à minha espera.
Por lá ainda estavam quase todos os portugueses, eu ainda ficaria por lá algum tempo durante o qual aproveitei para comer e beber, pouco depois e após carimbar, tempo de me despedir da Isabel e da Vitória o que fiz já no exterior no pavilhão e numa altura em que eram muitos os que retomavam a prova.
Repetindo-se o que já tinha acontecido anteriormente, o Bossa e o Prates seriam de novo os meus companheiros na hora de recomeçar, se bem que não o viriam a ser durante muito mais tempo mas isso só o viria a saber mais tarde…
[continua]

domingo, 15 de abril de 2012

50 (XIII - Mérida).

Ano: 2012.
Local: Mérida, Espanha.

Sexta-feira, 13 de abril, 21 horas - sábado, 14 de abril, 11 e picos da manhã...
No meio palmilhei as LXVII Millas Romanas (prova de 100 quilómetros com partida e chegada na cidade de Mérida com a particularidade de ser corrida em 3 circuitos em redor da cidade e com passagens pela mesma no final de cada um dos 2 primeiros circuitos).
Nesta minha "cruzada" por terras de Mérida, a antiga capital da Lusitânia, tive comigo as minhas "donzelas", firmes no apoio antes da partida, durante a noite quando na minha 1ª passagem por Mérida e no final.
O resto de tarde de sábado e este domingo de manhã aproveitámos para conhecer um pouco da cidade património da humanidade...
Fim-de-semana cinco estrelas.          


Fotos da Isabel aqui.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

50 (XII - Pessach).

Ano:2012.
Local: Castelo de Bode, Portugal.

Tal como há um ano voltámos a passar a Páscoa na zona de Castelo de Bode, desta vez apenas os três, tal como nos dois últimos anos seria minha intenção correr em sábado de Aleluia no percurso do G.P. de Páscoa de Constância, prova que este ano não se realizou.
Claro que estando na zona no meu longo de sábado de Aleluia não podiam faltar esses 10 quilómetros desse belíssimo percurso que encaixei na fase final do meu longo de 30 quilómetros.
Voltei a repetir esses 10 quilómetros na manhã de domingo de Páscoa, encaixando-os então entre o 5º e o 15º quilómetro dos vinte que corri nessa manhã.
Duas belas manhãs, dois belos treinos…
Se as manhãs foram de corrida, as tardes essas foram de passeio…
Sexta-feira Santa visitámos o Castelo de Almourol, castelo edificado numa pequena ilha no rio Tejo, o acesso foi feito por barco, num dos que regularmente e apreços bem acessíveis fazem a ligação à ilha para a visita ao castelo.
Tinha visitando este castelo tinha então a idade da Vitória, voltei agora, os tais círculos que se fecham…
Sábado de Aleluia visitámos Abrantes, o seu bem conservado e “vivo” castelo, o lindíssimo jardim situado na parte de baixo do castelo, antes do regresso a casa numa das praças da cidade saboreámos a tigelada e a palha de Abrantes (doces típicos da terra).
Domingo de Páscoa revisitámos Constância, a vila-poema, as suas ruas floridas, as suas ruas em festa,… visitámos o jardim dedicado ao poeta Camões…
Rumámos depois à cidade de Tomar, por lá saboreámos um “Beija-me depressa”, um doce típico da terra, a Vitória brincou um pouco no parque à beira do rio, acabámos o dia visitando a família Mota.
Segunda-feira, no regresso a casa, passámos por Torres Novas, subimos ao castelo por estes dias fechado para obras de manutenção, muito belo e pelo que vimos do exterior muito bem conservado, fica “marcado” para a próxima.
Foi mais uma bela “Pessach” por terras de rios, castelos, jardins, poetas…
Termino com palavras de um dos poetas de Constância, Luís de Camões.

Ao desconcerto do Mundo

Os bons vi sempre passar
No Mundo graves tormentos;
E pera mais me espantar,
Os maus vi sempre nadar
Em mar de contentamentos.
Cuidando alcançar assim
O bem tão mal ordenado,
Fui mau, mas fui castigado.
Assim que, só pera mim,
Anda o Mundo concertado.